Copel


Contra tudo e contra todos, eles votaram contra a vontade de mais de 400 entidades que representam 9 milhões de paranaenses. Sem nos consultar. O que seria justo, num plebiscito. Eles resistiram a todas as pressões e votaram pela privatização da Copel, esta que não é apenas uma empresa estatal, que teve um lucro líquido em 2000, de quase R$ 500 milhões e que leva energia com qualidade aos quatro cantos do Paraná, mas que é acima de tudo nosso maior orgulho. Ficamos fora do racionamento graças à pujança da Copel. Seria imoral o governo federal nos incluir. E com ela privatizada, como vai ser? Atendendo demanda de outros Estados, clientes do novo grupo controlador? E a nossa indústria, nosso desenvolvimento? Nosso povo poderá ficar refém de interesses alheios a nossas fronteiras.
O maior argumento para a venda da Copel, se isso pode ser chamado de argumento, seria a concorrência, que ela sofreria com a quebra do monopólio de energia. A Copel cresceria ainda mais, porque está pronta, tem a confiança do povo do Paraná, conquistada ao longo do tempo com trabalho, ao custo do suor do nosso povo. O artigo 1º da Constituição Federal, parágrafo único, diz: ''Todo poder emana do povo, que exerce por meio de seus representantes.'' Analisando isso, chegaríamos à conclusão que fomos traídos, porque nossos representantes não atenderam ao nosso clamor, a nossa vontade. Em meio a socos e pontapés, eles decidiram pela venda da Copel. Um triste fim para uma empresa que é a locomotiva do desenvolvimento do Estado do Paraná.


- SANDRO DA SILVA, universitário, Umuarama


Ciência


Muitas vezes encontramos dificuldade em transformar ciência em linguagem acessível, sem perda de conteúdo. Na verdade, essa dificuldade inata do meio acadêmico, nasce na escola, que nos ensina a redação científica, o impessoal, o padrão, estimulando os acadêmicos a pensar, escrever e viver ''cientificamente''.
Temos orgulho, quando nossa iniciação científica é aprovada e os nossos trabalhos ''papers'' são publicados em revistas especializadas. Entretanto, esta formação acadêmica acaba por nos afastar, a nos ilhar da situação onde vivemos e para quem trabalhamos.
Acredito que temos de refletir sobre os alicerces da universidade, no trinômio ensino-pesquisa-extensão, a começar pela redação. Devemos repensar mais o informal, viver o coletivo, ler mais livros, jornais e muito mais poesia. Filosofar, pensar, estar mais próximo do cotidiano, obviamente sem afastar-se do acadêmico.
Procurar rever o objeto de nossos trabalhos e, se possível, buscar junto à comunidade os assuntos que a afligem. Isto conseguimos através da prática extensionista. A extensão, no meu entender, é manter contato com as comunidades, identificar seus problemas, pensar no observado, buscar soluções do popular através do científico.
Discutir na academia com nossos pares, com os alunos, as questões envolvidas. Apresentá-las em fóruns apropriados, publicá-las nos moldes acadêmicos com a metodologia científica adotada, debatê-las e, então, retornar à comunidade, apresentando possíveis soluções. Divulgando, também, por veículos de comunicação de massa de forma acessível, compreensível e prática.
Se conseguirmos, com essas informações, melhorar nossas aulas e, consequentemente, o ensino, auxiliando na formação e educação de nossos alunos, atingiremos o objetivo de nossa função de professor-mestre, podemos então literalmente dizer que vivemos Universidade!


- ARNOLDO MEISTER PIMENTEL, professor de genética da Universidade Federal do Paraná, Curitiba


Silvio Santos


Sair da ralé e chegar à nata é o sonho da maioria dos brasileiros. Talvez por isso é que Silvio Santos fez e faz tanto sucesso. A história dele é um exemplo vivo de ascensão social, num país em que as desigualdades são abismais. Entretanto, o maior milagre de Silvio não foi chegar onde chegou, mas conservar a sua posição, vendendo o sonho de que a riqueza é fácil, possível e palpável.
Ele é um paradigma para o povo, que deseja, ardentemente, a ascensão e compra sua fórmula. Mas a sua fórmula do ouro, não é a convencional: do trabalho e da educação, pois é raríssimo chegar à riqueza trabalhando neste País. É, portanto, uma fórmula mágica. Uma alquimia que transforma objeto comum em ouro.
É necessário, portanto, sonhar em ganhar na Sena, no Show do Milhão, na Loteria Esportiva. Neste ponto não há diferença entre um apostador, um sequestrador, um corrupto e um alquimista. Todos querem fazer riqueza de uma hora para outra. A diferença é que o sequestro e a corrupção são ilegais, mas há a grande chance de não ser punido, no Brasil, enquanto a aposta tem o aval da legalidade e uma desprezível chance de vitória que o apostador não enxerga, graças à magia da alquimia. Já o alquimista só faz o milagre do ouro quando consegue vender o sonho de riqueza aos outros e se autopromove.
Mas Silvio não é só alquimia. É também carisma, pois não basta ter a fórmula do ouro e não saber vender o peixe. O incidente com sua filha mostrou que este carisma é genético. Afinal, quem não ficou encantado com o milagre de uma jovem que transformou uma experiência terrível em vitória? Há alquimia maior que esta? Uma magia com consciência social e crítica construtiva ao próprio pai.
Por que, que ao invés de Silvio ficar procurando mais uma ''dondoca loira'' para a apresentação dos programas infantis, não promove sua filha para isto? Ela tem o carisma e uma boa magia que deve contagiar os nossos filhos. É dessa animadora que os nossos programas necessitam. Ela tem carisma e talento.


- FLADEMIR CÂNDIDO DA SILVA, Londrina

Correção
- Um dos brasões que aparecem no quadro sobre os jogos do Brasileirão, publicado ontem na Primeira Página da Folha, está errado. O símbolo identificado como sendo do Guarani é, na verdade, do Internacional.

Esclarecimento
- Em nenhum momento de minha entrevista à repórter Luciana Pombo fiz referência à Copel, nem fui perguntado sobre sua reestatização e, muito menos, sobre a posição dos senadores Roberto Requião e Alvaro Dias. Falei sobre a proposta discutida no PT sobre reestatização de todas as empresas privatizadas no Brasil. Quero recordar que tanto Lula como eu temos declarado que não aceitamos as privatizações do setor elétrico, da Petrobras, do BB, da CEF, e, caso ocorram, vamos revertê-las se eleitos.


- JOSÉ DIRCEU, deputado federal pelo PT-SP e presidente nacional licenciado do partido.


NR. O texto a que se refere o deputado (publicado na edição do dia 28, página 6), em nenhum momento afirma que José Dirceu é contra a reestatização da Copel; o deputado se refere à reestatização ''de empresas'' e não de empresas como a Copel. Neste caso, ocorreu uma ligação natural entre sua declaração em Curitiba e a posição dos senadores paranaenses Requião e Alvaro que prometem recomprar a Copel se eleitos. Infelizmente, o deputado José Dirceu não estava bem informado sobre os debates a respeito do processo de privatização da Copel, e desconhecia que os dois senadores têm proposto, inclusive por meio de documento, sua intenção de recomprar a empresa de energia. A Folha reconhece que o título dado à notícia (''Privatização da Copel/Petista critica Requião e Alvaro'') é inapropriado às declarações de José Dirceu. Também reconhece que uma frase do deputado, repetida na edição do dia 29 (''O que foi dito'', página 2), apresentou a declaração de José Dirceu conectada indevidamente com a Copel, e pede desculpas pelo equívoco.


- As cartas devem ser digitadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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