O LEITOR ESCREVE
Maquiagem
Mais uma vez quem paga a conta é o consumidor! As indústrias estão usando de um artifício legal (mas questionável) para aumentar o lucro na venda de seus produtos. A mágica é simples: elas diminuem a quantidade dos seus produtos, mas os preços continuam os mesmos. Basta ver o que ocorre no segmento de materiais de limpeza.
O papel higiênico, por exemplo. Tradicionalmente, há mais de 25 anos, é comercializado em rolos de 40 metros. Agora, na mesma embalagem e com o mesmo preço, é vendido com 30 metros. Ou seja, o consumidor continua pagando o preço dos 40 metros, mas leva para casa 25% a menos de produto. O sabonete, que sempre esteve no mercado com o peso de 100 gramas, agora está na prateleira com a embalagem mostrando 90 gramas. O preço não diminuiu. O pior é que a estratégia parece estar contaminando todos os setores da indústria.
Produtos quantitativos antes padronizados pelo governo federal, através de portarias do Inmetro, passaram a ter dois pesos e duas medidas. O Brasil abriu mão de uma padronização com a criação do Mercosul.
Países como Argentina e Uruguai estavam em estágios de modernização mais atrasados do que o Brasil. Ex: biscoito no Uruguai, 132,7g, na Argentina 176g, no Brasil, 100g, 200g, 500g, e um quilo. Mesmo assim, o Brasil aceitou o argumento da falta de condições de se adaptarem de imediato às regras.
Com isso, o Brasil cedeu e recuou no modelo de padrozinação, para facilitar a entrada das mercadorias produzidas no Mercosul. Um retrocesso: o Brasil que já estava próximo dos padrões do Primeiro Mundo, perto da realidade de países como a Alemanha e os Estados Unidos, colaborou com as mudanças na legislação para que as indústrias pudessem manipular à vontade a quantidade dos seus produtos.
Uma abertura para o lucro fácil, sem o mínimo respeito para com o consumidor. E a indústria não vem demonstrando qualquer preocupação em informar ao consumidor sobre tão significativas modificações nas quantidades dos produtos e nas embalagens, adotadas obviamente com um só objetivo: maquiar o aumento de preço das mercadorias colocadas no mercado.
De novo, quem paga é o povo.
- MARCELO DOS SANTOS TRAUTWEIN, técnico do Inmetro-PR., Londrina
Democracia (1)
O Paraná se mostra indignado com o governo de Jaime Lerner. Entre os quatro cantos do Estado, Lerner é recebido com indignação e protesto. A última em Arapongas, uma cidade calma e tranquila, de povo honesto e trabalhador.
O protesto acabou em violência, por parte do governo e dos manifestantes. Atiraram ovos e pedras no governador, a polícia reagiu com extrema força, até balas de borracha foram usadas parecia uma praça de guerra, bombas de efeito moral explodiam para todos os lados. ''Que horror! Jamais vimos isto acontecer aqui'', lembra a população espantada.
Resultado: estudantes e polícia feridos. Governador: o senhor não vê o mal que está fazendo ao Paraná, com sua política desastrosa, de vender nosso maior patrimônio, pedagiar nossas estradas, diminuir recursos das escolas e universidades públicas e querer cobrar mensalidades? Perguntamos por que isto governador? O senhor já está com aposentadoria garantida mesmo, não tem amor pelo Paraná?
As portas do nosso Estado estão abertas para quem quiser ficar e trabalhar, e construir um Estado cada vez mais forte e justo. Os estudantes de Arapongas têm que se organizar novamente como antes, com coerência, quando faziam notícia, quando eram invejados por todas as entidades estudantis pelo seus trabalhos. E assim fazer a barreira de defesa de Arapongas e do Paraná.
Somos filhos desse Estado, que amamos. Não suportamos mais tanta violência e covardia. A mesma avenida e praça que há algum tempo ouviram o clamor de mais 2 mil estudantes pela paz nas escolas, transformaram-se em praça de guerra. Fica aqui o nosso respeito ao vereador Sérgio Onofre, que ao defender um jovem estudante foi preso por agredir um PM, e ao deputado Waldyr Pugliesi que veio ao nosso socorro mais uma vez .
Repudiamos a violência ocorrida em Arapongas principalmente por parte do governo, que foi o principal responsável. Não iremos desistir. Continuaremos nas ruas e gritar: ''Violência Não! A Copel é Nossa! Escola Gratuita e de Qualidade é que queremos!''
- MARCO JÚLIO PROCÓPIO, estudante, Arapongas
Democracia (2)
Indignados com os fatos que vêm ocorrendo no Paraná estamos todos! Não é privilégio do presidente da Câmara Municipal de Arapongas, Osvaldo Simões de Mello estar indignado, o que devemos cuidar é para qual a visão de indignação que vamos ressaltar. A grande maioria dos paranaenses prefere indignar-se diante da violência e da truculência praticada pela polícia com relação aos manifestantes.
Alguns preferem indignar-se acreditando que a manifestação não é autêntica e que a imprensa está sendo ingênua ao relatar os fatos, como disse Mello: ''... Que a imprensa não receba como verdadeiras as informações que os próprios agentes da violência e seus patrocinadores estão repassando'', conforme publicado na Folha no dia 28.
Agora, o que é preciso é que a sociedade se veja indignada diante da miséria, da fome, do desemprego e com o número de ''sem'' que cresce assustadoramente neste País. O que ocorreu em Arapongas no dia 24, não foi um ato praticado por fanáticos e tampouco o governador é a vítima ele é mesmo o vilão. Visto que eleito pelo voto do povo, ele se mostra como verdadeiro traidor em vários atos que vem praticando: a venda da Copel e a precarização aos trabalhadores da educação.
A imprensa tem mostrado os fatos como eles são. O que existe por trás da conquista pelo poder, ninguém sabe melhor do que o próprio governador. Ele pode, por exemplo, contar como conseguiu os votos que faltavam para derrubar o projeto de iniciativa popular contra a venda da Copel.
Exemplo de democracia quem deu foi Londrina, que num processo civilizado e pacífico, foi às urnas e fez o plebiscito decidindo o futuro da Sercomtel Celular. Nota 10 para a democracia em Londrina, que está sob administração do PT, e nota zero para a democracia no Paraná, que está sob a administração do PFL e a truculência da polícia.
- DÓRIS ANDRADE DA CRUZ, socióloga, Londrina
Copel
O Paraná inteiro já conhece a sua cara, caro ''governante''! Ao contrário do que você e seus ''cevados'' pensam, as coisas mudaram! Não esqueceremos! O povo não terá memória curta dessa vez e vocês vão observar isso nas urnas, em 2002! Serão julgados pela história!
- CATIA CALIXTO, Barra do Jacaré, através do site da Folha, no portal www.bonde.com.br
Correção
- No Editorial de ontem, onde se lê ''o desenvolvimento'', leia-se ''o subdesenvolvimento não é produto do capitalismo, mas da falta dele''.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





