Trânsito


Sou de Joinville e resido há um ano aqui em Curitiba e, sinceramente, fico impressionado toda vez que saio de carro por essa cidade. A imprudência dos motoristas aqui é flagrante, não se utilizam as setas de sinalização dos veículos, não se respeitam preferenciais e muito menos os sinais vermelhos.

Na minha cidade, a prefeitura começou a instalar câmeras de vigilância nos sinaleiros para multar as pessoas que furam os sinais. O resultado foi excelente. Aqui em Curitiba eu vi esse recurso em poucos sinais e acho que isso poderia ser intensificado a fim de resolver o problema do desrespeito ao sinal vermelho.

Quero aqui deixar minha sugestão com respeito às lombadas eletrônicas: no Código de Trânsito antigo a velocidade mínima era a metade da máxima permitida agora no novo eu não sei como é, mas aqui em Curitiba é comum acontecer o seguinte: a velocidade da via é de 70Km/h mas existe uma lombada eletrônica marcando 40Km/h, e muito motorista passa a 15km/h. Eu já presenciei 9Km/h.

A minha sugestão é nivelar a lombada eletrônica com a velocidade da via, se é 70Km/h, então a lombada passa a marcar 70Km/h, e assim por diante, sem esquecer de punir (se o Códiogo permitir) o motorista que passar abaixo da velocidade mínima. Acredito que isso iria ajudar muito no fluxo dos veículos.


- GEOVANE HILÁRIO LINZMEYER, Curitiba, através do site da Folha, no portal www.bonde.com.br



Sistema carcerário


O editorial da Folha do dia 23, comentando sobre as condições dos presos, destaca que ainda vigora a tradição de que os presídios têm que ser câmaras de tortura. O governo, como sempre, utilizando os mesmos argumentos, alega falta de recursos financeiros para remodelar os presídios e implantar colônias penais.

Ao que se sabe, temos apenas um presídio considerado modelo em nosso Estado, localizado em Guarapuava, e que só teria alcançado essa condição, devido a participação de uma empresa do ramo moveleiro, situada em Arapongas, por meio de uma estrutura, que permite ao presidiário, o exercício de uma atividade profissional, dando-lhe uma ocupação, a fim de sentir-se útil no presente e esperançoso em relação ao futuro.

Todo presídio necessita ter como finalidade maior a capacidade de recuperar socialmente o indivíduo. A prisão deve servir apenas para duas coisas: suspender temporariamente o direito à liberdade e ressocializar o preso. A primeira existe, embora diante de tantos absurdos, é a uma realidade. A segunda, é apenas um sonho! Será que não está na hora de pensarmos em ''centrais de penas alternativas''?


- CLAUDINÊ DE OLIVEIRA, funcionário público estadual, Apucarana



Onaldo


Onaldo Pinto de Oliveira foi um destes raros casos em que o personagem que ele inventou para si foi mais importante que ele próprio. Ultimamente podia ser visto circulando pela Boca Maldita (em Curitiba) em busca de companhia que servisse de bálsamo para sua solidão. Outras vezes era encontrado em restaurantes do centro, ou com seus amigos no Instituto de Engenharia.

Nascido em Florianópolis em 1928, ele adotou Curitiba como sua cidade. Foi aluno da primeira turma do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Paraná, criada especialmente para engenheiros já formados.

Participou da equipe que projetou a Praça 29 de Março, cuja moderna concepção de espaço diferenciava-se dos tradicionais traçados presentes nas praças Santos Andrade e Carlos Gomes. O Plano Serete, em 1965, orientado pelo urbanista paulista Jorge Wilheim, determinou as diretrizes de crescimento para a Curitiba, desenvolvidas pelo IPPUC na década seguinte. Durante a discussão desse plano, Onaldo discordou radicalmente da escolha dos eixos de crescimento urbano para cidade. A BR-116 e a Avenida Marechal Floriano eram os principais eixos, conforme a proposta de seu Plano Alternativo.

Inicialmente negada pelos planejadores, a Marechal Floriano se transformou em canaleta do ônibus expresso, posteriomente à instalação dos eixos Norte e Sul. Passado o tempo, verifica-se que Onaldo não estava errado. Nos anos 70, quando se vivia a ilusão do ''milagre brasileiro,'' os grandes escritórios de Curitiba se dedicavam, com sucesso, aos concursos de arquitetura promovidos pelos governos militares. Onaldo, um ferrenho inimigo da ditadura, trabalhava incansavelmente em planos não tão grandiosos.

Ele foi mestre na arte de criar estimulantes discussões. Polêmico, contradisse a tudo, a todos, e sobretudo a si mesmo. Foi um colecionador de desafetos e admiradores. Não fugia de uma boa briga, era leal, íntegro e tinha um sonho meio infantil de consertar o mundo. Esse era Onaldo Pinto de Oliveira.


- OSVALDO HOFFMANN FILHO e LUÍS SALVADOR GNOATO, arquitetos, Curitiba



Migrante


O Brasil voltado para o capital internacional não protege mais os seus filhos. Relegados ao abandono, o brasileiro não tem muito a perder, procura outro país que lhe dê abrigo e melhores oportunidades de renda.

Os países ricos, ditos de primeiro mundo, vêem no estrangeiro uma peça importante na criação de riquezas. O estrangeiro trabalha, gera empregos, paga impostos e não reclama de seus direitos sociais. Dessa forma é que os Estados Unidos saem na dianteira, prevendo a entrada de 9 milhões de novos migrantes.

A exploração do estrangeiro é mais uma maneira que os países ricos estão encontrando para proteger o padrão de vida de seus filhos, aqueles que vivem sob a proteção do Estado. Ao contrário, o Brasil expulsa os seus, oferecendo-lhes péssimas condições de vida: aposentadorias irrisórias, taxação de inativos, privilégio do capital especulativo. Enfim, faz toda sorte de opressão em cima do trabalhador brasileiro.

Japão, Itália, França e Inglaterra vão pelo mesmo caminho, num chamamento da mão-de-obra produtiva para proteger a sua gente, enquanto o Brasil rejeita e destrói a cidadania. Temos que refletir. Ano que vem teremos eleições majoritárias.


- JOÃO AMBRÓSIO DE OLIVEIRA, Londrina






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