O LEITOR ESCREVE
Copel (1)
Perdidos, frágeis, transparentes. Um pouco castigados pelas asperezas do dia-a-dia, mas, em verdade, visionários. Viram muitos capacetes brancos, quepes, cassetetes, escudos, cães, cavalos. Sim, viram bastante. Também jogados ao chão, esquecidos souberam que não haveria mais luzes. Lembraram-se das pedras que choveram em fardas, no entanto outras 27 foram mais significativas por conduzirem ao tropeço, por levarem ao chão um pedido, uma cobrança justa.
Frágeis, transparentes, perdidos. Em berço esplêndido jogados, como a democracia. A canção que se ouvia era latir e silêncio, trevas sorrateiras se avizinhavam. Mentes crédulas em mudança e ouvidos encontraram a frieza dos vidros e do concreto, impassibilidade e espasmos de violência. Apesar do escorpião estar cercado, suas garras o isolavam da insatisfação de formigas que nele acreditaram, por vezes seu aguilhão cai pesado e repressor.
Transparentes. Estatelados. No chão caídos com sua agonia observando. Lá ficaram meus óculos, quando o aguilhão veio empalar minha dignidade, minha expressão. Ele quis tirar minha visão, minhas formas e cores perfeitas. Foi num ''a-gosto'' coletivo que deitaram eternamente tantas vozes. Meus olhos revoltos querem transparência.
- BEN-HUR DEMENECK, Curitiba
Copel (2)
Meus caros descendentes. Espero que, lendo os jornais desses dias turbulentos e corrompidos, ainda que indignados com os fatos que marcaram nossos tempos, tenham a equidade de ler sobre os muitos que perderam lutando, e que foram afinal injustamente vencidos. É um momento que recorda a meditação dolorosa de Aquiles sobre a morte dos mirmidões, seus conterrâneos e soldados, na Guerra de Tróia.
Respeitem seus irmãos antepassados, que lutaram pela Copel, e leiam neles e em seu calvário, uma bela lição de civismo, cidadania e coragem. Essa bela obra paranaense nasceu aqui, quando o governo estadual comprou nossa modesta empresa de energia elétrica, unindo-a à de Apucarana.
Se há algo que uniu todos os paranaenses, foi essa energia, essa luz sem bairrismos nem preconceitos. Para mim, a Copel era o nosso sangue comum, o grande traço de uma união que tem sido dolorosamente torpedeada por interesses menores. Quando vocês estiverem lendo esse lamento, distantes estarão os dias em que a nossa energia pertencia ao povo e esse falava na Assembléia, pressionava o governo.
Hoje, desgraçadamente, vocês nada podem fazer. Desgraçadamente, 28 pessoas, uma chefiando e as outras ''carneirando'', sabe só lá Deus por que intentos e compensações, venderam nossa jóia, que não construíram, entregando-nos a um monopólio que só suas consciências deturpadas podem ter negociado.
Em 31 de outubro, apropriadamente dois dias antes do Dia dos Mortos, nossa Copel será trocada pelo dinheiro do monopólio. Venderam não somente nossa Copel, mas também suas almas, mas se ela nos era cara, caríssima, restará a cada um de seus vendilhões insensatos, o opróbio, o fato, a foto, o registro de que nesse dia, prevaleceu o mal sobre o bem.
Ao governador e seus áulicos, a coroa da infâmia, da truculência e do despudor. Mas, ao ''apagar'' nossa Copel, ele e seus áulicos devem esperar da história, um lugar verdadeiramente intocável, ao qual poucas mulheres e homens desses tempos estranhos e corruptos, gostariam de pertencer. Sou apenas um deles, mas lhes informo, somos quase 10 milhões de almas envergonhadas. Perdemos lutando por nosso futuro, que são vocês. E hoje, perdemos nossa Copel.
- LINCOLN BRASIL E SILVA, neurologista, Londrina
Copel (3)
A população paranaense foi derrotada. Nunca uma afirmação foi tão justa e apropriada. O governador derrotou a população paranaense. Os deputados da situação derrotaram os eleitores que os elegeram e todos os demais. A derrubada do projeto popular contra a venda da Copel foi a maior das derrotas que a população sofreu. Mas não a única. O governo Lerner vem infligindo derrotas e medidas autoritárias a diversos segmentos de seus governados, sistematicamente.
A imposição de um modelo de ''eleição'' para diretores das escolas estaduais, pelo qual um representante do governo pode ''eleger'' um diretor, contra centenas de votos de toda uma comunidade escolar. Sem consultar professores, alunos, comunidades das faculdades estaduais isoladas, criou uma universidade estadual, não dando satisfação a ninguém sobre seu ato com possíveis consequências danosas para o ensino dessas instituições. A tentativa de intervenção, através de uma comissão de secretaria de governo, na Unioeste, repelida pelos alunos, professores e funcionários, felizmente revertidas com a enorme e pronta manifestação das Apaes.
Como é possível que um governo venha tomar tantas medidas, uma após outra, contra a população? E como é possível um governador enganar tanto, mentir tanto para justificar seus atos danosos para com a maioria do povo paranaense? Quem acredita que o dinheiro da venda da Copel vai para o fundo previdenciário do Estado e para a educação? Como acreditar no Jaime Lerner das promessas pré-eleitorais.
Jaime Lerner se acostumou com a ditadura militar. Quando era nomeado prefeito, nunca precisou de votos do povo, nunca precisou dar satisfação de seus atos. E assim continua agindo. Passa por cima de qualquer anseio democrático da população como um tanque, com toda a truculência policial-militar possível para fazer valer os benefícios próprios e de seus achegados, projetando-os falsamente como da população.
- JOSÉ ANTONIO TRINDADE, Curitiba
Copel (4)
Mais uma vez, nós, o povo, fomos tratados como palhaços nesse episódio da privatização da Copel. Apesar de toda a mobilização popular contrária à privatização, alguns de nossos deputados sofreram um ''apagão'' de cidadania e votaram contra o projeto popular que suspendia a venda da empresa. Esses deputados que lá estão por vontade popular (e têm o salário pago pelo povo), têm voz e voto e nós, o povo, infelizmente nesse caso, só tivemos voz.
Dignas de novela foram as manobras políticas para conseguir o número de votos necessários, perfil de coronelismo mesmo. Espero que a insatisfação popular não seja passageira e que essa triste história seja relembrada quando formos escolher nossos próximos representados.
- MARIA REGINA GASTALDI, enfermeira, Londrina
Copel (5)
Quero deixar meu protesto contra mais essa traição ao povo do Paraná: a venda da Copel. Moysés Leônidas (deputado do PSB) e companhia deveriam ser banidos da política do Paraná. Sinto arrepios e revolta em lembrar que votei em um deles. Esses vendilhões precisam ser punidos nas urnas, mas ele jogam apostando na memória do povo, que dizem que é curta. Vamos dar um basta nisso, guardando por escrito, junto com o título de eleitor, o nome de todos eles. Lerner e seus indesejáveis comandados não perdem por esperar. Diz o ditado popular: ''Quem não tem competência que não se estabeleça.''
- CACILDA B. GALIOTTO, Londrina
Correção - Os números da vacinação contra a poliomielite no Paraná, divulgados ontem pela Folha, estavam incorretos. A Secretaria de Saúde estabeleceu como meta a imunização de 958 mil crianças em todo Estado. A Folha pede desculpas aos leitores.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





