O leitor escreve
O LEITOR ESCREVE
Catadores de papel
Encontrei-me, subindo a rua Goiás, ao cair da tarde, com três carrinhos de catadores de papel. Um deles tinha a ajuda de três meninas, duas de doze anos e uma de oito. Estudam de manhã e à tarde, ajudam o vizinho na ingrata labuta de encher o carrinho. Pode-se calcular quantos cidadãos se ocupam em tão duro serviço. E o pior é que o rendimento não equivale à metade da fadiga. É urgente pensar neles, com carinho. E de alguma forma minorar-lhes a aspereza do trabalho. Quem sabe constituindo uma associação (como acontece em São Paulo) que deles cuide e por eles se responsabilize. Deveriam ter horário marcado, ruas definidas, uniforme. O que resultaria, sem dúvida, em maior vantagem deles e maior agrado da comunidade. Faz-se mister observar o fato de crianças, sobretudo meninas, estarem nesse empenho. E tomar providências cabíveis. São os pais que obrigam, são elas que querem, o que recebem de recompensa, e quantas perguntas mais? É evidente que o caso está aos cuidados da administração pública. Aos responsáveis apelamos para que tomem iniciativas e torne a coisa merecedora de aplauso e de eficácia satisfatória. A eles, catadores de papel, nosso olhar de admiração e carinho. Deus os abençoe e os torne, quanto antes, visão agradável aos transeuntes. E saibam que todo trabalho é digno e merecedor da justa recompensa.
- EDUARDO AFONSO, professor em Londrina
Violência
O mais precioso que Londrina tem são suas crianças e não bancos, empresas e asfalto. A violência contra a criança e o adolescente se tornou fato comum na sociedade. A política social desenvolvida no Brasil nos últimos anos tem falhado em todos os sentidos, levando-os a um estado de miséria e desproteção. Assim, estabelece-se um círculo vicioso repressivo que, em vez de recuperar e resgatar a criança, empurram-na cada vez mais para condições subumanas, com a violação dos seus direitos fundamentais. Existe algo a fazer? Temos feito algo pela criança? Temos exercido nossa cidadania? Ou optamos pelo modelo repressor que espera acabar com a situação da marginalidade através da força? Ou ignoramos a situação, num movimento de inconsciência e descaso, desde que ela não nos ameace?
Durante anos os cidadãos deste país perambulam de um lado para outro pensando em questões vitais para a população brasileira. E agora, como num toque de mágica, queremos que tudo se encaixe nos devidos lugares. Se não houver mudança na consciência nacional a respeito do sofrimento injusto, do paternalismo e repressão inconsequentes, será terrível conviver com o desdobramento desse genocídio. Os sobreviventes nos farão sentir na pele, no bolso e na família, os resultados da omissão coletiva. Urge, portanto, uma série de medidas que envolvam o poder público, ação comunitária e individual.
- PASTORAL DO MENOR, Londrina
Prefeitos atônitos
A famigerada globalização que nos empurram goela abaixo, sem que saibamos qual será o nosso futuro, que destino teremos, que via o País escolherá (ou ser-lhe-á imposta) não tem merecido do poder central (leia-se Nando) uma orientação sistemática, ampla, profunda aos senhores prefeitos. Eles não sabem o que fazer. Não há cartilha, falta método, inexiste um planejamento nacional para dizer o rumo é este, a vereda a seguir é aquela. Como agir no campo, onde a mão-de-obra é arcaica, mas ainda resiste melhor que a mão-de-obra urbana posta em risco pela velocidade da informatização? Na verdade os prefeitos estão atônitos.
Indústrias que nos pareciam perenes, de repente fecham, perdem a desejada competitividade ou recorrem à falência, deixando tantos sem emprego. Quantas delas pegaram dinheiro do Estado, do município e acabaram falindo, causando rombo nos cofres públicos. Sopra vento contrário, desarruma-se o mercado e lá se vai o sonho do prefeito. Não sabemos criar mais nada? A globallização ou o abismo? Em cada região do Paraná as associações municipais deveriam estar promovendo estudos, debates, cursos, congressos com o objetivo principal de descobrir caminhos, efetuar alianças, criar fórmulas, antes que sejam apanhadas de surpresa e caiam no obsoletismo, sem que haja tempo para criação de soluções. Vamos sair da prancheta, já folclórica, e promover um grande debate?
O que cada município está fazendo para fugir da decadência? Que tipo de saída cada prefeito tem buscado e o que se conseguiu de básico? Não é possível mais viver do sonho dos 200 milhões de dólares que virão de fora? A globalização pode ser boa para as multinacionais, mas certamente não o é para as nações. Ainda sabemos pouco sobre seus malefícios e aproveitamos quase nada de seus benefícios. Num país em que o município é a célula mater, os prefeitos devem atentar para a armadilha que os aguarda com a globalização sem ética, apátrida e imprevisível.
- JORGE BALEEIRO DE LACERDA, Francisco Beltrão
Dia do Advogado
Há grande diferença entre acusado e condenado, entre culto e sábio, entre pensamento e sonho, entre liberdade e o não-aprisionamento. Mas para a maioria das pessoas, leigos mais de alma que de conhecimento, ambos são, invariavelmente, a mesma realidade. É a percepção do líame que os separam e a luta para que assim sejam reconhecidos que define a beleza da vocação jurídica. E para o homem que descobriu a beleza da verdade, a força da justiça e a necessidade da igualdade em seu sentido mais amplo, onde os desiguais são tratados com a devida desigualdade, onde a justiça não é necessariamente a lei e onde a certeza cede lugar à verdade, não haverá outra opção que não seja a de lutar para a concretização de seu sonho de paz.
Neste 11 de agosto, nossos votos de que esses profissionais continuem estudando melhores caminhos para a manutenção do direito e o melhor da justiça.
- CÉLIO GUERGOLETTO, vereador em Londrina
Correção
Exceto as de divulgação, as fotos que ilustraram o suplemento de Turismo da edição de ontem da Folha - em reportagem sobre Bombinhas - são do fotógrafo Marcelo Almeida e não de Filipe Pimentel, como saiu.





