O LEITOR ESCREVE
A exoneração do reitor da Universidade Estadual de Londrina (UEL) é um motivo de grave apreensão. Não entro aqui no mérito de culpas, ou não, o que cabe aos procedimentos de apuração previstos em lei. O ato do governador (de afastar o reitor Jackson Proença Testa) é até compreensível, do ponto de vista de satisfação política. Mas constitui, inequivocamente, um ato que violenta a autonomia universitária e interrompe arbitrariamente a duração de um mandato legítimo.
Há procedimentos administrativos e regimentais que deveriam ter sido seguidos, e não o foram, ferindo-se, dessa forma, o Estado de Direito, base da democracia. Mas a ação do governador é de importância menor diante da atitude do Conselho Universitário da UEL, que não apenas aceitou, mas provocou o ato de violência do Poder Executivo, imolando o princípio da autonomia da universidade no altar de interesses menores e mais imediatos.
Grave, igualmente, é o silêncio ensurdecedor que vem fazendo a omissão da Apiesp, agindo como se a coisa toda nada tivesse a ver com ela. Atos arbitrários, motivados pelo clamor popular, todo governador está sujeito a esboçá-los posso afirmar com a tranquilidade de quem viveu de perto o poder por alguns anos. Mas a aceitação passiva e corrosiva dos que deviam ser os primeiros a defender a primazia do Direito, é novidade. A não ser que a salvação venha do Judiciário isento, o Paraná está sepultando, de hoje em diante, a autonomia das suas universidades estaduais, pela omissão dos seus principais dirigentes.
- TEOFILO BACHA FILHO, Curitiba
Vestibular
Respeito, mas como leitor assíduo da coluna do jornalista Militão, a quem admiro pela seriedade com que exerce a sua profissão, permito-me discordar veementemente da nota publicada em sua coluna na edição do dia 7, a respeito da suspensão temporária (infelizmente), do vestibular de inverno da UEL. A nota deixa claro a preocupação exclusiva com o movimento comercial do evento, já que o total arrecadado com as inscrições mal dá (segundo informações da própria universidade em outra oportunidade) para cobrir as despesas com o concurso.
O que se discute não é a realização ou supressão do vestibular de inverno. Tenho a certeza que todos os norte-paranaenses, sem exceção, são favoráveis ao vestibular em julho, desde que a UEL crie ou amplie vagas para o concurso e não simplesmente tome metade das vagas que existiam para o vestibular de janeiro e use-as para o concurso de inverno. O que a UEL fez ao retornar o vestibular de inverno sem criar nenhuma vaga na maioria dos cursos existentes, principalmente nos mais concorridos e procurados, foi um desrespeito a nós norte-paranaenses que, como muito bem dito pelo Militão, lutamos pela sua criação.
- VALDIR ANTONIO DOS SANTOS, bancário aposentado, Arapongas
Atleta
Parece fácil definir atleta amador, já que no Brasil somente jogadores de futebol são considerados atletas profissionais. Porém, difícil é estabelecer uma relação entre atleta amador e cidadão, pois quase nunca lhe é permitido alugar um imóvel, possuir um cartão de crédito ou simplesmente abrir um crediário. Atribui-se a isso, o fato de que tais indivíduos não possuírem carteira assinada, ou vínculo empregatício.
Ora, cidadão é todo aquele que promove a ordem, a cultura e o progresso de um povo. Observando por esse prisma, ninguém melhor que o atleta, exemplo de saúde, bom comportamento e determinação, possui a condição para exercer cidadania, já que a ele cabe a responsabilidade de representar um clube, um município e muitas vezes um país. Então, por que lhe dificultar a vida?
Talvez, porque os responsáveis pelo esporte vejam o atleta apenas como ''máquina de competir'', ou porque é conveniente não estabelecer um contrato com cláusulas, que atribuam ao atleta o direito de ser ''cidadão''. Estabelece-se assim, um ''jogo'', onde as regras favorecem homens, que se escondem atrás de mesas enormes, em salas com ar condicionado, no mais extremo conforto e discutem formas de manipular essas ''máquinas de competir'', oferecendo-lhes baixas remunerações e poucos privilégios. Assim vive, ou sobrevive, o atleta amador no Brasil, inclusive em Londrina.
- CLEUZA MARIA IRINEU, atleta, Londrina
Aterro
Diante dos lixões a céu aberto, amplamente usados no Brasil, o aterro sanitário ainda é solução aceita para a destinação final dos resíduos sólidos. Na Europa, em poucos anos será proibida a disposição de resíduos orgânicos nos aterros sanitários, pelo potencial que eles têm de poluir as águas subterrâneas.
No Brasil, infelizmente, qualquer questionamento sobre aterros sanitários é malvisto, desqualificado ou abafado. Expressão usual entre os sanitaristas para descartar reclamantes é titulá-los como pertencentes a turma do ''não no meu quintal'', referindo-se à revolta daqueles que não querem ficar com um aterro sanitário por perto.
Pela Internet, podemos ler inúmeros relatos de brigas entre ambientalistas e políticos. Fato é que no Brasil muitos aterros sanitários mal implantados e conduzidos logo se transformam em verdadeiros lixões ou bomba-relógio com impactos ambientais imprevisíveis.
Os aterros sanitários não são adaptados à nossa realidade social e ambiental. Não provocam mudança de comportamento da população na geração de resíduos. Os garimpeiros do lixo não são enquadrados e os altos índices pluviométricos em muitas regiões inviabilizam o tratamento adequado do chorume nos aterros sanitários. O custo do uso incorreto dos aterros sanitários no Brasil será grande.
Em Rolândia, o assunto aterro sanitário rende polêmica há três anos. Chama atenção da mídia, que contribui para um debate maior sobre o lixo. Porém, o ponto central da questão, de se discutir como melhorar um aterro sanitário antes desse entrar em funcionamento e criar condições para que o mesmo cumpra seu real objetivo, continua sendo classificado e tratado pelo setor público como estratégia da turma do ''não no meu quintal'' e da ''oposição''.
Esperamos que o caso de Rolândia seja visto e divulgado com profundidade, assim poderá enriquecer e melhorar soluções para o lixo. Aterro sanitário é parte da solução e não a solução para o lixo.
- DANIEL STEIDLE, presidente da ONG ambiental Movimento Nossa Terra, Rolândia
Correção
- Por falha técnica, a foto sobre movimento no comércio foi repetida ontem na página 5 da Folha Economia, em lugar da imagem do presidente Fernando Henrique inaugurando uma linha de transmissão de energia.
- Por falha técnica, a segunda e a terceira das três fotos da parte superior da página 7 (Política) foram publicadas com legendas trocadas.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





