O LEITOR ESCREVE
Copel
Não sei que atividade empresarial exerce o leitor e missivista Alfredo Kaefer de Cascavel, que, no sábado, criticou nesta seção a participação dos bispos católicos que se manifestaram contra a venda da monopolista Copel, sob o argumento que o interesse vender a empresa estatal é tão somente econômico e aqueles deveriam se ocupar dos interesses exclusivamente espirituais.
Ao menos foi isso que entendi. Sinto discordar do aparente liberal, vez que, devemos esclarecer alguns pontos nesse assunto tão antigo e ao mesmo tempo complexo que é a economia. O elemento mais puro, mais democrático, e como diria um ex-ministro collorido, mais imexível, é a velha lei da oferta e da procura. Quando interage no mercado, essa lei estabelece relações intersubjetivas que somente seres racionais possuem.
Desde do sentimento do querer ao do ter interpostos na complexibilidade filosófica de cada um, que se estabelece conceitos de utilidade sobre as coisas. Isso tudo os economistas chamam de ''utilis''. É a famosa equação de quanto vale um refresco no deserto do Saara? Depende. O ''utilis'' desse refresco varia de uma unidade de valor a infinitas unidades de valores. O liberalismo tem na sua essência a democracia. Mas a democracia verdadeira que é permitir que qualquer do povo estabeleça seu investimento. Fazer com que esse investidor interfira na zona de conforto dos que exercem aquelas atividades que ele está se propondo a concorrer.
A sociedade é o Estado e o refresco do deserto é a Copel. Diferente que um aparelho celular autônomo que o consumidor pode adquirir de uma empresa de manhã, e mudar para o concorrente mais competente à tarde, a energia oferece características de monopólio, assim com a água. E liberalismo não combina com monopólio. Basta entrar em um cartório e observar que tem a mesma fachada e o mesmo atendimento de 30 anos atrás. A zona de conforto do cartorário está ampla e impenetrável. Dessa feita, senhor Kaefer, as atividades monopolistas devem ser controladas pelo Estado sim, e, quando este está sob o comando de pessoas mal-intencionadas e inescrupulosas como o vendedor de suco do deserto, todo cristão deve se compadecer. Inclusive os bispos da igreja Católica.
- JOSELITO TANIOS HAJJAR, universitário, Londrina
Copel/Sercomtel
Enquanto a Assembléia Legislativa do Paraná discute a venda da Copel, aqui em Londrina estamos votando pelo sim ou não da venda da Sercomtel Celular. Alguns senhores muito ilustres, advogados, deputados federais e deputados estaduais, senadores, entre outros, emitem juízo sobre a venda da Copel e em Londrina, outros não menos respeitáveis, nas manifestações sobre a venda da Sercomtel Celular, ofendem-se e se atacam uns aos outros.
Tem padre, tem apresentador sensacionalista e até pessoas comuns achando que estão brigando pelos seus direitos. É isso mesmo: achando! Somente as pessoas mais ingênuas ou mal informadas é que não sabem que esses processos são irreversíveis, o que estão dando para o povo com o sim e o não da Sercomtel Celular e as discussões sobre a venda da Copel são o pão e o circo; a verdadeira opinião do povo deveria ser respeitada, o que é sabido por todos que nunca será. Prova disso são as privatizações já realizadas que não tiveram nem o sim nem o não por parte do povo, mas que o povo teve que engolir.
- ROBERTO TEIXEIRA, empresário, Londrina
Pároco
Participo da Paróquia Imaculada Conceição, cujo pároco é o Padre Manuel Joaquim, o qual foi citado neste jornal no dia 8 (NR. Citação a propósito da posição do pároco contra a venda da Sercomtel Celular). Não venho aqui fazer apologias; só quero ressaltar que nunca percebi a falta ou a ausência de nosso pároco lá. Atuo lá e percebo que ele está sempre presente e pronto a nos auxiliar.
As missas por ele rezadas são esclarecedoras e suas homilias são profundas e envolventes, sempre relacionadas com a liturgia. Ao contrário do que se possa imaginar, seu pensamento ideológico acerca de problemas sociais e políticos de nossa cidade são apartidárias, provocando em nós questionamento da situação e não posições.
Ressalto aqui que ele é nosso padre, mas antes de tudo é um indivíduo, ou melhor, um cidadão, que para nós é exemplo, pois não fica alheio às injustiças sociais, políticas e econômicas que também fazem parte do ideal de Jesus Cristo presente na Igreja: ''Que todos tenham vida e vida em abundância.'' Só por que o cidadão é padre não pode ter opinião?
- REJANE BASTOS, Londrina, através do site da Folha, no portal www.bonde.com.br
Pastoral da Criança
A Pastoral da Criança está sendo indicada para receber o Prêmio Nobel da Paz. Como brasileiro, sinto-me orgulhoso por essa indicação, e como ser humano me sentiria feliz se ela viesse a receber tão alta honraria. Contudo, aquelas pessoas que fundaram esse movimento e aqueles milhares de voluntários anônimos que trabalham neste, jamais agiram no intuito de aparecer ou buscar prestígio pessoal mas sim movidos pelo mais elevado espírito humanitário e cristão.
Sempre sonhei com o Brasil, a Pátria do Evangelho, como o coração do mundo, onde todas as raças pudessem conviver num clima de paz, harmonia e fraternidade. E parece que estamos caminhando para isso; basta observar as lutas étnicas, religiosas, ideológicas que assolam grande parte dos países.
Esse e muitos outros movimentos voluntários de várias origens e raças trabalham lado a lado de mãos dadas na busca de um ideal comum. Sempre acreditei que seríamos uma potência mundial, não para exportar tecnologia, mas sim a tolerância; não para exportar capital, mas sim valores espirituais. Uma potência não para prestar ajuda militar, mas sim para mostrar ao mundo que a paz é possível.
A Pastoral da Criança está fazendo isso, pois sua multimistura, sua tecnologia do não desperdício, da simplicidade e do amor já salvaram milhões de crianças no Brasil e também em muitos países onde ela já foi implantada. E em países onde a miséria fazia e ainda faz muitas vítimas entre inocentes crianças o interesse é ainda maior.
- SILVÉRIO DA SILVA, Londrina
Repúdio
Registro meu voto de repúdio ao governo de Israel por inadvertidamente invadir a Casa de Oriente em Jerusalém Oriental. O povo palestino teve há muitos séculos suas terras roubadas pelo governo israelita, e até hoje querem tomar o que não lhes pertence. Agora aproveitam atos de ultranacionalistas da Palestina para exercer o pior e mais grave papel do ser humano: a violência sem precedentes. Dai a César o que é dele. Dai ao povo Palestino o que é deles.
- CÉLIO BORBA, Curitiba, através do site da Folha, no portal www.bonde.com.br
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