Cartel dos combustíveis


Convoco o consumidor de Londrina para acabarmos com o cartel dos combustíveis. Não vamos esperar ação do governo, porque sabemos que é muito moroso. Nós, consumidores de combustíveis, temos em nossas mãos as armas: 1) Vamos abastecer o mínimo, somente o que vamos consumir no dia. É transtorno para nós, mas vai ser pior para o dono do posto, pois vai faltar capital de giro. Isto é, só encha ou complete o tanque em caso de necessidade; 2) Só vamos abastecer em postos de bandeiras confiáveis, as grandes marcas; já que estão cobrando preços altos, vamos exigir qualidade. Desta forma, os postos de bandeiras alternativas vão ter que lutar com as grandes marcas. Aí já estaremos quebrando o cartel, pois o consumidor vai fazer os postos competirem.

E mais: 3) O consumidor que se desloca para fora de Londrina, como opção, que abasteça em outras cidades da região. Exemplo: nos dias 22 de julho e 1º, coloquei gasolina a R$ 1,69 o litro. Detalhe: posto de bandeira tradicional. Não estou querendo dizer que temos que sair de Londrina especialmente para abastecer em outra cidade, mas há muitos consumidores (profissionais liberais, representantes comerciais) que passam por cidades vizinhas; então vamos aproveitar para abastecer se o preço estiver inferior ao de Londrina. Vamos nos unir, pois o consumidor tem mais poder do que os donos de postos de combustíveis.


- RUDIMAR NUNES, representante comercial, Londrina



Copel (1)


Nos últimos dias vimos a manifestação pública dos bispos católicos do Paraná sobre a privatização da Copel. O clero, que tem como missão pastoral a evangelização de seu rebanho, trata de um assunto econômico que está fora de sua esfera. ''Ide e pregai o evangelho a todos os povos'', foi a missão que Pedro recebeu de Cristo. E isto é válido em qualquer lugar, independente da forma que habitam os povos em qualquer parte do mundo. A Igreja vai a toda parte e cumpre seu papel de evangelização, das selvas africanas às metrópoles do mundo habitado. De regimes autocráticos aos de plena democracia. De economias de livre iniciativa às fechadas pelo Estado tutelador.

É o paradoxo da Igreja se manifestando sobre um assunto de economia, quando sua função é o evangelho. Já temos o paradoxo do Estado, que administra uma empresa, com recursos dos contribuintes, e que agora trata de vender, quando deveria cuidar de seus cidadãos. É gritante a contrariedade da população em ver ser vendido um bem público. Mas é a emoção, contra a razão. O que é seguro, é que a estatal trocará de mando. Do poder estatal para o poder privado. Pena que possivelmente para mãos de estrangeiros, o que mostra nossa pobreza de capitais. Mas não será possível, e isto é mais seguro ainda, que as linhas de transmissão e os rios que geram a energia não se poderá levar embora aqui do Paraná. Cumprirá ao povo fiscalizar o novo dono.

Os assuntos de economia passarão para a esfera privada. Assim como os assuntos de bem-estar dos cidadão será cuidada pelo Estado. Também, assim se espera, cada vez mais, os assuntos da fé e religião serão cuidados pelos seus pastores e bispos.


- ALFREDO KAEFER, empresário, Cascavel



Copel (2)


Foi com muita alegria que li a nota dos bispos a respeito da Copel. Respeitosa, justa e digna do povo paranaense. E acrescento questões que deveriam ser formuladas ao governador Jaime Lerner ou ao seu secretário de Fazenda. Sendo a Copel privatizada, ela estará sujeita às regras do mercado livre. Portanto, assim como uma fábrica de biscoitos, ela estará sujeita a pedidos de falência, se não for administrada com retidão e competência, tendo que encerrar as suas atividade como qualquer outra empresa privada.

Neste caso, se for uma fábrica de biscoitos, a gente pode comprar de outra marca. Mas, no caso da Copel, quem fornecerá energia para o povo? O governo vai ter que pagar as dívidas do empresário privado para não ter apagão no Paraná? O povo vai ter que pagar duas vezes pela Copel?

Caríssimos bispos: se haverá concorrência entre as companhias elétricas e o povo poderá escolher de qual companhia comprar, então eles vão encravar mais postes nas cidades? Ou, mais uma vez, eles vão arrumar desculpas para explicar ao povo que não é bem assim e, quando privatizar, não vai ser nada disso? Se não for assim, é como usar as lojas de uma empresa para vender produto do concorrente. Isso é possível?

Essas são perguntas que o governo tem que responder aos bispos, que se empenharam em dar uma mensagem de amor e fraternidade, não aceitando a ofensa que tem sido feita à inteligência do povo do Paraná.


- CARLO CUOMO, Curitiba



Celular (1)


Quero parabenizar o leitor Celso Tenório pelo texto do dia 8 (''Celular 2''), nesta seção, no qual demonstra tanta inteligência, perspicácia e sabedoria ao observar a realidade atual. Queira Deus que todos os cidadãos de Londrina tivessem a mesma visão livre de estereótipos e valorização de falsos títulos, sejam estes de ordem humana, social ou eclesiástica. É desta maturidade que o povo está precisando, ainda mais num momento em que surgem falsários interesseiros de todos os lados, inclusive de dentro da Igreja. O ano que vem é ano eleitoral. Atenção, Londrina.


- MARCIA CAROLINE AMARO, universitária, Londrina



Celular (2)


Gostaria de cumprimentar José Custódio pela sua carta ''Celular (2)'' publicada no dia 8 nessa coluna, pois ele antecipou o que há muito tempo eu estava querendo dizer. Trabalho numa empresa de telecomunicações há 24 anos e que agora se encontra privatizada há dois anos. Para nós, empregados, pode até não ter sido uma boa, mas para a população que estava tão necessitada de telefones tenho certeza que sim. Por tudo isso creio que a Sercomtel Celular deva ser privatizada. Se amanhã não for privatizada, gostaria que o prefeito Nedson mandasse a conta àqueles que foram contra. Padre Manuel Joaquim que vá cuidar de seu rebanho, que tenho certeza precisa muito do senhor.


- LUIZ DO AMARAL, Londrina



FMI


Quando é que um país tem de recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI)? A vida econômica de uma nação se torna muito complexa devido à desonestidade dos homens. A migração que se faz dos recursos públicos para a iniciativa privada é a razão que tem levado os países ao descontrole econômico. A fuga desses recursos se dá pela corrupção, por projetos mal elaborados, políticas públicas mal formuladas, incentivos fiscais exagerados, evasão fiscal, créditos tributários, favorecimento a determinados grupos, enfim essas são as práticas de concentração de rendas.

Quando ocorre a migração há segmentos que perdem e outros que ganham. Nessas condições é que técnicos do FMI estão propondo que se deixe quebrar economias agonizantes como a da Argentina para depois ajudar na reconstrução do que sobrar. Essa medida é por demais desastrosa, pois nem todos usam dessa prática escusa para se enriquecerem, creio que a grande maioria trabalha honestamente. É diante desse cenário que temos que refletir ao dar o nosso voto para escolher nossos governantes.


- JOÃO AMBRÓSIO DE OLIVEIRA, Londrina


Correção

- A foto principal da capa da Folha Esportes de ontem traz o jogador Roberto Carlos, da Seleção, e não o volante Tinga.






- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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