Celular (1)

No bojo das discussões correntes acerca de tema tão polêmico (a venda da Sercomtel Celular, de Londrina), gostaria de tecer algumas considerações que reputo, sob minha ótica, necessárias para o incremento e continuidade do debate. Entendo que, não obstante os diversos argumentos esgrimados pelos que se opõem à privatização de nossa companhia telefônica, não vejo outra alternativa, a despeito da validade de alguns aspectos levantados pelos opositores da medida pleiteada pela administração municipal. Dentre esses, aponto a necessidade de, nos termos da legislação aplicável, a verificação do direito ou não dos acionistas (adquirentes de telefone) em auferirem uma parte dos recursos obtidos na privatização. Caso positivo, a prefeitura deverá utilizar-se apenas dos recursos que sobejarem o que couber aos acionistas.
As digressões acerca do futuro da empresa num mercado mais competitivo para mim são um pouco temerárias, assemelhando-se a exercícios de adivinhação. A definição do destino da empresa é um risco que terá que ser assumido pela população na manifestação de sua vontade, embora, entendo eu, a privatização do sistema force a adoção da privatização (não podemos olvidar a vedação da contratação de empréstimos junto ao BNDES por empresa estatais).
A da venda da Sercomtel Celular para mim tem uma justificativa preponderável, que é a atual situação de penúria financeira que assola nossa prefeitura. Entre possuir uma empresa de telefonia, com possibilidades restritas de obtenção de financiamento e sem perspectivas de ampliação de sua área de atuação, opto por mais escolas, creches, postos de saúde e outras melhorias.
Espero, contudo, que a atual administração demonstre um zelo maior pela cidade, vale dizer, mais competência administrativa, o que, até o presente momento, não tenho presenciado (são recorrentes as denúncias de descaso na manutenção da malha viária; por exemplo, cito a tão esperada pavimentação da Rua João Wyclif, que já ocorreu há mais de um ano, mas até o presente momento a prefeitura (ou a Copel) não percebeu que parte da rua não possui iluminação pública, o que é inexplicável).
O incremento das discussões é medida necessária para que o londrinense possa se pronunciar com convicção no plebiscito. Espero ter dado uma pequena contribuição ao debate, o qual, gostaria de salientar, tem se mantido num bom nível até o momento.
- JORGE NETTO FILHO, funcionário público, Londrina

Celular (2)

Tenho assistido à luta do prefeito de Londrina dirigida a proporcionar alguns benefícios para a cidade que já são visíveis (o reconhecimento do INSS para os que estavam na Frente de Trabalho, a criação das repúblicas para tirar os meninos da rua, o Projeto Bolsa-Escola, o Médico da Família, a regularização provisória dos camelôs, o orçamento participativo) e outros projetos que irão gradualmente acontecendo na medida em que o povo londrinense seja partícipe deste processo de transformação, juntamente com os nossos vereadores eleitos legitimamente.
É certo que encontramos muitas idéias divergentes, e isto é normal numa sociedade pós-moderna cuja característica fundamental é o pluralismo e o diálogo com o diferente. No entanto, as idéias devem estar dirigidas ao bem comum da sociedade.
A pergunta no momento está dirigida a vender ou não a Sercomtel Celular. Fiz a leitura dos cinco motivos para votar ‘‘sim’’. Uma das razões que é tão questionada por muitos atualmente é o que se vai fazer com o dinheiro? Londrina tem uma administração ética e confiável, que vai debater com toda a população o plano de investimento dos recursos.
No ano passado, o Papa João Paulo II celebrou o jubileu dos governantes, parlamentares e políticos e assim afirmou: ‘‘A política é o uso do poder legítimo em ordem à consecução do bem comum da sociedade.’’ Este bem comum, segundo o Concílio Vaticano II, é ‘‘o conjunto das condições de vida social que permitem aos indivíduos, famílias e associações alcançar mais plena e facilmente a própria perfeição’’. Por isso a atividade política, deve realizar-se em espírito de serviço.
Assim, o cristão que intervém na política e quer fazê-lo como cristão, deve agir desinteressadamente, não buscando o interesse pessoal, nem o do seu grupo ou partido, mas o bem de todos, e em primeiro lugar, naturalmente, o bem daqueles na sociedade mais desfavorecidos. Os princípios que norteiam a vida do político cristão não são uma ideologia nem um programa político, mas sim as linhas fundamentais para uma compreensão do homem e da sociedade à luz da lei ética universal, presente no coração de cada homem e aprofundada pela revelação evangélica.
- PADRE CÉSAR BRAGA DE PAULA, assessor arquidiocesano da Pastoral Carcerária, Londrina

Combustíveis

O Sindicato dos Revendedores de Combustíveis de Londrina e a Associação dos Revendedores de Combustíveis do Norte do Paraná, rompendo o silêncio, mantido até agora em respeito às investigações promovidas pelas autoridades, vêm a público manifestar o seu repúdio ao mau uso de declarações e manifestações injustas, que procuraram envolver toda a categoria, tentando denegrir a imagem de todos os filiados dessa classe.
Essas investigações podem encontrar a verdade dos fatos e esclarecer toda a questão dos preços dos combustíveis e de acordo com o interesse público, sem ferir, no entanto, os direitos individuais da pessoa humana e nem o bom nome da maioria absoluta dos empresários do setor, que processam em Londrina milhões de litros de combustíveis, com um ativo imobilizado de milhões de reais, com emprego direto e indireto de aproximadamente 4 mil pessoas, sendo responsável por substancial parte da arrecadação do Estado.
Informam que o próprio governo, o grande responsável pela polêmica situação, fixa o preço de venda em R$ 1,8381 o litro da gasolina, contidos nesse valor os impostos e os custos de cada fornecedor. Algumas manifestações emocionais, que procuraram manipular a opinião pública, não podem ser aceitas porque violam direitos de toda uma classe, atingida sem defesa ou direito de resposta, e maculam a evolução democrática de toda a nossa sociedade.
Repelindo as agressões infundadas e injustas, estão tomando providências judiciais cabíveis para responsabilizar oportunistas, com fins noticeiros ou políticos, que desejam denegrir, com pressão e manipulação da opinião pública, esse importante setor de prestação de serviço à comunidade.
Reafirmam, portanto, sua confiança na Justiça pública, que saberá manter a aplicação da lei, como sempre faz, sem ferir os interesses, e o direito, de toda uma classe e da própria sociedade.
- WALTER SASSO, presidente do Sindicombustíveis e ARIOVALDO ARRUDA, presidente da Arcom, Londrina
N.R.
- A Folha procurou o dirigente sindical Walter Sasso em diversas ocasiões para que ele manifestasse sua posição quanto ao assunto e recebeu a resposta de que ele não falaria ao jornal.
Correção
- Ao contrário do que foi publicado na reportagem ‘‘Mãe acusada de co-autoria na morte da filha é absolvida’’ (página 4 do Caderno Cidades de ontem), as filhas da ré Lucicler Ignez Dias Demestri não acompanharam o julgamento, atendendo legislação que impede a presença de menores de 18 anos no plenário. O nome correto da promotora pública que atuou no julgamento é Siomara Nogari.
- Ao contrário do que foi publicado na edição de ontem do Caderno de Esportes, na página 3, em relação à notícia sobre futebol suíço, a equipe da Aful/Unimed/Admita RH venceu na final da Copa Kaiser o time da Skol por 10 a 2 e não por 10 a 0 como foi publicado.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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