Aterro

Fatos novos, futuros capítulos dessa ‘‘novela’’ do lixo de Rolândia, ainda que sentirmos a forte pressão e o domínio governamental para ocultar ou distorcer a verdade para a opinião pública, poderão, em vez do boicote e da censura, resultar em parcerias e cooperação.
A Folha tem muito contribuído para continuarmos na luta. Os próximos passos na questão do aterro sanitário de Rolândia poderão ser de grande interesse. Hoje estamos com mais quatro entidades de Rolândia interessadas no meio ambiente trabalhando para que Rolândia se torne um verdadeiro laboratório de tecnologias, idéias e soluções participativas que poderão beneficiar outros municípios.
Nossos objetivos: revolucionar a tecnologia dos aterros sanitários desviando e evitando que milhões de litros de água de chuva se misturem com o lixo; mudar o nome de aterro sanitário para ‘‘Compostão’’ (local composto de soluções, onde a compostagem é o ‘‘coração’’ de um novo conceito que poderá ser desenvolvido, como educação ambiental, além de, entre outros, produção de mudas e criação de peixes).
E mais: minimizar a disposição de resíduos orgânicos na trincheira através da compostagem (início do projeto piloto ‘‘Compostinho’’ no distrito de Bartira, em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina; estender trabalhos bem-sucedidos como o ‘‘Tatu-Limpão’’, que dá destino ao resíduo orgânico, para a comunidade; aumentar a participação de entidades ambientais e de ensino que poderão desenvolver na prática, melhorias e estudos (a Universidade Federal do Paraná, por exemplo, que quer auxiliar no monitoramento do aterro de Rolândia).
Grande parte desse ativismo ambiental, ainda visto com desconfiança por muitos, depende da divulgação para que ações de melhoria do meio ambiente se tornem cada vez mais populares, desvinculando-se assim de interesses políticos e de particulares, promovendo de fato, processos sustentáveis de qualidade de vida.
- DANIEL STEIDLE, presidente da ONG Movimento Nossa Terra, Rolândia

Gaijin

Com a inauguração do escritório da cineasta Tizuka Yamasaki, que se encontra com a sua equipe de produção, Londrina se torna mais uma referência no circuito cinematográfico brasileiro. ‘‘Gaijin II’’, o filme sobre a história de quatro gerações de imigrantes japoneses que será filmado no Norte do Paraná, com base em Londrina, para onde o enredo e a história da colonização nipo-brasileira convergem, mostrará a poeira vermelha, as perobas, o café, a geada, a lama e também a esperança, a decepção e a glória que os imigrantes viveram.
Tizuka é um marco do cinema nacional. ‘‘Gaijin, os caminhos da Liberdade’’ (filmado há 20 anos) abordou os problemas e as dificuldades dos imigrantes diante da nova realidade quando este tema ainda era desconhecido do grande público, e ainda hoje é referência de produção cinematográfica.
A produção de R$ 7 milhões está sendo viabilizada pela lei federal do audiovisual, que permite a destinação de parte do Imposto de Renda à realização do filme, sem nenhum custo adicional para os incentivadores.
Várias empresas de Londrina participam do projeto e ainda há espaço para muitas outras. A vantagem, além do custo zero, é a propaganda por anos e anos em todas as exibições do filme. O município também está apoiando o ‘‘Gaijin II’’, por meio da Secretaria de Cultura e da Sercomtel.
Esta parceria pode abrir espaço para um campo pouco explorado pelos municípios: a indústria do cinema. É necessário que o Poder Público, as instituições culturais e de ensino e a classe empresarial se interessem e apóiem este projeto.
Em escala mundial, esta indústria movimenta bilhões de dólares que criam muitos empregos e geram impostos. Quem sabe Londrina possa somar o potencial econômico do município com o cultural do seu povo, e o científico das várias universidades e faculdades que existem em nossa cidade, aliados ao conhecimento de profissionais como Tizuka Yamasaki e Cacá Diniz e fundar um pólo de produção cinematográfica permanente em nossa cidade?
Talvez isto possa acontecer, mas o que esperamos realmente é que em 2003 o ‘‘Gaijin II’’ seja o primeiro filme brasileiro a ganhar o Oscar de melhor filme estrangeiro, além da satisfação de poder saber que todo o mundo conhecerá a história da Pequena Londres e das personalidades que com arrojo, coragem e espírito de destemor a tornaram a 3ª cidade do Sul do País. Por isso acreditamos no sucesso deste empreendimento e pedimos a todos apoio para esta produção inédita e marcante em nossa cidade.
- ROBERTO KANASHIRO, vereador da Câmara Municipal de Londrina

Estudantes

A falta de leitura impossibilita ou dificulta a qualquer cidadão contextualizar, criticar, refletir, racionalizar e raciocinar. De modo geral, o brasileiro lê pouco. O conhecimento do mundo, da realidade, da profissão também provém da leitura de bons livros, jornais, revistas, publicações diversas.
Nota-se que o aluno que chega à universidade carece de leitura crítica, contextualização e reflexão. Ele não sabe estruturar e produzir textos, menos ainda, argumentar. Sozinho, o jovem vai ter dificuldades para superar essas limitações. A interação família-escola-meios de comunicação pode ser uma saída para superar o problema.
Candidatos que participaram do vestibular de junho da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC) tiveram que estruturar a redação respondendo: ‘‘Para você, que se prepara para uma profissão: 1ª Como será o profissional do futuro?, 2ª Como se pode entender talento e criatividade como marcas do novo profissional?’’
Lamentavelmente, os vestibulandos, em sua maioria, não souberam estabelecer um perfil para o profissional do futuro, mas se limitaram a reproduzir qualidades, como talento, criatividade, atualização. Repetiram palavras desconectadas, como globalização, informatização, terceirização, avanço tecnológico. Basicamente, eles parafrasearam e transcreveram parte do testo de apoio.
- JANETE FERRON E JAYME BUENO, professores de Letras da PUC-PR, Curitiba

Engano

Enganei-me ou fui enganado? Essa é a pergunta que me faço sempre quando fico horas esperando atendimento em alguma Unidade Básica de Saúde (UBS), quando procuro um emprego e sempre recebo um não, quando me decepciono com o nível de aprendizado do meu colégio público e até mesmo quando vejo a Seleção Brasileira de Futebol ‘‘jogar’’.
A resposta demora a vir, mas vem. Fui enganado quando acreditei nas ladainhas eleitorais, apesar de não ter tido idade para votar nas últimas eleições, acreditei nas milagrosas alternativas para os problemas sociais, que partiam dos candidatos que hoje são governo, e enganei-me quando deduzi que a Seleção Brasileira de Futebol era a melhor do mundo.
Mas agora a coisa será diferente porque agora eu vou poder votar e não vou me enganar e muito menos ser enganado. Nunca mais vou acreditar em algum técnico pelego que vier com a seguinte frase: ‘‘Eu sou o bom.’’
- ANDRÉ GUIMARÃES, estudante, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação.
E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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