O LEITOR ESCREVE
Celular (1)
Tenho visto que depois que foi criado o legítimo Movimento Pelo Não à Venda da Sercomtel Celular, houve reação por parte de alguns setores da imprensa, à heterogeneidade da formação do grupo. A presença de Padre Manuel Joaquim ao lado de Barbosa Neto, ou de outros líderes, foi imediatamente motivo de comentários, no mínimo maldosos. A cidade inteira conhece o padre e sabe que acima de tudo ele tem tomado atitudes de coerência, dignas de total apreço. Desafeto do prefeito? Eu prefiro achar que ele está sim desiludido, como uma boa parcela da população que lhe deu o voto.
A venda da Sercomtel Celular vai reunir, com certeza, gente de disparidades ideológicas e currículos diferente, pois o assunto é de interesse de todos nós cidadãos londrinenses. O que eu penso é que a imprensa também deveria estar se preocupando e comentando, o que faz um prefeito do PT ao lado da privatização, abraçado a setores conservadores da sociedade que nunca estiveram com ele em momento algum.
Nesse momento crucial da história da cidade, é função da imprensa colaborar para o esclarecimento da população e não prejulgar os que com determinação tomam posicionamento arrojados. O padre Manuel saiu a campo, levantando uma bandeira que representa milhares de cidadãos e que muito contribui para o debate democrático em torno de um assunto tão caro para a nossa cidade. Se está ao lado de gente que já criticou no passado, é bem relativo no momento.
A lógica dos argumentos a favor da empresa é tão singela, que acaba por si levantando dúvidas e questionamentos. É o que tem de mais salutar numa sociedade que engatinha rumo à democracia. O belíssimo exemplo de maturidade em termos de cidadania e democracia. Compete à imprensa facilitar a compreensão dos dois lados envolvidos na disputa.
- JOSÉ AUGUSTO CORDEIRO DE SOUZA JÚNIOR, supervisor de vendas, Londrina
Celular (2)
Os últimos seis meses marcam a administração do prefeito Nedson Micheleti e mais uma vez, mostram que o PT, apesar de se um partido de intelectuais como economistas, historiadores, filósofos, cientistas políticos etc, mergulha no ápice da globalização. Ou seja, na entrega do patrimônio público, sem sequer tentar apresentar um projeto, visando resgatar a Sercomtel Celular, pautado nas normas econômicas voltado para o mercado e o mundo da competitividade.
Em vez disso, Nedson prefere seguir a bandeira do ex-prefeito Luiz Eduardo Cheida, ou seja, a venda da Sercomtel. Pelo menos esse preservou o domínio majoritário das ações, apesar do ex-prefeito cassado Antonio Belinati concluir a venda e, por falta de escrúpulo, de vergonha, caráter e lealdade com o povo londrinense, usurpou o dinheiro.
Só que dessa vez, o prefeito alega que a Celular não tem condições de competir no mercado com a chegada da TIM Celular. O que mais impressiona é que um partido cheio de intelectuais não tenha condições de apresentar um projeto com soluções eficientes visando o crescimento econômico da empresa e afaste de vez o horror da globalização, como dizia Milton Santos. Em vez de enfrentar o mundo competitivo, recua e ainda conclama o povo a abraçar essa bandeira da não venda da Copel, com slogans a Copel é nossa, como se a Sercomtel não fosse.
Como posso abraçar essa bandeira sem nem luta tivemos? Nedson, ser sério não é nenhuma virtude, é obrigação. Ser competente, ter ousadia e criatividade, tudo isso mais transparência, são na realidade ingredientes que levam o homem à virtude.
- JOSÉ BERTINO FILHO, universitário, Londrina
Fiscalização
Parabenizamos a Folha pela reportagem Procon lança campanha da nota fiscal (da repórter Cláudia Lopes, publicada na quarta-feira), mas gostaríamos que todos os setores de fiscalização do governo pelo menos dessem uma olhada no relatório da CPI dos Combustíveis, e vissem que o problema de sonegação parte das pequenas distribuidoras.
Hoje temos postos que estão vendendo o produto bem mais barato do que Londrina, mas gostaríamos de entender o porquê disto, pois em nosso posto, para se receber um litro de álcool hidratado, pagamos o equivalente a R$ 0,8278 e a gasolina comum R$ 1,5250 de uma grande distribuidora, e conseguimos encontrar em uma rede de postos da região, que não ostenta nenhuma bandeira, vendendo o álcool a R$ 0,59 e gasolina a R$ 1,56. Em conversa que temos com o proprietário desta rede, Valmor Menegatti, ele sempre nos mostra que está comprando da Águia Distribuidora, empresa que no relatório da CPI dos Combustíveis recebeu uma autuação de ICMS no valor de R$ 4.336.815,08.
Não estamos aqui para determinar preço, já que ele é colocado em todas as notas fiscais. Como base para recolhimento do ICMS no Paraná, o álcool a R$ 1,0382 e a gasolina a R$ 1,8381. Mas cada posto, que recolhe todos os tributos municipais, estaduais e federais, tem que ter pelo menos R$ 0,22 de lucro bruto. Está provado em qualquer planilha de custo de um posto revendedor.
Estamos também tendo que providenciar todos os requisitos para recebermos uma licença do Ibama e continuarmos a operar um posto revendedor, mas achamos estranho que em uma cidade como Apucarana, o proprietário de posto tenha conseguido instalar um posto a menos de 250 metros de um viaduto, e toda a estrutura sendo colocada em um aterro que não possui nem galerias de águas pluviais e nem esgoto.
Espero que alguém consiga elucidar estes fatos, pois com 28 anos no segmento, conhecendo todos os pormenores deste setor, acho muito difícil se conseguir alguma coisa desta maneira, trabalhando honestamente.
- KENNEDY JOÃO MEZZAROBA, proprietário de posto de combustíveis, Maringá
Educação
A secretária de Educação, Alcyone Saliba, considerou desrespeitosa a ação da APP-Sindicato, que no último domingo, impediu-a de encerrar o 1º Seminário Regional de Pais de Alunos e Diretores de Escolas. Ora! Se ela considera que uma manifestação onde professores, funcionários e estudantes reivindicam melhores condições educacionais, e que estão há um bom tempo sofrendo com ingerências de seguidas administrações públicas (principalmente da atual), possa impedi-la de participar de qualquer seminário, palestra, ou alguma outra atividade, ela se demonstra incapaz de exercer um cargo público, sendo que num país democrático como o nosso, todo e qualquer administrador público pode ser questionado por suas atitudes, no decorrer de suas funções.
Infelizmente essa não é a opinião do atual governo, talvez pelo fato de o governador Jaime Lerner ter iniciado suas funções como administrador público na época de chumbo que nosso País atravessou e mostre-se saudoso, pois seus atos por si só já o condenam.
O que eu considero desrespeito com a maioria dos paranaenses é que a secretária feche salas de aula, corte investimentos de escolas especiais (Apaes), não remunere os professores e funcionários devidamente, desconsidere que dentro das salas de aula estão pessoas que tentam a duras penas obter condições de se tornarem cidadãos de fato dentro da sociedade.
Gostaria de sugerir a nossa secretária que se desligue do cargo, para que ela não sofra mais nenhum constrangimento, como o ocorrido no último domingo em Londrina. Com certeza ela não deixará saudade nenhuma a todos os paranaenses de bem.
- ADRIANO LOZADO, secretário-geral da União Paranaense de Estudantes Secundaristas - UPES, Londrina
Correção - A foto da visita de Luiz Inácio Lula da Silva ao Paraná publicada na capa da Folha, na edição de anteontem, foi identificada equivocadamente como sendo de Guarapuava. Na realidade, a foto foi feita em Pinhão, no encontro de Lula com pequenos produtores rurais durante a Caravana da Agricultora Familiar.
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