Direitos

Na reportagem publicada na Folha no dia 31, meu nome é citado por ter sido alvo de ataques no programa de rádio do único prefeito cassado de Londrina. De início gostaria de lembrar a Declaração dos Direitos da Criança, aprovada pelas Nações Unidas em 20 de novembro de 1959, cujo artigo 9º diz ‘‘a criança deve ser protegida contra todas as formas de abandono, crueldade, exploração. Não deve ser submetida a nenhum tipo de tráfico’’. Infelizmente, a maioria dos governantes, em todo o mundo, não priorizam esse direito fundamental.
No caso de Londrina, a história recente mostrou que sob o manto de cordeiro e utilizando-se de um marketing populista sem limites, escondia-se um administrador que consumiu com milhões do pagamento honesto de nossos impostos.
Com certeza, parte desses recursos poderiam ter sido utilizados na proteção de muitas crianças que hoje fazem parte dos 50 mil miseráveis da nossa cidade. Mas a ganância de poder é ilimitada e as lições de Maquiavel são aprendidas e aplicadas calculadamente, mesmo que para parecer o pai dos pobres, seja necessário desfilar para câmeras com ‘‘crianças ranhentas’’ no colo e até beijá-las, como Judas beijou Cristo. Crianças essas que choram por alimento, amor, escola, creche, agasalho, saúde, moradia e segurança.
É dessa falta de tudo que se alimentam os vampiros do poder e que são endeusados e idolatrados por suas próprias vítimas. As crianças ranhentas e desprotegidas podem ter uma certeza: a de que muitos estão lutando honestamente contra os falsos pais que, para seus filhos acumulam ilicitamente carrões importados, gôndolas de vinhos raros, apartamentos, jóias e propriedades luxuosas e que, são capazes ainda, de lhes proporcionar com dinheiro do povo, carreiras políticas lucrativas.
- PAULO ROBERTO DE LIMA, sindicalista, Londrina

Polícias

Debate-se hoje a política no Brasil com a grave crise que afeta as nossas instituições policiais. Prejudicam o equacionamento adequado do problema os tradicionais vícios que sempre têm atingido o nosso fraco desempenho público: a despreocupação quanto ao futuro e a falta de vontade política para resolvê-los (conservadorismo das elites).
Trata-se aparentemente de problemas salariais, que teriam solução se os governos se dispusessem a melhorá-los, pois as distorções são muito grandes. Não obstante, algumas medidas corajosas poderiam ser implementadas, visando ao aperfeiçoamento geral do sistema policial.
Vejamos: 1) Uma modificação (inteligente) da Constituição Federal, dando maior autonomia ao princípio federativo, permitindo com isso que os Estados possam moldar o seu sistema policial mais de acordo com as características regionais; 2) Inserção na Constituição Federal de apenas alguns princípios orientadores dessa descentralização, preservando os interesses nacionais de segurança e ordem pública; 3) Desmilitarização progressiva das PMs, sem perder as características de ostensividade fardada, disciplina e hierarquia; 4) A despolitização dos quartéis passa pela supressão do direito de voto para soldados e cabos das polícias militares, quando na ativa.
E mais: 5) Estabelecimento de um piso nacional mínimo de salário para os policiais, com subsídios federais para aqueles Estados que não puderem arcar; 6) Concessão aos municípios para que também participem na política de sua segurança, incentivando a municipalização da polícia; 7) Medidas administrativas efetivas que possam permitir maior integração entre policiais civis e militares.
E ainda: 8) Consideração da segurança dos presídios como problema de natureza policial, com a formação especializada de agentes, dentro das academias policiais; e 9) Unificação da formação de policiais civis e militares em uma mesma academia, permitindo assim uma maior integração funcional e operacional.
As soluções não são assim tão difíceis, se houvesse, por parte dos governantes, aquela vontade política decisiva, a única capaz de poder contribuir para que os destinos do País pudessem ser outros, diferentes daqueles que estamos acostumados a constatar.
- ANTÔNIO CELSO MENDES, professor universitário e coronel da reserva da PMPR, Curitiba

Agricultura

No dia 28 de julho, foi comemorado o Dia do Agricultor. O agricultor coloca o alimento, a carne e outros derivados produzidos no campo, na mesa da população urbana. Agricultor que luta, que trabalha de sol a sol, para produção de produtos para exportação, para trazer divisas a esse País. Agricultor que comercializa seus produtos em real e adquire seus insumos agrícolas em dólar. Quando compra não estipula preços – quando vende também não.
Sou agricultor, no interior do Paraná. No dia 29, na coluna Informe Folha, deparei com as quatro notas: Trem 1, Trem 2, Trem 3 e Trem 4. ‘‘Parlamentares do Estado do Paraná, com viagem marcada para Europa, com 15 dias de descanso’’, até aqui tudo bem. Trem 2: ‘‘Essa viagem de duas semanas, será patrocinada pela Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP) e está marcada para o dia 18 de agosto.’’ No Trem 4, o motivo dessa viagem para a Faep é bancar os custos do tour dos deputados do Paraná foi a aprovação recente, no final de junho passado de uma lei de incentivo à agroindústria.
Sou agricultor, pago meus impostos, mas o incentivo da agroindústria não precisa de viagem de agradecimento para Europa. Façam nossos deputados conhecerem o seu próprio Estado, rico em todos os setores, que conheçam a situação dos sem-terra, da agricultura familiar, dos médios e grandes produtores.
Enquanto meus deputados estarão viajando para Europa, com custos pagos pela Faep, estou sendo executado. Eu e outros agricultores da região de Cornélio Procópio, pelo não-pagamento das taxas do CNA, Faep e sindicatos. A Faep executa pequeno, médio e grande agricultor e depois banca viagem à Europa.
Nunca um representante da Faep esteve em minha casa solicitando para que eu e outros nos filiássemos ao sindicato rural, mas sabe remeter uma cobrança bancária, para ‘‘cobrar’’ ou para ‘‘bancar’’ viagem de seus membros e deputados. Sou agricultor com muito orgulho. Quero o respeito que a minha profissão merece. Não me façam de palhaço.
Faep: reveja essas execuções e outras, não banque viagem com o dinheiro dos agricultores, busque alternativas para que o agricultor tenha orgulho do seu sindicato, da sua federação. Não participe da corrupção e de outras falcatruas em cima dos agricultores.
- SÉRGIO MUNHOZ, agricultor, Santa Cecília do Pavão

Saúde

O Departamento de Saúde Municipal de Curitiba peca em muito no atendimento de emergência nos postinhos 24 horas. Na semana passada, levei minha mãe ao 24 Horas da Fazendinha e tivemos um atendimento moroso. O médico parece trabalhar sem vontade. Mandaram-na para o Hospital Evangélico, cederam ambulância só para levar. Para conduzir para casa é por conta e risco dos familiares. Esse é o sistema de sa© úde solidário?
- CÉLIO BORBA, Curitiba
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação.
E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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