O LEITOR ESCREVE
Celular (1)
Diz-se que uma decisão é contrafactual quando ela contraria a experiência. Empresas ineficientes no passado atuam contrafactualmente no presente. No processo de tal atuação, a aprendizagem com a experiência é lenta. Nelas vemos os quelônios da empresa pública desconsiderarem o passado, como se este não afetasse futuras ações. A experiência é transferida de forma desorganizada e morosa aos participantes de tais empresas. Fatores políticos tendenciosos nas designações periódicas de diretores e gerentes destroem a acumulação da experiência administrativa adquirida.
Diretores e gerentes, temerosos de tomarem decisões erradas, imaginam ou arquitetam suas experiências, como fazem pilotos de avião, que não podem aprender com a experiência de uma queda. Mas, aprender com uma experiência imaginada é contrafactual. Frequentemente, tal tipo de aprendizagem gera resultados inesperados, danosos ou negativos em seus impactos sobre os participantes e clientes. Sem experiência fatual, a chance de errar é maior.
Para justificar, eleitores no plebiscito (da Sercomtel Celular, de Londrina) farão comparações supra e infra, segundo suas percepções da realidade. As comparações contrafatuais infra (os resultados poderiam ser piores) melhoram as avaliações afetivas dos consumidores da decisão errada. Por outro lado, as comparações contrafatuais supra (os resultados poderiam ser melhores) levam os consumidores a ficarem infelizes mesmo com a decisão certa.
Mais ganham os promotores da venda da Sercomtel Celular fazendo comparações contrafactuais infra que comparações supra. Todavia, tanto para os dirigentes quanto para o usuário afetado pelos resultados da decisão errada, as comparações contrafatuais infra nada ensinarão. Pois estas apenas identificarão o que não fazer no futuro. A perda da oportunidade de ganhar já terá ocorrido. As comparações contrafactuais infra apenas previnem perdas, sem promover ganhos. É o caso de decisão favorável à venda da Celular.
As comparações contrafactuais supra requerem um processamento cognitivo mais complexo do evento. Naturalmente, o eleitor no plebiscito não o possuirá. Não tendo experiência com os fatores da decisão (daí ser contrafactual) o eleitor terá que votar sem conhecimento dos fatores do contexto. Então, em que se hasteará o voto no plebiscito? Na emoção. Embora legal, o plebiscito aprovado é uma medida demagoga. Alguns pilatos do processo querem poder lavar as mãos, após ter o povo tomado a decisão errada.
- ALEXANDRE DO ESPÍRITO SANTO, Londrina
Celular (2)
Inegavelmente a democracia dá liberdade de escolha e não permite que a minoria resolva as questões sociais. Há momentos no desenrolar da história que é indispensável o plebiscito. As deliberações plebiscitárias são bem-vindas e espelham a vontade da maioria. Se o povo às vezes erra em suas escolhas é outra história. Depois de tanta polêmica, a democracia falou mais alto e todos são chamados à responsabilidade: decisão na cabeça. Será que digo sim ou não?
Lembrando do plebiscito de 1963: parlamentarismo ou presidencialismo? O Brasil vivia em turbulência e os cidadãos foram convocados para decidir nas urnas, qual seria o melhor regime político. O povo escolheu o presidencialismo, dizendo sim!
Transcorridos tantos anos, somos chamados à responsabilidade: vender ou não a Sercomtel Celular? No início houve uma orquestração como se nem precisasse fazer a consulta popular, haja vista a facilidade que foi na venda da Sercomtel fixa. Como num conto de fadas, houve a fabulosa venda, em seguida um forte vendaval, e num piscar de olhos, os milhões sumiram, destinos complexos maquiaram perfeitamente suas ações e jamais esses valores voltarão aos cofres públicos. Com essa conscientização parece que as coisas mudaram. O londrinense é sabedor disso.
O que o povo não entende: por que querem desesperadamente vender a Sercomtel Celular e não vender por dinheiro nenhum a Copel? Esclareçam abertamente o que se fará com os milhões da pretensa venda. O povo não consegue entender tanta incoerência: campanha acirrada para não vender a Copel, ao passo que desesperadamente quer vender a Sercomtel Celular.
Cada um vê as coisas como lhe parecem. Vender ou não, eis a questão! Não basta dizer que se não vender a Sercomtel Celular, que tem pequena abrangência no universo Londrina/Tamarana e que pode ser abocanhada pela concorrência e não poderá competir e se desvalorizará. Cadê as explicações claras e objetivas da administração municipal? Os administradores precisam sair de seus gabinetes e nesses dias que antecedem o plebiscito (no dia 19), vir a público, principalmente nos bairros, dando palestras em linguagem popular para esclarecer a venda da Sercomtel Celular.
- OSVALDO CARDOSO RIBEIRO, professor, Londrina
Repúdio
A Ferapamelon repudia veementemente a invasão promovida pela APP-Sindicato, no 1º Seminário de Pais de Alunos e Diretores de Escolas, realizado no dia 29, em Londrina. Com o objetivo de conturbar o ambiente, proferindo ameaças e jargões ideológicos, a APP-Sindicato mostrou sua face autoritária e antidemocrática, recusando o diálogo.
Agindo dessa forma, a APP-Sindicato deixou bem claro que seus interesses políticos partidários sobrepõem-se ao interesse público da educação, demonstrando que não está qualificada para representar a sociedade civil no Estado de Direito.
A Ferapamelon não vai tolerar que atos de baderna prejudiquem sua atuação independente e suprapartidária em defesa da educação em interromper seu produtivo diálogo com a Secretaria Estadual de Educação. Reconhecemos o bom trabalho desenvolvido pela secretária Alcyone Saliba e entendemos que qualquer discordância quanto à forma de realização da eleição para diretores de escola deve ser manifestada de maneira civilizada e no foro adequado.
- JOÃO BORGES, presidente da Federação das Associações de Pais e Mestres de Londrina e Região
Aids
Que notícia extraordinária a Folha publicou na edição do dia 31, num cantinho da página 10: a Igreja Católica da África do Sul como um todo e, pasmem, o poderoso George W. Bush defendendo a abstinência sexual, principalmente antes do casamento, como único método realmente eficaz para combater a Aids e sua disseminação e, mais do que isso, o meio seguro para evitar gravidez não desejada. Partindo de duas extraordinárias vozes com força poderosa em todo o mundo, como a Igreja Católica e o presidente da maior nação contemporânea, tais declarações deveriam merecer muito mais destaque.
O que chama a atenção é a advertência feita contra o uso de preservativos. Divulgar que se pode praticar sexo indiscrimadamente como supõe a propaganda, é o caminho da vulgarização de um ato que deveria ser sublime. A união de um casal constitui a base da família e essa a base da sociedade.
Bush deixou clara sua convicção de que o único método legítimo para evitar a gravidez não desejada, e para combater a propagação das doenças sexuais é a abstinência. Em ambos os casos se declara que essa abstinência é antes do casamento o que, com certeza, tornaria a união mais afetiva, mas segura e mais duradoura, com reflexos altamente positivos nas famílias.
- EDGAR BAER, advogado, Londrina
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