Telecidadão
Quando a questão é superficial, interessa ao governo Jaime Lerner? Sim, e a prova disso foi a ligação que recebi na semana passada, originária do Telecidadão, na qual uma voz feminina perguntava, entre minha idade e escolaridade, se a pilcha gaúcha poderia representar a indumentária oficial do Paraná.
Francamente! Gastar o dinheiro com banalidades não! Aceitam uma sugestão? Façam as seguintes perguntas aos cidadãos paranaenses: 1. Pode o funcionalismo público sobreviver, há seis anos, sem aumento? 2. Como está, sem um plano de saúde, sem o IPE? 3. Qual a sua opinião sobre o decreto 4313/01, imposto pelo governo, que trata da eleição de diretores de escola? Essa ‘‘seleção de diretores’’, ou o projeto de lei 332/00, de eleições diretas para diretores, apresentado pela APP-Sindicato e construído pela categoria e tramitando na Assembléia Legislativa? 4. Os deputados devem rejeitar o projeto 411/00 que acaba com o regime estatutário, ou seja, que não haja mais concursos públicos e que todo funcionário seja contratado pela CLT? 5. Acha legal o governo demorar quase um ano para pagar 1/3 de férias ao funcionalismo, ainda que, esses ganharam liminar? 6. A escola precisa alugar os espaços do prédio e, consequentemente, se esconder atrás de gigantes outdoors de propagandas comerciais? 7. O governador deve vender uma empresa que dá lucro como a Copel? Haveria mais questionamentos, mas preciso voltar ao assunto da pesquisa governamental que me deixou indignada.
Diante da provocante invasão domiciliar, respondi que a vestimenta que melhor representaria o Paraná seria aquela em que os políticos pudessem adotar urgentemente: a roupagem da vergonha. Vergonha por desviar nossa atenção com essas superficialidades, enquanto mandam e desmandam.
Cabe muito bem a citação de Jean Paul Gondi, publicada na Folha Gente no dia 19: ‘‘Quando os que mandam perdem a vergonha, os que obedecem perdem o respeito.’’
- EDNA TEREZA PIVETTA, professora, Londrina
Direitos constitucionais
‘‘A constituição foi malfeita e eu vou continuar senador para reformá-la.’’ Foram essas as palavras de um ex-governador, ex-senador e ex-prefeito de Londrina, ao recusar a disputa pelo governo do Estado nas eleições de 1990.
Pois foi nessa constituição malfeita que inventou-se uma nova maneira de extorquir, ainda mais, o povo brasileiro. Tratava-se do termo ‘‘esforço de constituinte’’. Baseado nisso nossos esforçados políticos engordaram seus polpudos salários e deu no que deu.
Fizeram uma cópia melhorada da Constituição de 1937, popularmente conhecida como ‘‘polaca’’, acrescentaram algumas coisinhas suprimidas pela emenda constitucional nº 1 de 1969, que alterou profundamente a Constituição de 1967 e por aí afora.
O grande desgosto, para as pessoas de bem, e para imenso deleite de marginais e, por que não, para eles próprios políticos, foi a enorme garantia aos direitos individuais.
Esqueceram-se todos eles, embora fossem muito bem pagos, que para cada direito – individual ou coletivo – há uma obrigação. Há o direito de manifestação pública, não importa se está incomodando a coletividade. Há o direito de violar, escandalosamente, a lei e considerar-se ‘‘inocente’’ até que seja provada a culpa. Há o direito de ‘‘inventar taxas, tarifas e impostos’’ sem maiores explicações. Há também o direito de lhe cortarem a energia elétrica se não for economizado cerca de 20% do que era consumido em igual período, no ano passado. Sim senhor. Isso é que é democracia.
E, para valer essa medida democrática, a grande maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal – não cabe nenhum recurso – declararam ser legal a medida provisória do governo federal.
Com tanto direito assegurado na Constituição, será que eu posso ver as faturas de energia elétrica dos ministros que votaram favoravelmente à declaração de constitucionalidade da medida provisória?
Ou para isso eu só tenho a obrigação de economizar – de qualquer maneira – para poder permanecerem ligados os aparelhos de ar condicionado da capital federal? Que país é esse? Eu gostaria muito de saber.
- TADEU STULZER, advogado, Londrina
Armas
Começa novamente, logo após o recesso do Congresso, a tentativa dos nossos governantes em desarmar os cidadãos, cercado de hipocrisia e escondendo consequências ainda não percebidas pela população geral. Essa lei abre as portas para que hajam outras leis visando insegurança.
Nosso inconsequente governo tenta solucionar doenças com remédios ineficazes. Todos sabem que a população armada se garante todas as vezes em que nossa ‘‘polícia’’ não nos pode oferecer segurança. Ter uma arma pode ser a diferença entre viver e morrer, mas nossos líderes vêem por outro ângulo essa questão.
É hora sim, de desarmarmos nossos políticos de suas confortáveis ‘‘poltronas de alta capacidade’’, de suas ‘‘canetas calibre 9 mm’’, que tanto mal causam à sociedade, esses sim, aos quais as leis nunca se aplicam, são os verdadeiros culpados pela miséria que assola o País, a pobreza e a falta de perspectiva que estimulam a criminosidade. Não são armas de posse de civis devidamente documentadas, responsáveis pelas diferenças sociais aqui existentes.
O tempo agora é de refletirmos antes de ‘‘proibir’’, pois estamos abrindo mão de nosso maior bem, a ‘‘liberdade’’. Um bem de valor inestimável, que nós e nossos filhos não devemos de forma alguma perder.
A violência nunca esteve em uma faca, revólver ou pedaço de pau, mas sim na pessoa que, em sua maioria, por fatores externos, é levada a cometer crimes, fatores diretamente relacionados com essa corja corrupta que nos governa, e ainda se acha no direito de dizer o que é melhor para nós.
Chega de mesmice. Precisamos de uma nova arma contra esses ‘‘seres eleitos pelo povo’’, e a princípio tal arma é o direito de voto facultativo, um bom modo do povo demonstrar sua insatisfação com essa encenação de governo.
Vamos sair do coronelismo que ainda paira sobre nós, para entrarmos no século XXI, só assim poderemos dizer a esses ilustres imunes que não concordamos com seu modo absurdo e irresponsável de nos governar.
- FÁBIO POMIN LIBERADO, Londrina
Argentina
O projeto de déficit zero na Argentina, proposto pelo ministro Domingos Cavallo, levou a um corte de 13% nos salários dos servidores públicos, que foi rejeitado em parte pelo Congresso. Por decisão política o corte atingiu apenas salários e aposentadorias superiores a mil dólares.
A mídia estampou o acontecimento em todos os jornais de grande circulação no Brasil, salientando que o povo argentino está sofrendo uma crise sem precedente. Quero dizer que aqui o funcionalismo está há sete anos sem nenhum reajuste, o câmbio é livre e a inflação atinge, no período, índice superior a 76%. Além do que, o governo brasileiro quebrou a paridade entre ativos e inativos prevista na Constituição Federal, por uma simples medida provisória.
Se considerarmos a desvalorização cambial, e a inflação, o servidor brasileiro encontra-se bem mais penalizado do que os argentinos. Contudo a dívida pública aumentou demasiadamente e o déficit na balança comercial continua sendo um grande problema.
- JOÃO AMBRÓSIO DE OLIVEIRA, Londrina
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