Reforma agrária
Os movimentos sociais, ao contrário do que as elites pressupõem, não são fruto de lideranças ideológicas ou subversivas. São consequência da exclusão socioeconômica, à qual, expressiva parcela da população está submetida. O MST é um dos poucos que conseguiram resistir à ofensiva montada pelo governo FHC, para desmoralizar e desmontar organizações trabalhistas e sindicais, em prol da expansão do liberalismo econômico ocorrido em sua gestão.
A mecanização da agricultura, a implantação do Pró-Álcool nos anos 70 e a falta de incentivos ao pequeno agricultor, fizeram com que os pequenos proprietários rurais perdessem suas terras e engrossassem os contingentes de trabalhadores sem-terra e os desempregados nas periferias das grandes cidades.
Dados do próprio Ministério da Agricultura revelam a existência de mais de 100 milhões de hectares de terras devolutas, ou seja, terras pertencentes à União ou aos Estados, griladas por latifundiários inescrupulosos, as quais poderiam amenizar ou resolver parte dos problemas ligados ao campo.
Lamentavelmente, isso não é prioridade na visão do atual governo, que se tem dedicado apenas e tão-somente a consolidação da política voltada ao sistema financeiro e especulativo.
A reforma agrária é imprescindível para o desenvolvimento agrícola no Brasil. Se não me engano, é o único país na face da Terra, com vasta extensão de terras ecúmenas, que ainda não fez reforma agrária. O acúmulo de terras em mãos de poucos e a gigantesca população de campesinos sem-terra, impedirão a paz no campo e consequentemente a prosperidade de um sistema agrícola forte e dinâmico.
Enganam-se os conservadores que defendem a repressão aos trabalhadores. Enquanto houver fome e excluídos, a violência imperará e não haverá polícia que dê jeito.
- SEBASTIÃO BERNABÉ ALVIM, Londrina
Senado
‘‘Batata quente.’’ Esta é a melhor expressão que define a atual situação de um dos cargos mais cobiçados do País até então, a presidência do Senado. Esta que até pouco tempo era a glória e o topo de nossos parlamentares, agora parece que virou o bicho-papão dos nossos políticos, pois devido à renúncia de ACM e Arruda, e as investigações em Jader Barbalho, os nossos representantes estão com um pouco de receio de disputar o cargo de presidente da Casa. Com certeza muitos deles têm medo de entrarem na mídia nacional, e de serem investigados a fundo como foram os senadores citados. Com certeza não querem correr este risco, pois a verdade pode aparecer.
Para traduzir bem a atual situação, após a licença de Jader, o senador Edison Lobão fez questão de frisar que estava ocupando apenas interinamente o cargo, e que não tinha nenhuma pretensão de permanecer nele. Tais fatos nos fazem refletir bem sobre o nosso quadro de representantes no Congresso, onde infelizmente encontramos alguns do supervilões da política brasileira, representantes do povo, que têm medo de assumir cargo de suma importância, pois podem ter sigilos quebrados, podem ter seu passado redescoberto, podendo assim vir a entrar na história não como bons políticos, mas sim como ladrões do tesouro público.
Mas, dentre todos estes acontecimentos, um fator positivo nos chama a atenção: uma parcela de nossos representantes está buscando a fundo, para desvendar as falcatruas de seus supostos colegas de casa, deixando de existir, como antigamente, o pacto do silêncio. Por esse pacto, nossos corruptos políticos deitavam e rolavam, usando e abusando de falcatruas e roubo de dinheiro público.
Por essas razões é que o povo deve ter a cada dia a consciência do voto, pois com certeza os eleitores desses maus políticos se sentem envergonhados de terem perdido o seu voto, servindo de lição para que nas eleições do próximo ano, cada um possa se conscientizar de votar pela dignidade, e principalmente pelo caráter de nossos futuros candidatos.
- FRANCISCO ANTONIO BONI, universitário, Santa Cruz de Monte Castelo
Futebol
Analogicamente à problemática do vexame do futebol brasileiro, poderíamos dizer que seus iluminados administradores estão ‘‘usando aspirina para curar um câncer’’. Há o que muito bebe e padece de cirrose hepática, o que fuma excessivamente e anda com enfisema, e com o futebol não poderia ser diferente. Maltrataram a bola, cartolas envolvidos em fraudes, muitas vezes misturando os negócios destas entidades em negociatas escusas, fiscalizados pela Receita e em CPIs ‘‘Pizzaiolescas’’, escândalos financeiros, convocações pelo critério político, sem falar nos ‘‘gatos’’, empresários, bingos, passaportes falsos, doping, dos privilégios e da ‘‘oligarquia’’ da mídia televisiva e das agências de marketing, calendário. E o resultado é esse que estamos vendo aí, sucessivos fracassos da Seleção.
No caso da Seleção, ainda não atentaram que nenhum técnico, jogador ou esquema tático em nada vai mudar o estado de depressão moral e técnica que se encontra o esporte que um dia já foi a paixão nacional. Deve acontecer uma reformulação completa no futebol, começando com a intervenção do Ministério dos Esportes na CBF e nas federações, e a consequente destituição do poder de toda a cúpula, presidentes, vices, diretoria da CBF e das federações, a nomeação de interventores para auditar as contas, apurar responsabilidades, e encaminhar ao Ministério Público para que possam tomar as providências necessárias, processar e punir os responsáveis, além da eleição de novos nomes para ocupar esses cargos, depois da devassa.
Aliado a isso, é necessária uma rápida intervenção do Congresso no sentido de se reformular toda a legislação, proibindo, por exemplo, que cartolas se reelejam mais de uma vez, limitando seu campo de atuação através da prestação de contas contínua e realização de auditorias nas contas das entidades, além da criação de mecanismos de fiscalização pelo Ministério Público Estadual e Federal.
Talvez esse venha a ser um remédio amargo e que revolucionaria toda a estrutura do futebol brasileiro, mas certamente é o único caminho para que possamos novamente ter de volta o futebol alegre, limpo e vencedor de outrora, antes que seja tarde demais. A propósito: salve Guga!
- FÁBIO CHAGAS THEOPHILO, advogado, Londrina, através do site da Folha, no portal www.bonde.com.br
Correção
- Na notícia ‘‘Interbrasil vai operar com Boeing 737-300 em Maringᒒ, na página 2 de Folha Economia, Boeing foi grafado sem a letra E. A Folha pede desculpas aos leitores.
- No título ‘‘Presidente da Cesp diz que tarifa deve disparar em 2002’’, também da página 2 de Folha Economia, Cesp foi grafada de forma errada.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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