O LEITOR ESCREVE
Sercomtel Celular (1)
A venda de 45% das ações da Sercomtel Celular para a Copel pode ser avaliada como a pior estratégia de todos os tempos na administração pública de Londrina, pois em momento algum atingiu seus objetivos. Talvez a parceria com uma outra empresa no ramo da telefonia teria sido a melhor forma de colocá-la novamente como uma das mais conceituadas empresas de telefonia do País, como é e tem sido ao longo do tempo.
Vender a Sercomtel Celular a toque de caixa cria uma expectativa muito grande sobre seu valor. Comenta-se que daqui alguns meses a Sercomtel Celular não vai ter o mesmo valor de hoje. Será?
No mercado de valores, espera-se sempre o melhor momento para negociar. Bons investidores atuantes no mercado da telefonia celular, e diante das expectativa sobre o real valor da empresa, deverão esperar o momento certo para fazerem suas ofertas, e talvez adquirir por uma bagatela, o que hoje é considerado um dos maiores patrimônio do município. Portanto, todo o processo envolvendo a Sercomtel deverá ser feito da melhor forma possível evitando assim a sequência de erros de administradores passados.
Na reportagem publicada na Folha na sexta-feira, o prefeito (Nedson Micheleti, PT) demonstra sua preocupação com a total falta de conhecimento da população sobre a necessidade da privatização da Sercomtel Celular, o que nos leva a crer que muito tempo se perdeu discutindo o assunto dentro de gabinetes.
A queda-de-braço entre o Executivo e o Legislativo sobre a aprovação do plebiscito é demonstração clara que a população de Londrina ficou em segundo plano. Cabe agora aos nossos governantes esclarecer o mais rápido possível a população sobre a necessidade da venda da Sercomtel Celular. Queremos crer que ainda há tempo hábil para esses esclarecimentos.
- WILHIANS PEREIRA CARDOSO, administrador e funcionário público municipal, Londrina, através do site da Folha, no portal www.bonde.com.br
Combustíveis
Que o preço dos combustíveis em Londrina é abusivamente alto, é evidente. Que existe um cartel por trás disso, não é nenhuma novidade, mas o que me questiono é onde está o Ministério Público ou seus representantes que no passado se mostraram atuantes e agora parecem não ver o que acontece aqui.
Alguns dias atrás, ao abastecer meu carro, questionei o frentista do posto por que os preços dos combustíveis eram tão parecidos ele me respondeu sem a menor vergonha ou culpa: Por causa do cartel.
Só não vê quem não quer, e quem justamente não quer ver são as autoridades que no passado lutaram contra isso. Onde está aquele promotor que várias vezes lutou por nós consumidores contra esses aumentos abusivos?
Para justificar os aumentos, os proprietários de postos usam como desculpa o fim de promoções nas distribuidoras, que o custo dos combustíveis é alto, que gasolina barata é sinônimo de adulteração ou de sonegação fiscal, e outras desculpas mais.
Cada vez que vejo uma dessas desculpas tenho vontade de rir porque parece piada, ou então estão subestimando nossa inteligência. Como pode existir uma promoção para os postos só de Londrina? Sim, porque se houvesse de verdade uma promoção, quando ela acabasse a gasolina subiria não só em Londrina, mas também em outras cidades.
Quem garante que combustível mais caro é realmente puro, ou que os impostos são devidamente recolhidos? A maioria de nós não pede nota fiscal ao abastecer e é fácil fazer os devidos ajustes contábeis para que o balanço feche. Daí toda a gasolina que entrou foi vendida, e o fisco não vê nada.
Para elevar o custo de venda e tentar justificar o alto preço, os proprietários inventam um custos a mais. Sim, porque todos os impostos são retidos na fonte e só se faz a substituição tributária aqui em Londrina para elevar o custo e justificar o preço abusivo.
Independente do Estado cumprir seu papel ou não, nós consumidores devíamos adquirir o hábito de pedir nota fiscal ao abastecer. Já que querem abusar de nós cobrando esse absurdo que cobram pelo álcool e pela gasolina, vamos fazer com que eles recolham os impostos corretamente, e exigir do Ministério Público alguma atitude. Se sempre aceitarmos essa espécie de roubo, nunca seremos respeitados como consumidores. Tampouco como cidadãos.
- RODRIGO MACHADO, estudante, Londrina
Copel
Diante dos últimos acontecimentos, fica claro a cada dia que nossos atuais governantes têm interesses adversos aos interesses da nossa soberania nacional. A venda da Copel é uma das provas do descaso com o patrimônio público. Querem que nós paguemos a conta mais uma vez.
Investimentos da ordem de alguns bilhões de dólares foram feitos durantes esses últimos 50 anos, sendo o povo paranaense o maior investidor desse potencial energético. E o que vimos, afinal de contas? Vimos um Estado endividado tendo suas contas aprovadas pelo Tribunal de Contas com várias restrições. Na sua totalidade, isso representa o que foi de fato o governo Jaime Lerner.
Esse é um governo voltado à propaganda exageradamente populista, com gastos estrondosos; pouquíssimos investimentos nas áreas da saúde e educação, onde os índices estão abaixo do que é o mínimo exigido por lei; contratos de risco com empresas estrangeiras ocasionando prejuízos aos cofres públicos e tornando cada vez mais crescente o nível de desemprego.
Enfim, é o retrocesso estampado nas suas iniciativas impensadas. Vender a nossa Copel é uma afronta ao crescimento econômico, ao desenvolvimento estratégico de energia e à soberania do povo paranaense. E dizer não a um plebiscito é um crime à ordem e à justiça.
Vender o Banestado provou que além de perdermos um patrimônio público, geramos grande endividamento. Não é com a venda da Copel que se irão resolver os problemas econômicos e sociais que temos. Pelo contrário, eles se agravarão com o aumento das tarifas de energia e a falta de investimentos do setor privado internacional.
O momento agora é de reflexão. A sociedade paranaense não pode se dar ao luxo de satisfazer interesses políticos à percebida intenção de disputa presidencial do nosso governador, pagando com a venda da Copel sua campanha. Se um possível candidato à Presidência da República já começa a onerar os cofres públicos desfazendo-se de um bem lucrativo, antes de ser presidente o que fará quando alcançar o cargo?
Plebliscito sim, pois só com transparência e respeito é que construiremos de fato um Estado forte, produtivo e comprometido com a sociedade parananense. Nossa decisão é importante para que o País retome o rumo do desenvolvimento e da justiça social. Privatizar nunca, nos vender jamais!
- LUIS CARLOS GIL MARQUES, Arapongas
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