O LEITOR ESCREVE
Bancos
É assustadora a falta de confiança que há entre os bancos. Um exemplo disso é que um banco não recebe cheque de outro banco, ou seja, é necessário se descontar o cheque no seu respectivo banco para depois pagar a conta no banco cuja duplicata é pertencente. Não estamos defendendo apenas o comércio da área central, mas falamos em nome de todo o comércio de Londrina, pois sabemos que os proprietários de estabelecimentos situados em bairros gastam pelo menos uma hora, ou mais, de ônibus para chegar ao banco.
Por determinação do governo central, o horário dos bancos foi reduzidíssimo, sendo que esses dispõem de cofre forte, portas de segurança, guardas armados e vários outros recursos que favorecem a proteção do funcionário e do usuário. Com toda essa proteção que os bancos oferecem, somos obrigados a nos dirigir à uma lotérica para fazer a quitação, sendo que esta não oferece toda proteção e segurança a que temos direito.
Chego à seguinte conclusão: não seria conveniente fechar todos os bancos? Caso isso aconteça, usufruiremos somente dos serviços lotéricos, pois pelo menos esses funcionam de segunda à sábado das 8 às 18 horas. O assunto é ou não direitos humanos?
- SINÉZIO SCUDELER, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina e Região
Seleção
Que saudade daqueles tempos em que assistir uma partida de futebol da Seleção Brasileira era motivo de orgulho para nós, brasileiros que tanto amamos o futebol. Mas nos últimos sete anos só obtivemos fracassos e vários fiascos.
Nesse período foram formadas várias seleções, sem encontrar a Seleção capaz de honrar a camisa amarela. O fracasso começou na Olimpíada de Sydney, quando fomos eliminados por um adversário inferiorizado numericamente; depois a desclassificação do Mundial Sub-20 na Argentina, seguido do péssimo desempenho na Copa das Confederações da Austrália.
Agora vivemos a grande preocupação de, pela primeira vez na história, não participarmos de uma Copa do Mundo. Também esperamos não estar diante de um outro fracasso na Copa América da Colômbia, pois nossa estréia foi a pior possível. Como brasileiro que ama o futebol, acredito que o Felipão conseguirá reorganizar a Seleção, pois é um profissional capaz, inovador e merecedor de nossa confiança, já não posso falar assim dos demais, pois falta à Seleção Brasileira dirigentes honrados e competentes, com capacidade de liderança e comando.
Acho que deve haver uma reestruturação geral no futebol brasileiro, começando pela mudança dos dirigentes de futebol e não através de CPIs estúpidas sobre o óbvio (o Brasil perdeu o jogo final da Copa de 1998 porque o time da França era muito melhor). Resta-nos agora acreditar e torcer para que o Felipão faça o seu trabalho o qual por sinal faz muito bem, e consiga retomar as grandes partidas memoráveis e também as vitórias, pois agora é o momento, não haverá depois.
- PEDRO BATISTA MARTINAZO, universitário, Cascavel
Cafeicultura
Teoricamente, especulativamente ou realmente sobra café (robusta) no mercado e não podemos evitar a lei da oferta e da procura. A demanda por café é inelástica; portanto, não temos qualquer aumento de consumo simplesmente pelo fato de o preço estar baixo. Como sabemos, o consumo mundial caiu devido ao perverso binômio baixa qualidade e aumento do nível de cafeína (robusta).
O dicionário nos ensina que oferta significa mercadoria anunciada a preço modicíssimo, e procura significa demanda. A equação da referida lei é justa e inevitável. Porém, estão burlando a lei da oferta e da procura. Vamos tomar como exemplo a batata, a cebola, o leite e outros produtos agropecuários, que como já vimos em passado recente tiveram superprodução, foram jogados fora, os preços aviltados e o consumidor os adquiria a preços baixos. No caso do café, é estranho que a tal superprodução apenas ocasione preços aviltados para o produtor, pois para o consumidor os preços continuam os mesmos. Qualquer quantidade de sacas de café que o produtor coloque à venda é comercializada sem dificuldades, desde que a preço de mercado.
O negócio café gera US$ 55 bilhões no mundo e apenas US$ 8 bilhões ficam com o produtor primário, teoricamente esta distribuição deveria ser mais equitativa e se prevalecesse a lei da oferta e da procura estes valores teriam que ser ao menos diminuídos.
Esperar os preços melhorarem em dois ou três anos devido à quebra de agricultores com baixos tratos culturais é perverso, inadequado e desnecessário, tendo em vista que podemos ordenar o mercado, melhorando a qualidade na indústria e se praticando um mercado justo. Certamente o consumidor mundial desconhece o quanto se paga ao produtor primário e se soubesse não aceitaria esta absoluta disparidade de preços exigindo um fairtrade (mercado justo).
Finalmente, o dicionário nos mostra que a palavra preço significa compensação, recompensa, prêmio e ainda castigo, punição. No caso dos cafeicultores só sobrou o castigo e a punição.
- RICARDO GONÇALVES STRENGER, presidente da Associação Paranaense de Cafeicultores do Paraná (APAC)
Crença
Em carta publicada nessa seção, no dia 9 de junho, Fraterno Maria Nunes afirma que todas as religiões professadas pela humanidade são historinhas pueris destinadas ao povo néscio, e que deveria, no lugar da religião, ser ensinada a verdade dos cientistas, embasada em fenômenos e orientada pela lógica, ética e pela razão.
Embora existam quatro evidências documentais, ele não explica por que considera a vida de Jesus uma história pueril, limitando-se a dizer que, no lugar das religiões, deveria ser ensinado ao povo as verdades da ciência. Mas isso é possível? É desejável que ocorra?
Da primeira indagação destacam-se três obstáculos. O primeiro seria definir cientificamente o que é ciência. Sabemos que uma ciência é um saber organizado e subordinado a pontos de partida de veracidade comprovada. O problema é que ao se tomar as ciências em conjunto não se irá conseguir encontrar pressupostos universais coerentes com a idéia de um todo harmônico chamado ciência, como se acredita.
Em segundo lugar, o conhecimento científico é contraditório. Existem teorias majoritárias e minoritárias mas não teorias definitivas. Sem falar nas pesquisas científicas casuísticas ou por encomenda. Por isso, quando se fala em verdades da ciência, primeiro é necessário que se defina quais.
Em terceiro lugar, o conhecimento científico está sempre subordinado à época em que vivemos. Os cientistas já defenderam que a Terra era o centro do universo, que uma camisa suada recheada com grãos de trigo poderia gerar a vida espontaneamente e que a colocação de sanguessugas sobre as feridas era o tratamento mais eficaz para pessoas debilitadas.
Superados os problemas, seria desejável substituirmos a religião pela ciência? A história lembra o acontecido na União Soviética e na China, regimes que exterminaram 50 milhões de pessoas de fome, frio, ou nas chamadas purgas. A substituição da religião pela ciência sempre gerou ditaduras assassinas.
Não se pretende aqui afirmar a primazia da religião ou condenar a ciência. A conclusão mais acertada talvez seja a de Albert Einstein, ao formular sua tese de entropia: Ciência e religião não são saberes opostos e, sim, complementares. Para explicar o universo, o homem não pode prescindir de Deus.
- JOÃO IRINEU DE RESENDE MIRANDA, estudante, Londrina
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