O LEITOR ESCREVE
Miséria (1)
Chega a dar vergonha a política social adotada no Brasil. Num país com 50 milhões de indigentes, quase 30% da população na miséria, sem dinheiro, sem comida, sem teto, sem um pingo de dignidade, o governo gasta bilhões socorrendo banqueiros falidos, pagando juros da dívida ou mantendo (pelo menos tentando manter) o câmbio estável.
A desculpa usada como justificativa para essa política que beneficia as elites e agrava a desigualdade social é sempre a mesma: sem esses investimentos, a economia entraria em séria crise, o desemprego e a recessão agravariam ainda mais os problemas sociais, o que significaria mais fome, miséria, violência.
Pode até ser verdade, mas as crises econômicas mais cedo ou mais tarde sempre acabam passando. Afinal, por quantas crises o Brasil já não passou? E não foram todas perfeitamente solucionadas? Mas a crise social? Alguém se lembra a quanto tempo ela já dura?
Que os aspectos sociais e econômicos estão inteiramente ligados ninguém pode negar, só que não é o avanço econômico que traz progresso social e sim o avanço social que traz progresso econômico. Como? É simples, um pobre coitado, miserável que ganha menos de R$ 79 por mês, consome praticamente nada e sua produtividade é baixíssima, ou até mesmo nula. Com salário decente e uma educação digna, além de se tornar um consumidor em potencial, ele passaria a produzir muito mais, movimentando e aquecendo a economia, sem falar ainda nos avanços tecnológicos e científicos que investimentos na educação sempre trazem.
Isso quer dizer que enquanto os problemas sociais (que não são só fome e miséria, mas também a violência e a falta de saúde e educação) não forem levados a sério e encarados como prioridade, o Brasil continuará sempre atrasado econômica, cultural e socialmente, e continuaremos a fabricar gerações e gerações de miseráveis, onde um miserável tem pais e avós miseráveis e terá filhos e netos miseráveis, num ciclo diabólico que parece não ter prazo para acabar.
- REINALDO AUGUSTO HUGO RUIZ PEGORARO, Jandaia do Sul
Miséria (2)
Pior do que os 50 milhões de brasileiros que estão vivendo abaixo da linha de pobreza, é, que para as eleições de 2002 não temos sequer um caminho (alguém) com perfil de estadista para votarmos. A legislação eleitoral permite que milhares de eleitos e milhões de eleitores sejam despreparados. Política não é brincadeira, não é farra. Política é assunto de maior importância social, deve ser exercida por pessoas altamente competentes. Uma das maiores farras é passar o poder para membros da própria família, como se fosse uma dinastia.
O Brasil é gigante pela própria natureza, mas pessimamente administrado desde seu descobrimento há 500 anos. Compete aos raros políticos racionais que estão no poder, criar leis para que eleições sejam exercidas por cidadãos com nível de escolaridade e com bons antecedentes. Diz-nos a mensagem da bandeira nacional: Ordem e progresso. Quando entendermos e seguirmos a mensagem da bandeira, rapidamente teremos qualidade de vida para os 170 milhões de brasileiros.
- FRATERNO MARIA NUNES, aposentado, Campo Mourão
Pedágio
Para que opiniões pessoais de ataque e/ou defesa das rodovias concedidas não gerem dúvidas para a sociedade, é importante elucidar algumas questões levantadas por usuários das rodovias nesta coluna, publicadas (nesta seção) nas edições dos dias 5,6 e 8 últimos.
A primeira delas visa informar que as rodovias do Anel de Integração não foram privatizadas (vendidas), e sim concedidas à iniciativa privada por tempo determinado. Os contratos de concessão estão à disposição de qualquer cidadão na Assessoria Jurídica da Secretária de Estado dos Transportes, na Procuradoria Jurídica e na Diretoria de Operação do Departamento Estadual de Rodovias (DER).
É importante lembrar que as concessionárias não assumiram as rodovias restauradas. Obras como duplicações, restauração de pistas e acostamentos, construção de passarelas, terceiras faixas, contornos, recuperação de viadutos, correção geométrica de curvas e de taludes, sinalização vertical e horizontal, e outras benfeitorias não são apenas maquiagem. Ressalta-se também, investimentos como o reequipamento da Polícia Rodoviária e a geração de cerca de 14 mil empregos diretos e indiretos.
O atendimento a usuários nas rodovias, de fato não é um favor prestado pelas concessionárias, mas uma obrigação contratual. Todavia, só podem avaliar a importância desses serviços aqueles que usaram, pois puderam perceber porque muitas vidas foram salvas e muitas viagens não foram interrompidas.
Para cumprir essa obrigação contratual as concessionárias compraram e mantêm veículos especiais, equipamentos e uma equipe de profissionais especializados (médicos, atendentes, socorristas etc.). E tudo isto é mantido e administrado 24 horas por dia, todas as semanas, meses e anos.
- JOÃO CHIMINAZZO NETO, diretor-executivo da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias, Curitiba
Gramática
A piada serve de epígrafe: pergunta o aluno: Professora, por que nóis aprende ingreis? Responde a professora: Porque portugueis nóis já sabe! Um anúncio me chamou a atenção: Estilo e Bom Gosto não se Liquida, se promove. Quanto erro de português numa única frase! Primeiro, o sujeito estilo e bom gosto é um sujeito composto e, portanto, a mais elementar regra de concordância diz que o verbo deve concordar no plural. Daí, liquidam e promovem. Segundo, o uso de iniciais maiúsculas em nomes comuns e verbos, nada há que justifique. É só verificar a gramática. Terceiro, se promove. É o mais evidente caso de uso de ênclise (colocação do pronome oblíquo depois do verbo): não se usa próclise (colocação do pronome oblíquo antes do verbo) no início de orações ou depois de uma pausa, indicada pela vírgula, como é o caso. O correto é Estilo e bom gosto não se liquidam, promovem-se!.
Caso pior: uma universidade londrinense publicou um anúncio onde se encontra o dístico O futuro já!. Aliás, o mesmo dístico está em todo o material promocional da instituição. Nesta expressão nota-se a ausência do verbo e, sabe-se, não há oração sem verbo. Então, o verbo nesta oração, que deveria ser O futuro é já, está elíptico e, sempre que ocorrer um caso de elipse, a mesma deve ser indicada por uma vírgula. Daí: O futuro, já!, como em Diretas, já!, Brasileiros, avante! etc.
- ALEX DE ALMEIDA, professor, Londrina
Correção - A organização do Festival de Música de Londrina informa que os concertos da Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina (Osuel) realizados dentro da programação do evento nas cidades vizinhas (Arapongas, Cambé e Ibiporã) foram regidos pelo maestro Evgueni Ratchev.
- O leilão de aparelhos eletrônicos, material de informática, perfumes e outras mercadorias que a Receita Federal promove hoje no Clube Campestre de Arapongas será realizado a partir das 9 horas, ao contrário do que foi informado na edição de ontem da Folha Economia.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





