O LEITOR ESCREVE
Sistema carcerário
O sistema carcerário atual do Brasil é o assunto do momento. Uns dizem que ele é uma saída plausível para a superlotação carcerária e também uma medida assecuratória para os casos de presos ditos perigosos. Até aí, tudo bem. Porém, como sempre, surgem os famosos defensores dos direitos humanos, entidades protetoras dos presos em geral, que pregam uma maior dignidade aos detentos. Concordo que devam existir tais entidades para o resguardo de direitos indisponíveis dos cidadãos, como o direito à vida, saúde, educação, alimentação etc.
Parece-nos, à primeira vista, que ditas entidades se preocupam com o que a mídia expõe, senão vejamos: se este caso do contêiner (de presos, em Fazenda Rio Grande/Região Metropolitana de Curitiba) não tivesse o tanto de repercussão que teve, será que apareceriam esses defensores dos direitos humanos? Será que este novo tipo de cela é tão prejudicial como dizem? E quanto às dezenas de celas superlotadas em nosso Estado e País, onde os presos se amontoam como podem, com completa falta de higiene e disseminando doenças diversas? São respostas que gostaria de saber, pois do jeito que está imagino que os CDHs só atuam quando o assunto, digamos, tem uma certa audiência.
Queria que os membros dos CDHs me respondessem o seguinte: que mal esta
cela-contêiner irá trazer à integridade física do detento? E quanto aos direitos humanos das vítimas desses condenados, que muitas vezes passam a vida inteira para amenizar e/ou conviverem com o mal sofrido? Nessas horas, não vemos a atuação do CDH. Será que é porque não dá Ibope?
- RÔMULO FABRÍCIO ANTUNES, universitário, Londrina
Frente de trabalho
A Frente de Trabalho da Prefeitura de Londrina foi criada em 1983 como tentativa de amenizar o problema do desemprego. Hoje a Lei Fiscal e a prefeitura forçam a exclusão desses 2 mil trabalhadores do quadro funcional.
A alternativa de se fazer concurso ou formar uma cooperativa tem sido descartada pela prefeitura. Com outros vereadores, estamos em constantes reuniões e audiências públicas na tentativa de encontrar uma solução.
Mais que números, que responsabilidade fiscal, o compromisso dos governantes deve ser com o social. Como desempregar esses trabalhadores que com a parca renda, sustentam famílias? Como mandá-los embora sem o mínimo direito trabalhista?
Em recente audiência pública, foi designada uma comissão de representantes desses trabalhadores que, juntamente com alguns vereadores, irão buscar sensibilizar a prefeitura e o Ministério Público na busca de opções.
A Frente de Trabalho não é cabide de empregos como costumam afirmar os mais reticentes. A alternativa tão esperada por esses anônimos e laborosos trabalhadores parece estar longe de chegar. Enquanto isso, é necessário sensibilidade política e compromisso social. Colocá-los na rua significa marginalizá-los.
Vamos dialogar, prefeitura, Câmara e frentistas, para o bem do município. Vamos buscar parcerias para resolver a questão. Vamos dar a essas famílias o direito sagrado do emprego, a dignidade do trabalho. Vamos qualificá-los, motivá-los e quem sabe assim tenham oportunidade na iniciativa privada. Vamos mantê-los, vamos dar a eles a certeza de que amanhã haverá refeição na mesa, o mínimo de uma obrigação para qual nasceu o estado de direito.
É para eles que estamos governando, é para Londrina que temos que dar satisfação de nossos atos. Jogá-los ao léu significa gastar mais com segurança, assistência social e saúde, o que vai ser mais caro que a folha de pagamento mensal da Frente.
Mais que uma questão de rubrica orçamentária, se o custo não for computado em folha de pagamento, vai ser lançado na demanda social, e isso é muito mais dispendioso, mais alarmante, mais cruel, mais desumano.
- HENRIQUE BARROS, economista e vereador, Londrina
Rolim Amaro
Para o Comandante Rolim Amaro, nascido em berço humilde, o limite era o infinito. Audacioso, de ambição sem fronteiras, inteligência admirável, desafiador de obstáculos, destemido, vitorioso. Em palestra proferida em Londrina, na qualidade de empresário de sucesso, ele lembrou sua condição de lavador de pequenos aviões, para custear horas de vôo, no aeroclube de nossa cidade.
Sua trajetória foi inusitada. De piloto a proprietário de táxi aéreo. Daí, a proprietário de transporte regional, a proprietário de empresa de transporte internacional de passageiros, quando já se vislumbrava nele a nítida intenção de comandar expressiva empresa aérea internacional. Sua coragem superava a ambição e ambas se deslocavam veloz e paralelamente.
O acidente da TAM, que vitimou cerca de cem pessoas, causou-lhe profundo trauma, mas não abalou sua estrutura a ponto de deter sua marcha. Ele estava permanentemente preparado para o pior, embora fosse extremamente otimista. Seguia o brocardo popular de que se quiseres a paz prepara-te para a guerra. Em resposta aos votos de pesar recebidos pela grande tragédia sofrida pela TAM, ele respondeu com sua filosofia de vida: Destino é força que esmaga. Credor austero tremendo. Manda a conta, a gente paga, sem saber que está devendo.
Seu exemplo de ousadia ilimitada e de pagador de conta, sem saber que devia, davam a certeza que seu limite era o infinito. Homens como o Comandante Rolim, a rigor não morrem. O vigor de sua ousadia e criatividade permanecerá para sempre. O Brasil perdeu o líder de maior expressão da aviação comercial. Ao querido amigo Rolim, minha homenagem e saudade.
- OCTÁVIO CESÁRIO PEREIRA JÚNIOR, advogado, Londrina
Vida
Que alegria poder agradecer e louvar a Deus por pessoas como a Dr. Zilda Arns e seus voluntários da Pastoral da Criança, pela sua dedicação, exemplos de vida e visão clara da realidade em que vivemos, apontando os defeitos, as verdades, os juízos a respeito da corrupção e suas causas.
E que tristeza, mas ao mesmo tempo disposição e fé para pedirmos a Deus que tenha piedade de pessoas que ainda acham que só a pena de morte para amenizar a violência e a corrupção neste País, como foi publicado dia 11, nessa coluna, bem ao lado do que foi dito pela Dra. Zilda: Somente educando a criança e sua família, ensinando a serem cidadão, é que podemos mudar o Brasil.
Qual das duas pessoas citadas terá a maioridade suficiente para ditar normas que de fato resgatem o ser humano e com isso tenhamos paz, conforto, segurança e prosperidade? Que Deus e muito bom senso nos salvem!
- MARIA APARECIDA BERTOLINO, Londrina
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