O LEITOR ESCREVE
A fome no Brasil
No colegial, tive aulas de sociologia e me chamou a atenção a já clássica obra do professor Josué de Castro Geografia da Fome. O estudioso, de origem paraibana para lá de modesta, formou-se em medicina, praticou-a até antes de ingressar na política em 54, foi deputado federal, embaixador do Brasil na ONU. Na Suíça, recebeu a notícia do golpe militar de 64. Dez dias após, teve seus direitos políticos cassados e passou a viver em Paris, como exilado.
A tese central da obra é a de que o desenvolvimento econômico não é suficiente para erradicar a pobreza, o que veio a ser confirmado no País, pois, passando este por larga incrementação (increasing), o número dos absolutamente famintos cresceu consideravelmente.
A questão da fome é tabu e, quanto ao Nordeste especialmente, nada obstante esforços mais individuais do que oficiais, esse problema continua envolto numa nuvem negra (spleen) de fumaça e é, vez por outra, notadamente perto de eleições, objeto de apressadas soluções oferecidas pelos áulicos.
Num país continental, de extensas áreas agricultáveis e com municípios autônomos, não há projeto (plot) concreto a respeito e, salvo exceções raras, não há por parte dos governos locais, ao menos, manifestações que revelem preocupação com o assunto e nem se desenham melhores perspectivas.
O livro do professor Josué acaba de ser reeditado e, de sua leitura, sempre atual, conclusões salientes hão de ser mencionadas: o aumento desordenado e desproporcional da população, o atingimento da linha da miséria, a falta de rumos para as novas gerações e a questão dos sem-terra fazem parte de um modelo econômico perverso, pelo qual todos somos cúmplices e se deve ponderar, então, que os reflexos que o modelo traz recaem sobre a sociedade como um todo.
Todavia, em qualquer País que se preze, não se pode falar nem em liberdade política e nem em democracia autêntica, se problemas como o da fome não constarem como prioridade de solução nas agendas dos governantes.
Algo de novo, contudo, está por acontecer no Reino da Dinamarca. É o Plano Fome-Zero, destinado às famílias com renda inferior a R$ 70 e que o PT acaba de empunhar como bandeira de seu programa-mor. Tomara que tudo não acabe em muita imagem, imagem demais, só imagem, como bem lamentava Mário de Andrade.
- MOISES DE GODOY, advogado, Londrina
Reajuste
Mais uma vez venho recorrer a este espaço para deixar meu protesto, o meu desabafo! Estou mais uma vez indignado, pois fiquei sabendo de como está inegociável e implacável o nosso governador Jaime Lerner diante do assunto que diz respeito aos nossos seis anos sem reposição salarial (para o funcionalismo público do Paraná).
Disse-me um dos membros do Fórum Sindical, hoje presidente do Sindicato dos Funcionários da UEL (Assuel), Itamar Nascimento, que foram indicados cinco representantes do governo, unidos com cinco do Fórum Sindical para estudarem, mais uma vez, o índice de aumento salarial, ou melhor, o índice da reposição que não nos vem sendo passada desde agosto de 1995.
Em meio aos pensamentos de revolta, vem-me mais uma pergunta: e a nossa data-base? Será que está esquecida nas gavetas do governo? Se não bastasse tanta indignação, tanta humilhação, tantas cobranças, vejo-me diante do noticiário relatando mais uma fulminante lista de aumento de preços: combustível, gás de cozinha, energia, telefone.
Os nossos representantes no governo brasileiro impõem seus diversos aumentos, enquanto isso, nós continuamos com nossos míseros salários. Salário de fome, de vergonha!
Quem trabalha dentro de uma instituição de ensino, como as universidades e escolas estaduais, merece um pouco mais de respeito. Já não tenho mais meu velho carro pois não suportei tanto aumento de combustível. Sempre pago as contas de energia e água atrasado, isso quando consigo algum dinheiro extra. Estou quase sem telefone, tudo pelo mesmo motivo: aumento de preços!
Em breve, se continuar assim, não teremos mais condições de sustentar nossos filhos e familiares. E como dói um filho pedir algo que a gente não pode dar! Tudo por culpa de um governador, que nós, o povo, elegemos, que não corrige nossos salários há seis anos.
Onde está o dinheiro das privatizações, dos impostos que pagamos etc? Com certeza não está na saúde, nem na segurança, muito menos na educação. As eleições estão prestes a chegar.
- WAGNER ROGÉRIO SANTANA, funcionário público estadual, Londrina
Serviço
Costumamos sempre criticar o que se nos apresenta de errado. Este é o direito de cidadão. Porém, devemos anunciar quando algum tipo de serviço nos atende com excelência. Em Londrina, no dia 7, eu, minha esposa e meus dois filhos passamos por uma situação difícil, quando perdemos quase que um membro dessa família, com a morte de Lady, uma cachorra pastora alemã capa-preta, que nos acompanhava há 12 anos. Apesar de várias tentativas de salvá-la, inclusive com atendimento veterinário, não foi possível.
Diante de uma nova situação (o cadáver do animal, que pesava aproximadamente 50 Kg), tinhamos uma nova missão: a de destinar esse corpo a algum lugar. Após muitas tentativas (eram aproximadamente 12h30) quando tentamos a Autarquia Municipal do Meio Ambiente (AMA), a prefeitura e até serviços particulares, sem nenhum sinal positivo, até que alguém numa clínica veterinária nos informou que a Vega Ambiental faria este tipo de trabalho.
Era sábado. Imediatamente, liguei para um telefone constante da lista, tendo sido atendido por um funcionário de nome José, que me prometeu atendimento dentro de aproximadamente 30 minutos (o pessoal da AMA me disse que teria que esperar até segunda-feira).
Conforme prometido, a Vega nos fez um atendimento, que podemos dizer vip, pois vieram dois funcionários, devidamente uniformizados, a bordo de um veículo, também devidamente identificado e adaptado para tal fim. Como se não bastasse, na segunda-feira nos telefonaram questionando se o atendimento foi bem-feito.
Não tenho nenhum amigo ou parente e ao menos conheço alguém da diretoria da Vega, mas não posso me furtar ao dever de alertar ao prefeito e aos vereadores: nasci em Londrina há 46 anos e nunca tivemos um serviço com a qualidade e prestimosidade da Vega. Portanto, cuidado quando forem renegociar o contrato mantido, a fim de não cometerem equívoco.
- JOSÉ CARLOS CAVALHEIRO, contador, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





