Corrupção
A sociedade brasileira tem visto, nos últimos anos, entre atônita, perplexa e até desesperada e sem esperanças, o desatino ininterrupto, no tocante ao descalabro de roubo e rombo do dinheiro público por parte daqueles que estão no exercício de cargo eletivo ou por nomeação originada do chamado apadrinhamento.
Na verdade dogmatizada, nosso povo brasileiro, de pouca maturidade política e social, desacostumado de lutar e perseguir os mais elementares direitos, prefere, lamentavelmente, acreditar em tais inescrupulosas pessoas a pensar em soluções que possam resolver os problemas correlacionados aos delitos praticados criminosamente com o dinheiro público.
Ainda há poucos dias, o próprio presidente da República, numa eleição inusitada, foi eleito o mais corrupto de Brasília. Por outro vértice, o mandatário máximo do Poder Legiferante Nacional encontra-se em meio a fogo cruzado permanente, tamanha a fama do enriquecimento ilícito a custa do dinheiro público que ostenta. O mesmo acontece aqui, inclusive envolvendo a vice-governadora do Paraná, a qual não consegue escoimar-se das irrogações que lhe pesam no chamado escândalo AMA/Comurb.
A fim de vislumbrar uma esperança para as futuras gerações é de se dizer que sim. Criando uma lei que estipule: apropriar-se ou desviar bens ou dinheiro público ou de qualquer forma causar prejuízo ao erário público, seja para si ou para terceiro, valendo-se da condição de administrador ou funcionário público. Pena: reclusão de 10 a 20 anos.
Se o dinheiro ou bem objeto do delito for devolvido em seu total, a pena cai pela metade em sua dosimetria. A condenação por crime contra o patrimônio público referido nessa lei será cumprida na sua totalidade em regime fechado. Eis aí a sugestão plausível até porque o patrimônio particular é fiscalizado diuturnamente por cada um de seu titular. Diferentemente, o patrimônio público, na prática, torna-se presa fácil na medida que é vulnerável a mercê do titular ou detentor do poder. Por outro lado, a verdadeira punição está na devolução do dinheiro e, por óbvio, só com leis severas e punitivas, afora o que, é pensar no irreal qual nefelibata.
- ANTONIO FRANCISCO DA SILVA, advogado, Ibiporã
Sacrifícios
Eu ainda era criança e nessa época já ouvia muito sobre contribuições extras que as empresas e o povo tinham que fazer para dois segmentos extras em calamidade: a Segunda Guerra Mundial e a seca no Nordeste. Eram os bônus de guerra e o bônus para a seca. A guerra acabou e é possível que os bônus de guerra tenham ajudado a repor os gastos feitos com ela pelo Brasil. Mas e o bônus para a seca? Daquela época para cá, continuam os problemas e as autoridades continuam a alegar que não há dinheiro suficiente para resolvê-los. Será verdade ou o dinheiro nunca chega lá? Ou ainda é mal aplicado?
Os realmente necessitados não são atendidos mas sobram poços artesianos e irrigação em terras de abastados e políticos. Quem não se lembra do que foi publicado a respeito da quantidade de poços abertos em terras do deputado Inocêncio de Oliveira?
Agora nos pedem mais sacrifícios: economia de energia elétrica, redução nas atividades econômicas com consequente aumento do desemprego, aumento dos custos etc. É novamente o povo pagando a conta do descuido e do desmando dos poderosos e, principalmente, dos governantes. Não abro mão do direito de acreditar que essas coisas não acontecem por acaso. Há sempre alguém lucrando, e muito, com a desaceleração da economia dos países emergentes.
Sobre a responsabilidade do atual presidente, é bom lembrar o que ele afirmou ainda na campanha de 1994: ‘‘Em setores como energia e comunicação, estamos próximos do estrangulamento, e o colapso só não ocorreu devido ao menor ritmo de crescimento econômico da última década’’. Ora, se ele já sabia disso àquela época, porque deixou acontecer o previsível depois de seis anos de governo? A quem isso interessa? Não me parece difícil responder.
- EDGAR BAER, advogado, Londrina
Comunidade Bah’aí
Neste 9 de julho, a Comunidade Bah’aí Mundial relembra a vida e a obra de Báb, um homem que nasceu em 1844, na Pérsia, e comandou um movimento de regeneração espiritual e causou grande alarme e hostilidade entre o clero muçulmano da época. O Báb disse que nenhuma prova seria superior aos versos divinos revelados por um Manifestante de Deus. E então escreveu seu primeiro texto sagrado. Embora não tivesse frequentado a escola, exceto por um breve período na infância, o Báb, como todos os outros Manifestantes de Deus, estava dotado de um profundo conhecimento inédito, que era uma dádiva do Criador.
E o mensageiro saiu em peregrinação. Não demorou para que outras pessoas também acreditassem no Báb. Mas ao retornar à sua cidade natal, ele foi preso, a mando de fanáticos mullás (padres muçulmanos) que não queriam que Sua Fé se espalhasse. O jovem de 25 anos passou a maior parte de sua vida nas prisões. Enquanto o Báb se encontrava preso, seus fiéis seguidores levaram sua mensagem para todos os cantos do país.
Báb foi executado, aos 31 anos, em praça pública, no dia 9 de julho de 1850, deixando para nós um grande exemplo de humildade, ensinando-nos a valorizar a vida espiritual. ‘‘Terminaram-se os dias em que a adoração ociosa era considerada como suficiente. Agora é chegado o tempo em que nada senão o motivo mais puro, alicerçado com ações de imaculada pureza, pode ascender ao trono do Altíssimo e ser aceito por Ele. Levantai-vos em seu nome, confiai inteiramente nele e estejais seguros de vossa vitória final’’, escreveu.
O legado espiritual que o Báb deixou tomou novo impulso com a manifestação de um novo profeta que o sucedeu, Baháulláh. Quando o Báb declarou sua missão, Baháulláh tinha 27 anos, imediatamente aceitou o Báb como Manifestante de Deus e logo se tornou um de seus mais poderosos e famosos discípulos. O Báb referiu-se em suas escrituras à Ordem de Baháulláh e disse: ‘‘Feliz daquele que seguir a Baháulláh’’. Dezenove anos mais tarde, Baháulláh declarou ser ele o Prometido cuja vinda tinha sido anunciada por todos os Manifestantes de Deus em eras passadas.
Os restos mortais de Báb estão enterrados nas encostas do Monte Carmelo, na cidade de Haifa, em Israel. A montanha abriga o Centro Mundial Bah’aí, que é cercado de belos jardins.
- WASHINGTON ARAÚJO é escritor em Brasília, membro da Academia de Letras do Distrito Federal
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