O leitor escreve
O LEITOR ESCREVE
Rebelião dos que ganham tostões
Existem, neste país, erros injustificáveis cometidos pela administração pública. Um deles refere-se à não-valorização de agentes, segundo a importância daquilo que eles representam para a comunidade.
Por isso, certas categorias de servidores não podem ser, de forma alguma, limitadas a planos salariais inferiores, sob pena de um aviltamento das suas funções. É o caso dos policiais, civis ou militares. A eles cabe a responsabilidade pela segurança da população que, por se constituir em coisa muito séria, requer que esses policiais sejam bem remunerados.
Como é do conhecimento geral, a vergonhosa situação dos baixos salários dos policiais militares só veio a público com a greve da Polícia Militar de Minas Gerais. Na esteira dessa parede,
outras vieram, mostrando, com transparência, o momento calamitoso pelo qual passam esses profissionais da segurança pública.
Constitucionalmente falando, o direito de greve é vedado ao militar. Além disso, o serviço de segurança é essencial e, numa época de altos índices de criminalidade, deixar a população entregue à própria sorte é bastante temerário.
Entretanto. para quem recebe pouco, ou se encontra com os seus ganhos em atraso, o desespero incumbe-se de derrubar as barreiras legais. Cabe então, aos
governos estaduais, afetados pelas rebeliões, adotar fórmulas que tenham por base a justiça salarial.
- DARIO LIVINO TORRES é magistrado
Paulo Freire
A morte recente do educador Paulo Freire trouxe à tona seus valores conhecidos internacionalmente. Ele deixou como testamento sua última carta que sequer foi revisada pelo autor. Toda a preciosidade deste documento nos revela a alma e o coração do educador, que nem sempre foi reconhecido em sua pátria. Seu escrito é o seguinte: Não é possível refazer este país, democratizá-lo, torná-lo sério, com adolescentes brincando de matar a gente, ofendendo a vida, destruindo o sonho, inviabilizando o amor. Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda. Se a nossa opção é progressista, se estamos a favor da vida e não da morte, da equidade e não da injustiça, do direito e não do arbítrio, da convivência com o diferente e não de sua negação, não temos outro caminho senão viver plenamente a nossa opção.
Encarná-la, diminuindo a distância entre o que dizemos e o que fazemos. Desrespeitando os fracos, enganando os incautos, ofendendo a vida, explorando outros, discriminando o índio, o negro, a mulher, não estarei ajudando meus filhos a ser sérios, justos e amorosos da vida e dos outros (Paulo Freire). Este testamento revela a alma do grande educador, que teve de fugir da sua pátria no tempo da ditadura militar e ser professor em outros países. Mas agora, após sua morte, Paulo Freire está sendo reconhecido como grande educador e homem de princípios retos e cristãos.
- Pe.NATALICIO JOSÉ WESCHENFELDER, pároco da catedral de Palmas/PR
Orador
Frequentemente indagam se o ato de falar em público seria dom inato a certos indivíduos ou algo que se pode conquistar. A história, através do exemplo de Demóstenes, responde. Célebre orador de Atenas por volta de 62 AC, Demóstenes
tinha tudo para não ser orador. O aspecto físico não o ajudava. Era manco de uma perna. Órfão na infância, teve parte dos seus bens dilapidados por tutores inescrupulosos. Sua voz era uma contínua gagueira aliada a uma saúde combalida. Tudo conspirava contra ele e aparentemente nada tinha a seu favor. Não obstante, dominado por forte impulso de determinação e coragem, superou a gagueira falando com pedrinhas na boca para corrigi-la. Correndo, subia montes e escarpas para exercitar a respiração e fortalecer a voz. A grandeza da civilização grega declinou há muitos séculos, mas seus exemplos de vida não.
Transformando-se em fonte de inspiração e de estímulo de todas as épocas àqueles que desejam falar em público desinibida e corajosamente. A arte de falar em público requer humildade a fim de ter espírito crítico, reconhecendo suas limitações. A partir daí tem-se que treiná-la constantemente, em todas as oportunidades. Nem todos estão destinados a ser Demóstenes ou Cícero. Discursar em público de maneira razoável e com alguma elegância é algo acessível aos humanos que o queiram. Provam-nos os 13 anos de vida do Clube de Oratória do Paraná, disseminando técnicas elementares para a melhoria de toda comunicação social.
- NINGER MARENA, professor do Clube de Oratória do Paraná, Apucarana
Montadoras
É grande a movimentação em torno da vinda das grandes indústrias montadoras de veículos para o Paraná. Renault, Audi e Chrysler embalam nossos sonhos de prosperidade e nos transmitem a sensação de que um futuro melhor nos aguarda. Mas qual será a realidade dos transportadores paranaenses nesse novo cenário? Esperava-se para esses profissionais uma participação mais significativa no processo de industrialização, mas seu comportamento individualista demonstrado até aqui vem impondo condição extremamente desfavorável ao santo de casa.
O que se vê são empresas de outros estados trabalhando em conjunto para abocanhar as melhores fatias desse transporte, enquanto empresários locais promovem desorganizado assédio, que transmite insegurança aos estrangeiros e desencadeia franca concorrência canibalesca. As transportadoras e os autônomos têm uma expectativa bastante favorável com a vinda dessas indústrias e certamente o transporte paranaense viverá dias melhores a partir delas, mas não podemos nos iludir com a idéia de que a preferência desses novos parceiros será disputada apenas por paranaenses. Prova disso é o acordo firmado entre a Renault e um consórcio de empresas de São Paulo e do Rio Grande do Sul, que graças à sua organização e trabalho em conjunto já tem assegurado o transporte de veículos de vários anos de produção da montadora.
- DIUMAR CUNHA BUENO, presidente do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens no Estado do Paraná





