Punição
Como pesquisadora do tema ‘‘Acidentes de trânsito’’, sobre o qual defendi minha tese de dourado na Universidade de São Paulo, em 1998, não posso deixar de me manifestar quanto ao Editorial do dia 5 desse conceituado veículo de comunicação. Pareceu-me que o autor entende que a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização de Londrina (CMTU) visaria principalmente o aumento da arrecadação com a instalação de câmeras fotográficas em 100 pontos da cidade para controlar a velocidade excessiva dos veículos. O texto dá, ainda, uma série de sugestões quanto à segurança no trânsito, algumas com eficácia já comprovada em diversos estudos científicos (fiscalização, intervenções nos pontos críticos para acidentes, mais sinaleiros para pedestres).
Outras sugestões são, em minha opinião, equivocadas se a intenção é reduzir acidentes e mortes. Colocar a instalação de câmeras de controle de velocidade dos veículos como medida secundária à substituição de semáforos de três tempos é, novamente, advogar uma prática de política pública que vemos há muitos anos, com algumas raras exceções: a priorização do trânsito de quem tem automóvel ou similar.
Desprezar a instalação dessas câmeras é equívoco, se analisarmos as experiências de redução de acidentes e de mortes, em diversas cidades que as implantaram. Observamos, nos últimos cinco anos, uma redução da mortalidade, que atribuímos à implantação do Siate, em 1996, ao novo Código de Trânsito, em 1998, ao aumento da taxa de uso de capacete e cinto de segurança.
No entanto, o risco de se morrer no trânsito na cidade ainda é elevado, e superior ao apresentado em várias cidades brasileiras, inclusive capitais. Mais ainda, quem mais morre em nosso trânsito são os mais vulneráveis – pedestres, motociclistas e ciclistas. Vale destacar que os pedestres são, conforme os dados estatísticos, crianças e idosos, na maioria.
Nesse sentido, discordo do autor do texto quando diz que ‘‘há que se fazer estudos aprofundados e não tomar medidas de afogadilho, como esta de... instalar câmeras fotográficas... que têm função apenas de punir’’. Sim, as câmeras devem ter a função de punir, para prevenir, pois a impunidade tem sido um dos fatores geradores de novos crimes em nossa sociedade. O que mais mata o londrinense, no trânsito, é o veículo em velocidade acima da permitida nas avenidas e rodovias que cruzam a área urbana. Acredito que a sociedade deve participar e discutir suas prioridades em segurança no trânsito, mas também acredito que a CMTU, nesse aspecto, está no caminho certo.
- SELMA MAFFEI DE ANDRADE, enfermeira e doutora em Sa© úde Pública, Londrina
Ensino técnico
A onda de mudanças implementadas na educação brasileira com a Lei de Diretrizes e Bases, de 1996, não passou ao largo do velho ensino técnico, ou profissionalizante, que no Brasil como no resto do mundo, foi desde o século 19, destinado aos ‘‘desvalidos da sorte’’, para os quais não se abrem as portas do conhecimento ‘‘superior’’, confinado às universidades. Esforços para elevar o status do ensino técnico estão reunidos no Programa de Expansão da Educação Profissional (Proep), lançado pelo MEC em parceria com o Ministério do Trabalho, e que inclui os recém-divulgados referenciais curriculares para duas dezenas de cursos e investimentos pesados na ampliação de vagas.
A fim de conferir tratamento diferenciado ao ensino técnico, o MEC desvinculou-o do ensino médio, em parte. Os candidatos precisam, estar cursando o ensino médio, já que cresce a exigência do mercado em relação ao nível de escolaridade dos trabalhadores. O Proep obedece o programa da Unesco sobre Educação Técnico e Profissional para a Primeira Década do Novo Milênio, que visa a um esforço em âmbito mundial para a adaptação do ensino técnico a uma sociedade em que a economia se baseia na informação, onde o desemprego é fato e o conhecimento se tornou o maior bem do trabalhador.
A educação profissionalizante, enfim, chegou aos dias de hoje tropeçando, sem controle de qualidade e cercada de preconceitos. Para começar, é imprescindível que o ensino técnico esteja conectado aos outros níveis de ensino. Inserindo, por exemplo, disciplinas profissionalizantes na educação básica, se quisermos que ela prepare para o trabalho. Por outro lado, informações gerais devem ser incluídas em cursos técnicos, noções de economia, empreendorismo.
O mínimo que se espera é que qualquer trabalhador tenha direito a uma boa formação básica, que o prepare para futuros aprendizados e que, sobretudo, valorize a figura do ‘‘técnico’’, não o ‘‘desvalido’’ que não teve a ‘‘sorte’’ de chegar à universidade, mas um profissional competente, necessário e consciente do caminho escolhido.
- MAGNO DE AGUIAR MARANHÃO, presidente da Associação Nacional dos Centros Universitários, Rio de Janeiro
Estradas
Eu sou o proprietário de um veículo que foi multado quando estava sendo dirigido pelo meu sócio Francisco. O local da PR-323 (km 206) está cheio de buracos. O trecho é praticamente intransitável. E estávamos ora na pista da direita ora na pista da esquerda. Mas não era para ultrapassar, era para sair dos buracos!
Não posso ser multado por estar me defendendo do péssimo estado das rodovias da Região Noroeste. Esses dias até protestos houve na região. Prefeitos, políticos, cidadãos chegaram a plantar bananeiras na pista. E eu sou multado! Isso é uma vergonha! Solicito o cancelamento desta multa.
Um cidadão não pode ser multado por estar preservando sua vida, e da sua família e o guarda rodoviário imagina porque ele estava na pista da esquerda ele estivesse ultrapassando. E foi explicado isso no ato. Imploro: melhorem as estradas ou muita gente vai continuar morrendo.
- FERNANDO MARTINS SERRANO, engenheiro agrônomo, Maringá
Polícia
Nossa Polícia Militar está discutindo se houve ou não insubordinação por parte dos soldados (do 5º Batalhão da Polícia Militar de Londrina) que vaiaram o comando e o governador, e as mulheres deles fecharam o quartel, murcharam os pneus das viaturas, apreenderam as chaves de veículos e impediram a entrada e saída dos policiais do quartel. Isso tudo foi filmado e noticiado pelos jornais, rádios e TV. Enquanto eles discutem o óbvio, a população se vê abandonada e perplexa com o aumento dos furtos e roubos. Isso sobe como o dólar, enquanto a nossa segurança está mais para o real.
- ROBERTO TEIXEIRA, empresário, Londrina
Correção - Por problemas técnicos, algumas atrações da agenda cultural deste final de semana em Londrina foram publicados incorretamente na edição da Folha2 de ontem. A editoria se desculpa com os leitores e promotores culturais.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

mockup