Eleições diretas
Na ditadura militar, ‘‘político biônico’’. No engodo neoliberal, ‘‘diretor nuclear’’. É vergonhosa, escandalosa, covarde a forma com que o governador Jaime Lerner, do Paraná, através da secretária de Educação Alcyone Saliba está pretendendo encaminhar as eleições para a escolha dos diretores de escolas públicas do Paraná. De acordo com a proposta do governo, pais e alunos terão um peso eleitoral de 50%, professores e funcionários 30%, e os núcleos regionais de educação 20%.
A escolha dos diretores de escolas públicas deve ser encaminhada de forma democrátiva, com eleições diretas pela comunidade escolar (pais, alunos, professores e funcionários), com os pesos iguais para todos, até mesmo porque quem banca a escola pública é a comunidade. Se o peso eleitoral dentro da comunidade escolar é discutível, a participação do Núcleo Regional de Educação (NRE) é inaceitável. Por que o NRE não vem compartilhar dos problemas do dia-a-dia vividos nas escolas, já que tem um peso tão grande assim? Como por exemplo, fazer e vender pizzas para comprar material escolar?
Para melhor compreensão, numa escola com mil alunos e 50 professores e funcionários, e uma comissão do NRE de dois membros, por exemplo, o voto de cada membro do NRE equivalerá aos votos de 100 alunos! Será que esse representante do governo, ou melhor do NRE, aceitaria ‘‘adotar’’ ou ser ‘‘amigo dessa escola’’?
Quero deixar bem claro que não tenha nada contra os funcionários do NRE, até mesmo porque são trabalhadores como nós e vivemos os mesmos problemas. Com relação ao governador Lerner e a secretária Alcyone, o referido encaminhamento evidencia claramente um sintoma de fraqueza de quem está tremendo de medo do resultado das urnas. Espero e conclamo a toda população bem como a classe política que representa que digam não a essa palhaçada e sim para as eleições diretas para diretores.
- VALDOMIRO VIDAL, professor e dirigente da APP-Sindicato, Arapongas
Trânsito (1)
Entendo perfeitamente o drama de quem já foi multado pelos agentes da CMTU de Londrina. Já passei por isso, igualmente pelo uso de celular, tal como o médico Lincoln Brazil e Silva, o advogado José Alencar e o empresário Roberto Teixeira. Recorri à Jari. Foi inútil. Paguei a multa pela simples constatação de que é mais barato do que recorrer, sabendo que o esquema é feito propositalmente de forma a se tornar impossível ganhar. A palavra do agente de trânsito vale mais que qualquer prova.
Essa é a CMTU do prefeito Nedson Micheleti, que multa prováveis inocentes e não aceita argumentos em contrário. Mas existe outra. Na Avenida São Paulo, no número 294 existe o Tribunal Regional do Trabalho. Em frente a esse tribunal, o IPPUL criou e a CMTU implantou quatro vagas de estacionamento exclusivas para veículos oficiais e elas são para uso exclusivo dos veículos particulares dos juízes e talvez de outros funcionários. Mas pelo Código de Brasileiro de Trânsito, os veículos que gozam de prioridade de trânsito e livre circulação, estacionamento e parada, quando em serviço e identificados, são apenas os destinados a socorro de incêndio e salvamento, os de polícia, de fiscalização e operação de trânsito e as ambulâncias.
Em 1º de dezembro do ano passado, entrei com requerimento na CMTU (protocolo nº 20731) solicitando a regularização dessa situação ou seja, que qualquer veículo possa estacionar ali ou, que se multem os veículos que não sejam oficiais. O que estou pedindo é apenas que se cumpra a lei. Mais nada.
Conversei com alguns policiais e agentes de trânsito. Pasmem: a ordem é não multar, embora concordem que essa é uma situação irregular. Essa é a CMTU do prefeito Nedson que não multa os culpados. Isso sem falar em outros casos na mesma avenida. Lá no começo, doaram, a título ‘‘provisório’’ e, mais para frente vão doar a título ‘‘definitivo’’ um trecho da avenida, prejudicando o acesso de veículos para o centro. Privilegiou-se um comércio irregular, que passa ao largo das tributações fiscais, trabalhistas etc., em detrimento de todos os que utilizavam aquela via. Também quero uma barraquinha no meio da rua. E com uma vaga exclusiva para meu carro bem na frente do meu local de trabalho!
- NEY RENATO ÁVILA, engenheiro, Londrina
Trânsito (2)
A cada dia que passa o dia-a-dia se complica e fica mais difícil. Uma simples travessia de semáforo, em Londrina, leva uma eternidade, afora o fato de sermos abordados por vendedores, mendigos e panfletistas. Estacionar o carro no centro é outro aborrecimento. Se não colocar o talão da Zona Azul, o condutor é multado até pelo supervisor da Epesmel (entidade que explora o serviço pago de estacionamento).
Recentemente, estacionei na Avenida Bandeirantes, pagando por uma hora. Demorei muito num médico e quando voltei havia outras três folhas no limpador do pára-brisas do carro. Chamei o responsável que colocou a folhinha e argumentei que não iria pagar pela última, pois tinham se passado apenas cinco minutos e todo motorista tem direito a quinze minutos gratuitos.
O responsável chamou o supervisor, outro garoto um pouco maior. Esse não quis saber da minha justificativa alegando que, se eu não pagasse o guardinha teria que pagar e eu seria multado. Mesmo revoltado paguei, sabendo que todos nós pagamos IPVA, CPMF, IPTU, ISS, pedágio e uma infinidade de outros impostos que são incluídos em tudo que compramos.
O mais interessante é que no verso do cartão de estacionamento, uma instrução diz que os usuários que não colocarem o cartão serão advertidos, ou será aplicada a multa. O parágrafo 6 diz que eles não se responsabilizam por roubo ou qualquer dano que seus usuários vierem a ter.
Se colocamos o carro em um estacionamento, pagamos R$ 1 e temos toda a garantia. Por que não pagar R$ 1 e termos um seguro contra perdas e danos? Fica aí a idéia. O povo nunca é consultado. Vão-nos impondo obrigações e nunca nos devolvem em benfeitorias o que nos tomam no dia-a-dia através de impostos. Assim como o pedágio tem por obrigação manter as estradas, a Zona Azul poderia melhorar as calçadas que estão todas com buracos, pintar meio-fio e árvores, dando assim mais trabalho para garotos desocupados, prestar contas ao povo do que arrecada, ajudar a escola oficina repassando uma quantia para essa entidade, que passa por dificuldades.
E se a CPMF fosse destinada à saúde pública, que era propósito de quanto foi criada, não teríamos tantas filas nos hospitais. Estamos realmente pagando sem ter retorno. É um descaso muito grande com quem paga os impostos. Está na hora de cobrarmos do Poder Público melhores condições de vida para o povo.
- MANOEL RAIMUNDO BERLIM, Londrina
Pedágio
Não posso concordar com a opinião da leitora Marcele Franceschini (que criticou a concessionária Viapar por divulgar pesquisa em que maioria dos usuários está satisfeita) expressada ontem nesse espaço. Quem já foi atendido pelas equipes da concessionária Viapar como eu, sabe que estamos muito bem servidos. Outra coisa: quem viaja por estradas esburacadas acaba pagando um ‘‘pedágio’’ muito mais caro que esse, e não recebe nenhum tipo de assistência. Só não vê quem não quer.
- ALINE CRISTIANE DE MORAES, vendedora, Maringá
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