Rodovias
Idiota. Foi assim que me senti ao receber no posto de pedágio de Arapongas um folheto com a seguinte frase: ‘‘Pesquisa revela a satisfação do usuário’’. Tenho a certeza de que outros paranaenses também se sentem indignados com a realidade do pedágio, especialmente os milhares de caminhoneiros e viajantes que dispõem das rodovias paranaenses para trabalhar.
A pesquisa me soou no mínimo ridícula, pois as perguntas que resultaram em ‘‘altíssimos’’ índices de aprovação tratam de itens como a sinalização. Limpeza e segurança das rodovias, além do serviço de guincho, atendimento médico-hospitalar, condições do pavimento e atendimento em praça de pedágio. A empresa responsável pela pesquisa deveria incluir esta pergunta: ‘‘Você está satisfeito com o preço do pedágio?’’
Não sou idiota para acreditar que mais de 90% dos 1.800 entrevistados estejam satisfeitos pagando por um serviço que não cumpre o prometido: quando o pedágio foi instituído, lembro-me perfeitamente das garantias de ampliação das rodovias.
O trecho Arapongas-Apucarana ainda não foi ampliado e me nego a aceitar que meu dinheiro sirva para tapa-buracos e para colocar alguns sinais de trânsito que, com ou sem a existência do pedágio, são requisitos essenciais para os motoristas trafegarem em qualquer lugar do planeta. Duvido muito que os caminhoneiros e viajantes, que dão boa parte de sua renda ao pedágio estejam ‘‘tão’’ satisfeitos assim.
- MARCELE AIRES FRANCESCHINI, professora, Rolândia
Apagão
Através da Medida Provisória nº 2148-1 de 22 de maio de 2001, o presidente da República instituiu a Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica, designando como presidente dela o ministro Pedro Parente, o qual com muita inteligência e argumentação sutil, busca esconder a real causa do crise energética no País: a falta de investimento por parte do governo federal na área de produção de energia.
Referida MP se mostra, em parte, inadmissível e inconstitucional. Atenhamo-nos, por ora, ao seu artigo 25, onde se lê que ‘‘não se aplica a Lei nº 8078, de 11 de setembro de 1990, em especial os seus artigos 12, 14, 22 e 42, às situações decorrentes ou à execução do disposto nesta Medida Provisória e das normas e decisões da CGE’’. A Lei 8078/90 é o Código de Defesa do Consumidor, que nos artigos especialmente citados trata da responsabilidade pelo fato do produto e do serviço, a responsabilidade dos órgãos públicos ou suas concessionárias ou permissionárias.
No caso de a MP se adequar ou não à Carta Magna vigente, de saída flagra-se gritante inconstitucionalidade quando buscamos guarida no artigo 5º, inciso X da Carta Federal, onde ‘‘são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado direito de indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação’’. Também verificamos a inconstitucionalidade da Medida Provisória quando atentamos para o artigo 170 e inciso V, da Constituição Federal. Inadmissível é que o governo federal tente com uma Medida Provisória reeditada, aliada a um forte lobby de seus agentes de primeiro escalão junto à classe dos magistrados e junto à OAB, solapar e suspender direitos constitucionais.
A situação urge atos de constrição de nós consumidores, até como ato de cidadania, mas daí sermos submetidos a medidas inconstitucionais passa-se à larga distância, mesmo porque o culpado maior foi o governo federal, que na onda de privatizações deixou de investir no setor energético. Mesmo porque a medida referida dá um toque ditatorial a um governo que se reputa democrático. A sociedade mostra-se simpática a ordem de economia de energia, o que atende também o bom senso, mas a inconstitucionalidade nunca será simpática na sociedade, ainda que não seja democrática. Fica, para nós, a amarga e escura lição.
- LUCIANO GODOI MARTINS, advogado, Londrina
Rádio
Primeira emissora do Estado e terceira do Brasil, a Rádio Clube Paranaense B-2, administrada e mantida pelos Irmãos Maristas, tem sua vida ligada à própria história do Paraná. Foi ao ar pela primeira vez no dia 27 de junho de 1924. Ao longo desses 77 anos, a Clube sempre foi fiel porta-voz das gentes de todas as etnias, culturas e condições sociais do Estado.
Criada em 8 de outubro de 1975, a Fundação Nossa Senhora do Rocio é a entidade mantenedora da Rádio Clube. A emissora tem como objetivo maior propugnar pela informação e formação cívica, moral, cultural e religiosa do povo, por meio da divulgação falada, de acordo com princípios democráticos e de natureza assistencial, sem distinção de qualquer natureza.
De fevereiro de 1992 em diante, a Fundação Nossa Senhora do Rocio está ligada aos Irmãos Maristas, mantenedores da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC). Abriga as emissoras em ondas médias e curtas da Rádio Clube Paranaense e a Clube FM 101,5 megahertz.
Várias melhorias foram implantadas pela direção atual da Rádio Clube, incluindo a informatização da FM e da AM, criação do departamento de programação, aquisição de veículo para promoções e mudança do sistema de irradiante FM de Almirante Tamandaré para o Bairro Pilarzinho, o que possibilitou oferecer melhor cobertura na área central de Curitiba.
Visando integrar serviços comuns entre emissoras, foi definida a instalação do Programa Kipper, desenvolvido pela Studio Shop, de Jaraguá do Sul (SC). A Rádio Clube conta com aproximadamente 250 anunciantes. É cabeça da Rede Católica de Rádio (RCR), somando-se a outras 170 emissoras do País. É a maior emissora Católica do Brasil. A Clube possui base de subida ao satélite, integrando 27 emissoras do interior do Paraná. Um dos principais momentos da Rádio Clube foi a transmissão em tempo real, do Vaticano, dia 18 de abril de 99, de cerimônia, presidida pelo Papa João Paulo II, da Canonização do padre Marcelino Champagnat, fundador dos Irmãos Maristas.
- VICENTE MICKOSZ, superintendente da Rádio Clube Paranaense, Curitiba
Cristianismo
Não basta boa aparência, quando o coração está vazio, ainda que as pessoas sejam benevolentes e ostentem um comportamento exemplar, mesmo que participem de alguma religião. Talvez falte saírem das formalidades, das disciplinas e do medo. Precisam abraçar o verdadeiro cristianismo, do novo nascimento.
Ser cristão é morrer para o mundo e ressuscitar para uma nova vida. Esse morrer e ressuscitar deve acontecer no interior do homem. Isto se faz compromisso público ao emergir das águas batismais, à semelhança da morte e ressurreição de Cristo. Do mesmo modo que Cristo assumiu a natureza humana e morreu, como homem, ressuscitando em corpo santo, assim também seus seguidores, ao morrerem, para o mundo, ressuscitam das águas do batismo para uma vida santa. Foi assim que Paulo ensinou no capítulo VI da Carta aos Romanos. Mas eles, os romanos, não entenderam, ou não quiseram entender.
Ser cristão é nascer de novo; é dividir o pão com os inimigos; é fazer bem a quem deseja o mal. Ser cristão é, sobretudo, viver em santificação. Dividir nosso pão com os inimigos e ainda orar por eles? Bendizer a quem nos maldiz? Ressuscitar das águas e viver em santificação? Ser perfeito como o Pai que está no céu? Comportamento assim os homens ainda não aprenderam. Por isso vivem longe da realidade divina. Essas são coisas estranhas para o cristão da atualidade. Doutrinas assim foram riscadas do conceito religioso. Era assim no princípio do cristianismo. Diante dessa realidade, o que deve fazer um cristão?
- NELSON ARAÚJO DE OLIVEIRA, professor, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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