O LEITOR ESCREVE
Milton Santos
O Brasil perdeu, no dia 24 de junho, o seu maior geógrafo: Milton Santos. Intelectual humanista, ele recebeu o Prêmio Internacional de Geografia Vautrin Lud (em 1994), considerado um Nobel da área, foi consultor da ONU e da OEA, e também ganhou o Prêmio Multicultural 2000 Estadão Cultura. Mais do que um geógrafo, ele foi um pensador do Brasil, especialmente dos grandes problemas urbanos da atualidade, voltado para estudos da geografia humana, dando notáveis contribuições para a compreensão da complexa realidade atual da globalização.
Segundo Ubiratan Brasil, em O Estado de S.Paulo, em vez de fazer uma mera descrição de relevos, Milton Santos passou a analisar as consequências que a economia, a política, o desenvolvimento urbano, a estrutura agrária e os problemas sociais têm na vida cotidiana. Era interessado no ser humano, e buscou refletir as circunstâncias que condicionam as populações a um estilo de vida que ameaça a dignidade da pessoa humana, em vários aspectos. Santos sonhava com cidades dotadas de infra-estrutura capaz de atender as necessidades básicas de todos os cidadãos, com governantes empreendendo políticas de includência social.
Para o grande geólogo, o que destrói a experiência humana é a civilização que nós adotamos, pois a cidade aparece como manifestação representativa dela. Santos deu continuidade, digamos assim, ao trabalho em defesa da vida iniciado por Josué de Castro, e que comprovou que a fome é consequência de ações humanas injustas. Ele também concordava com Castro de que a fome pode ser debelada no mundo, se houver adoção de políticas sociais não comprometidas com a lógica perversa de um capitalismo que não coloca a promoção da pessoa humana como prioridade, mas apenas a produtividade.
Milton Santos fez parte daquele grupo de pensadores não céticos, que manteve a esperança no ser humano e na sua capacidade de transformar a realidade, intervindo de forma inteligente para assegurar uma vida saudável para todos. Foi um revolucionário, na mais bonita concepção da palavra, como bem definiu a geógrafa e professora da USP, Maria Adélia de Souza.
- VALMOR BOLAN, professor, São Caetano do Sul (SP)
Radares eletrônicos
Comentário a propósito do artigo de Allan Cannell (Folha Carro e Cia., no dia 1º): certamente os controladores eletrônicos são necessários, são indispensáveis atualmente. E pouparam vidas em todo o Brasil. Contudo, também é verdade que se transformaram em minas de ouro. Verdadeiros assaltos aos motoristas. Um abuso. Igualmente perigoso e assassino são os buracos nas ruas e rodovias. No Paraná, é caso de crime lesa-pátria. Roubo acrescido à negligência. E o que se faz para receber isso? Instala-se radares. E se limita a velocidade a níveis muito baixos, ou áreas desertas e retas e em baixadas, simplesmente para pegar os reais, e não para poupar vidas. O objetivo é dinheiro. Se vidas fossem o objetivo, os buracos teriam de ser consertados. E o que vemos é a indiferença, a negligência, o mau uso do dinheiro dos impostos.
- FERNANDO MARTINS SERRANO, Maringá
Sidónio
A primeira vez que tive contato com os versos do poeta Sidónio Muralha foi através das incansáveis citações feitas pelo ex-governador Roberto Requião, na sua briga política com o ex-presidente nacional do PMDB Orestes Quércia. Na contenda, provocava Requião: Parar. Parar não paro. Esquecer. Esquecer não esqueço. Se caráter custa caro pago o preço. A obra do escritor lisboeta faz pensar e desperta para a conduta humana: seus versos falam de vida, contentamento, confiança e também de caráter, brio e perseverança em atitudes praticadas pelo ser humano. Embora saibamos que caráter tem sido artigo de luxo na conduta de alguns políticos e por vezes na conduta desse governo que aí está, o que fica são os versos de luz do mestre Sidónio, feitos à semelhança de um candeeiro para iluminar a negrura do nefasto apagão.
- ANTONIO SÉRGIO NEVES DE AZEVEDO, engenheiro de materiais, Santa Cruz de Monte Castelo
Comércio
À medida em que o varejo on-line se torna mais amplamente aceito, o perfil demográfico do comprador on-line está começando a ter mais o aspecto de consumidor típico de uma loja. De acordo com pesquisa realizada pela Ernst & Young com consumidores e empresas de varejo em 12 países, enquanto os compradores on-line homens predominam fora dos Estados Unidos, as mulheres atualmente representam 60% dos compradores on-line nos EUA e 50% no Canadá e Austrália. A renda média anual caiu e o nível de educação corresponde mais ao do consumidor de classe média.
Ao mesmo tempo em que cresce a aceitação do consumidor, o varejo de canais múltiplos ainda está em estágio inicial de desenvolvimento. Quando indagados sobre compras on-line de produtos de custo alto, frágeis, de tamanho personalizado, coloridos, perecíveis e de baixo custo, não mais do que 38% dos consumidores apresentaram uma intenção de comprar on-line, mas comprar direito de um outro canal. Deduz-se que os varejistas ainda não aprenderam a orientar os clientes para canais diferenciados. De todas as formas, percebe-se que as compras on-line ainda não atingiram seu potencial de canal cruzado.
- STEPHANIE SHERN, Curitiba
Interatividade
A Internet é uma tecnologia que estimula e motiva alunos e professores a estudar, ensinar e trabalhar processos mais participativos. Em recente palestra na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC), o professor da USP José Manuel Moran, recomendou que todo o espaço de aula deve ser interativo, com ampla participação do corpo discente.
No atual processo educacional de todos os níveis, é imprescindível gerar ambientes virtuais e relações horizontais e circulantes. Por meio de um endereço eletrônico, o educador pode gerenciar parte das aulas, intercambiar informações e conhecimentos e combinar ensino com pesquisa. A lista eletrônica cria uma série de compromissos. O importante é primar por equilíbrio, bom senso, prudência.
Na PUC, por exemplo, o Projeto Pacto (Pesquisa em Aprendizagem Colaborativa com Tecnologias Interativas) reduziu em mais de 14% o número de reprovações na disciplina de Sistemas Estruturais do curso de Arquitetura e Urbanismo. O estudo foi desenvolvido e vem sendo acompanhado por professores do Programa de Mestrado em Educação da Instituição. Utilizando o Pacto, o professor desenvolve maior integração e tem como foco a aprendizagem do estudante, o que ajuda a melhorar, significativamente, os resultados. No primeiro ano, o projeto envolveu um grupo de alunos dependentes, e todos conseguiram aprovação com um grau de aprendizagem altamente satisfatório.
- RONALDO GOMES DE CARVALHO, professor universitário, Curitiba
Correção
- O Posto Cincão, de Londrina, citado em notícia publicada na Folha Economia do dia 19 como revendedor de combustível da Distribuidora Fox, na verdade, revende combustível de distribuidoras diversas (chamados de postos Bandeira Branca).
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





