O LEITOR ESCREVE
Universidade
Refletindo sobre as aparências de baixa moralidade na recente administração da Universidade Estadual de Londrina (UEL), lembrei-me da sentença latina numa lei inglesa do século XVII: De non existentibus et non apparentibus eadem est ratio (O não existente e o não aparente são a mesma coisa para a razão). O contrário deve ser verdadeiro: o existente e o aparente devem ser igualmente julgados pela razão. Não basta à administração de uma instituição educacional parecer honesta. As provas que ela venha a produzir para alegar sua inocência jamais disfarçarão o fato denigrente de precisar delas.
A UEL está em turbulência administrativa desde 1980. O caminho natural da turbulência, todos sabemos, é o declínio. Ideologias políticas e reitores improvisados levaram a universidade a uma expansão horizontal extemporânea, parecendo um sadio crescimento. Mas, quem a estudou como eu, sabe que a UEL nunca foi bastante forte para sustentar sadiamente o tamanho que tem hoje, nas três dimensões de sua operação: corpo discente, corpo docente e corpo funcionário. Um abacate não está maduro porque está grande. E da imaturidade em descompasso com o real tudo se espera.
Além desses fatos, tenho observado que as nossas instituições, limitadas por uma democracia incipiente, constrições econômicas e baixa cognição de moralidade, não estão preparadas para reeleger um executivo, sem altos riscos de corrupção na administração delas. Assim tem revelado nossas experiências com todos os níveis de governo, até mesmo no legislativo.
O diretor Luiz Carlos Bruschi, conforme carta publicada na Folha do dia 27, espera que das agruras do parto surja o choro que anuncia uma nova vida. Logo virão forjadas explicações a posteriori diluídas em nossa tradicional fraca memória histórica. Mas, como dar crédito às palavras de um homem, quando melhor evidência, se a tivesse, seria facilmente produzida?
- ALEXANDRE DO ESPÍRITO SANTO, professor universitário, Londrina
Multas
Venho solidarizar-me não só com o médico Lincoln Brasil e Silva, pelo contido em sua carta publicada na Folha no dia 23, como também com os demais missivistas do dia 27, ou seja, o empresário Roberto G.Teixeira e o colega advogado José de Alencar Soares Cordeiro, os quais foram multados por agentes de trânsito de nossa cidade, sob a alegação de que conduziam os seus veículos utilizando-se, ao mesmo tempo, de telefone celular, cujo aparelho, segundo alegam, nem sequer possuem ou utilizam.
Tal injustiça também ocorreu comigo, como também, certamente, deve ter ocorrido com muitas e muitas outras pessoas de nossa cidade, as quais, como eu, não quiseram se manifestar publicamente, preferindo ficar em silêncio, por reconhecerem que são muito precárias as chances de se provar que, realmente, não cometeram tais infrações e, não seria trazendo a público que se reverteria tal quadro.
O agente de trânsito, ao invés de abordar o suposto infrator, cujo ato seria indispensável para uma análise e avaliação das condições subjetivas que contribuíram, talvez, para o evento (se é que realmente existiu) prefere agir de forma prepotente e autoritária, multando primeiro, quando deveria orientar.
Nesse sentido foi muito oportuno o editorial da Folha do dia 28 (Indústria de Multas), o que, todavia, acrescentar-se-ia a ele o fato de que esquece, o agente impositor da multa, que os impostos pagos, até com sacrifícios de todos nós cidadãos de Londrina, que somos, são indiretamente utilizados para pagar os seus próprios salários e até mesmo os dos seus superiores e, por mais esse motivo, merecemos melhor consideração e respeito principalmente quando a razão é nossa.
Portanto, por se tratar de assunto da maior relevância, está com a palavra, agora, a autoridade máxima do Executivo Municipal, haja vista que a manifestação do dia 26, feita pelo presidente da CMTU, embora educada e respeitosa, não trouxe o tão esperado resultado satisfatório aos injustiçados.
- JUVALDIR BILHÃO, advogado, Londrina
Censo
Periodicamente, ao passar dos anos, acontece sob o censo do IBGE uma pesquisa feita para saber quantos somos. Éramos uma família de 400 mil habitantes, e agora quantos somos? Londrina continua em progresso vertiginoso ou estagnada no tempo? Para a realização do censo foi necessário um amplo esquema operacional com mais de 200 mil recenseadores em todo Brasil que visitaram milhões de domicílios por 5.507 municípios, perfazendo um universo de 167 milhões de pessoas.
Será que foi um trabalho bem-feito, considerando a amplitude do universo pesquisado? Em várias localidades paranaenses há dúvidas sobre os resultados das pesquisas. Cento e setenta recrutas do Tiro de Guerra de Londrina, num trabalho bem organizado, foram às casas de 1,5 mil famílias de Jataizinho realizando um levantamento de dados sobre a situação socioeconômica a pedido da prefeitura. Isso porque os dados do Censo de 2000 seriam incompletos.
A realidade é que muitas pessoas não foram visitadas pelos recenseadores. Segundo a Lei 5.534, todos têm que receber os pesquisadores do IBGE e ninguém pode negar recebê-los. Várias famílias não receberam a visita dos recenseadores e a minha está entre as não visitadas pelo Censo 2000. Há três décadas morando em Londrina, nunca tive a stisfação de ser pesquisado e ser contado como habitante londrinense.
Sinceramente, o quanto somos é um incógnita. A família Londrina tem mais de 500 mil filhos ou menos? Devemos dar credibilidade ao censo diante do que nos é mostrado aleatoriamente? Para se mostrar a realidade de um universo pesquisado é preciso que se tabule dados concretos para refletir o que fomos e o que somos hoje. Tem que ser uma pesquisa geral e irrestrita.
É uma pena Londrina, que é uma das mais importantes famílias paranaenses, não saber quantos filhos tem. Quem sabe um dia, quando houver uma pesquisa mais abrangente, não ficando ninguém inobservado, saberemos quantos habitantes tem Londrina?
- OSVALDO CARDOSO RIBEIRO, professor de Sociologia, Londrina
Critério
Só tenho de parabenizar a Folha pelo editorial do dia 27 (Falta de critério). O editorial trata de um assunto muito sério e explana de uma maneira muito clara a forma que o comerciante (ou posso dizer especulador?) tem se portado e contribuído para que o Brasil cresça. O caro jornalista que escreveu o edital muito bem, só esqueceu de citar que as lojas de eletrodomésticos não agem como lojas mais. Há muito tempo, elas se tornaram financeiras ou bancos que vendem dinheiro e não eletrodomésticos ou móveis. Cheguei a viver uma situação em que o vendedor da loja me disse que não venderia à vista pois havia um outro cliente que estava comprando em doze meses e então seria mais viável para a loja. Vejam: a loja prefere receber em parcelas pois neste caso vende um produto no valor de um e meio. Isto tem de ser repensado, cada pessoa tem de refletir e pensar o que pode fazer para ajudar o País a sair desta situação de especulação e vergonha, um país tão rico em recursos naturais merece uma população um pouco mais patriota.
- JEFERSON DE OLIVEIRA, publicitário, Londrina, através do site da Folha, no portal www.bonde.com.br
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