O LEITOR ESCREVE
Universidade
Vivendo na Universidade Estadual de Londrina (UEL) há 33 anos (quatro como aluno e o restante como professor) manifesto profunda preocupação com o atual quadro de instabilidade na instituição gerado por denúncias, desconfianças e paralisia acadêmico-administrativa. A par da clareza que tenho que todos os fatos denunciados devam ser apurados e punidos, devemos evitar ao máximo as sequelas futuras.
A sabedoria popular aponta que os ventos que desfloram uma roseira, ao mesmo tempo que lhe impõe sofrimento lhe possibilita um novo desabrochar de flores, mais jovens, mais bonitas. Como a roseira, a UEL, depois deste tufão, possa seguir seu caminho.
Às pessoas acusadas devem ser dadas todas as possibilidades de defesa. À universidade deve ser garantida a sua existência com dignidade, autonomia e transparência. A seriedade exige de todos nós três coisas essenciais: a verdade, a exclusão dos culpados, se houver; e a serenidade.
Não devemos cortar a roseira após uma devastação ocasionada por fenômenos temporais. Devemos sim podá-la, tratá-la, adubá-la para que ressurja com maior explendor e mais florida. Da mesma forma, a universidade não pode ser destruída por eventuais tempestades.
A preservação da imagem da universidade é desejável e necessária. As pessoas passam pela instituição, mas ela permanece cumprindo seu papel fundamental de transformar a sociedade. Vivemos um daqueles momentos onde a dor exerce o papel de transformar e não de nos fazer sucumbir. Das agruras do parto esperamos pelo choro que anuncia uma nova vida.
- LUIZ CARLOS BRUSCHI, diretor do CCB-UEL, Londrina
Trânsito (1)
Não conheço Lincoln Brasil e Silva (carta publicada no dia 24) mas, como ele, também já fui multado por uso de celular no automóvel sem mesmo ter o telefone. O meu protesto também saiu neste jornal na época, e recebi também as mesmas instruções da direção da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), de que eu deveria detalhar as informações da minha defesa e mandar para a Junta Administrativa de Recursos e Infrações (Jari). E foi o que fiz, mas de nada adiantou. Tive que pagar a multa, prevaleceu o corporativismo e não a verdade. O que o presidente da CMTU, Wilson Sella, e os outros da companhia não entendem é que o problema não está na quantidade de recursos que a CMTU nos dá, mas sim na quantidade de multas que somos obrigados a pagar sem dever. E depois não querem que falem em indústria da multa. A nós resta somente agradecer o espaço do jornal, para reclamar e não aceitar esse verdadeiro roubo que a indústria da multa vem praticando.
- ROBERTO G. TEIXEIRA, empresário, Londrina
Trânsito (2)
Li a carta do médico Lincoln Brasil e Silva, sobre a multa por dirigir utilizando celular (artigo 252, VI/CTB), decorrente da negligência ou má-fé de agente de trânsito que lhe imputou infração média punida com multa de 80 UFIRs e 4 pontos na carteira de habilitação. A indignação do probo e honrado médico, que jamais possuiu celular, não é solitária. O mesmo fato se deu comigo. Em 16 de março último, um incompetente agente (RG 1.366.153-7PR), resolveu me aplicar multa também descabida, pois nunca conduzi veículo utilizando telefone celular. Aliás, nunca utilizei telefone celular em público.
Fui à CMTU (antiga Comurb) me queixar do agente, onde protocolei recurso e pedi audiência para explicar detalhes e reclamar ao diretor Grotti. Mas que decepção. Ainda que a entrevista tivesse sido agendada e confirmada dois dias antes, não logrei entrevistá-lo. Depois de um chá de cadeira de uma hora, mais indignado do que quando entrei resolvi sair para não voltar. Que se dane o diretor mal-educado. Se for essa a transparência da administração do PT, Deus salve o povo de Londrina! Ouvi histórias de agentes de trânsito incitados a uma produção mensal de autuações, mas não acreditei. Acho que vou repensar essa questão.
Como advogado, darei péssima notícia ao Dr. Lincoln: entre sua palavra e a do agente, prevalece a dele. E, ainda que, como o senhor nunca tenha usado celular dirigindo e tenha sido autuado por agente incompetente ou deficiente visual, não vislumbro a menor esperança de sucesso no recurso administrativo, porque, afinal, a palavra do cidadão não tem o menor valor, até prova em contrário. Não interessa o seu passado de honradez e probidade, Dr. Lincoln. O senhor será considerado mentiroso por antecipação. É claro, recorri administrativamente e vou recorrer judicialmente, ainda que me custe a empreitada muitas vezes o valor da multa, seguirei, como Dom Quixote.
No dia 26, li a manifestação educada do presidente da CMTU, Wilson Sella, sobre o assunto. Que me perdoe o colega, mas o Dr. Lincoln não terá qualquer chance de detalhar sua queixa. O julgamento do recurso é sumário e sabemos, nós advogados, que é quase impossível produzir prova negativa. Como é que o cidadão vai provar, contra a palavra do agente irresponsável, prepotente e mal instruído, que não estava usando o telefone celular?
- JOSÉ DE ALENCAR SOARES CORDEIRO, advogado, Londrina
Ensino
É difícil de se acreditar que em um país com tantas diferenças sociais nossos políticos contribuam ainda mais para o aumento desse índice. A incidência de acadêmicos com condições de pagar uma faculdade particular inseridos em uma entidade pública é uma vergonha para a Nação. Dizemos que somos cidadãos de bem, que nos preocupamos com o semelhante, mas chegamos ao extremo de fazer com que nossos filhos ingressem numa faculdade pública para não precisarmos pagar e nos esquecemos que existem milhões de estudantes carentes que poderiam estar estudando e dando um futuro menos desigual para esse Brasil. Será que é difícil se enxergar o óbvio? E os nossos políticos, o que fazem? É difícil estabelecer uma porcentagem de 100% de alunos carentes em entidades públicas? O que pensam esses pais que podem pagar e mandam seus filhos para o ensino gratuito? Não pensam no semelhante, no irmão? Nossas faculdades estão repletas desses estudantes, enquanto os que precisam ficam à mercê do destino.
- AGUINALDO SATURNINO DA SILVA, diagramador, Umuarama
Ideal
O ideal é um impulso do espírito no sentido da perfeição. Não é exagero pensar que, na ética do que está por vir, floresce um idealismo moral. Os ideais da perfeição, fundados na experiência social, constituirão a íntima conexão de uma perfeitabilidade indefinida, propícia a todas as possibilidades da elevação humana. A imaginação, partindo da experiência e de exemplos passados (bons e ruins), antecipa juízos acerca de futuros aperfeiçoamentos.
Nesse prisma de procura do que é melhor, quero me congratular com o talento legislativo do vereador Félix Ribeiro (PPS), que encontrando inicialmente uma resistência viciosa, conseguiu aprovar o seu projeto que defende o voto aberto na Câmara de Londrina. Nossa cidade já estaria muitos ciclos mais próspera e feliz se esse projeto tivesse vigorado e sido posto em prática anos atrás, quando tanto vexame, tantas decepções, assolaram a boa-fé do povo londrinense. Parabéns Félix. Esse é certamente um início promissor.
- ANTÔNIO FUNFAS NETO, médico, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





