Complô
O palco do complô contra o Brasil nunca foi desarmado. Os monopólios alienígenas, o poder econômico local e a burocracia estatal, fazem de tudo para manter o gigante ‘‘deitado eternamente em berço esplêndido’’.
Desde quando os portugueses aportaram no gigante, ou quem sabe antes, a sangria dos recursos naturais tem sido ininterrupta. Daqui levaram pau-brasil, ouro, açúcar e pedras preciosas. Em troca éramos obrigados a comprar todos os produtos manufaturados do reino português (ou dos ingleses?). Já nos anos de 1500, o comércio com o Oriente e o Ocidente estavam nas mãos de grandes monopólios formados pelas famosas companhias de comércio e navegação ou companhias privilegiadas, como eram conhecidas.
Viramos o século e o milênio e ainda não conquistamos nossa autonomia econômica e política, de fato. Os monopólios, hoje conhecidos como empresas multinacionais, continuam fustigando nossa elite econômica, que perdeu muito espaço no decorrer do último século. Ora por incompetência, ora por falta de apoio e de caráter dos governantes. As grandes empresas estatais de energia elétrica, siderurgia, telefonia e saneamento estão sendo doadas à iniciativa privada. Esgotadas suas forças estas empresas certamente serão devolvidas com valores superestimados para a Viúva. Ou ninguém se lembra que a Light, que era de um grupo canadense, foi estatizada, reestruturada e devolvida à iniciativa privada?
Tudo acontece nas barbas dos poderes Judiciário, Legislativo e Executivo, com a maior das naturalidades. O complô dos homens que integram estes poderes contra a soberania do Brasil vem desde os tempos do império. Todos querem viver às custas da Viúva, com muitos milhões de dólares ganhos aqui, mas depositados lá fora. Será a sina do gigante permanecer submisso a uma elite econômica, de políticos, juízes e servidores públicos corruptos, atrasados e aliados aos interesses alienígenas?
- UESLEI TEODORO, professor, Maringá
Natureza
Desde os primórdios da humanidade nunca se falou tanto em preservação da natureza. Ecologia, meio ambiente e camada de ozônio nunca foram tão abordados na mídia e nas escolas. Até em meios comunitários se ouve falar que a natureza está clamando e que é necessário nos conscientizarmos para não destruí-la. A grande verdade é que, tarde ou não, o homem está acordando para o trágico fato de que os recursos naturais estão escassos. Os desastres ecológicos registrados ultimamente são motivo para uma mobilização geral em torno desta causa.
Todo esforço para defender a natureza é digno de aplauso. Mas, em meio a esse momento de comoção geral pela natureza e a tantos apelos ecológicos, a pergunta é oportuna: a natureza ou o Criador da natureza, a quem deveríamos dar maior valor?
Adquirimos um veículo, eletrodoméstico, microcomputador ou qualquer outro bem, e esse, pelo uso, perde suas condições normais de funcionamento. Logo procuramos o fabricante para a reposição de peças ou meros reparos a fim de que o nosso bem continue nos proporcionando conforto e comodidade.
E a natureza? Diferentemente de qualquer objeto que compramos, ela nos foi dada como muito amor. Porém, não está ‘‘funcionando’’ bem! A natureza tem um Criador, Deus. Valorizar o Criador acima de suas obras significa buscar na fonte a harmonia, a beleza e a riqueza. Quando os homens reconhecerem que Deus é a razão de tudo existir e O aceitarem como Senhor, certamente deixarão de ver a natureza com olhos gananciosos e passarão a preservá-la com o amor e a gratidão que emanam de Deus que a fez. Assim, estando Deus no coração do homem teremos por consequência a natureza preservada.
- WESLEY BORGES, contador, Cornélio Procópio
Ética feminina
Quis a sabedoria da natureza que o homem e a mulher formassem um par que se complementa. Não obstante, se ao homem foram atribuídas a masculinidade e a força física, à mulher ficou reservada a beleza e uma dissimulada fragilidade, próprias de quem tem a missão sublime de procriar novos seres, a partir do intercâmbio sexual.
As circunstâncias atuais da sociedade e da cultura têm modificado os papéis, num verdadeiro processo de subversão àqueles propósitos naturais. À mulher edipiana, que tinha de enfrentar intransponíveis obstáculos, naturais e culturais, sucede-se a mulher narcísica, preocupada apenas com a sua imagem.
Dessa forma, algumas considerações tornam-se necessárias, com o objetivo de enfocar certas distorções que estão presentes nesse processo de emancipação progressiva da mulher: 1. A psicologia feminina não é igual e nem semelhante à masculina. É por isso que ela imprime no trabalho, formas humanizadoras e surpreendentes de relações profissionais; 2. A autonomia sexual da mulher está revolucionando o modelo tradicional de família. Estamos caminhando apressadamente para o surgimento de um matriarcado pós-moderno, dentro do qual cada vez mais elas assumem maiores responsabilidades; 3. À mulher está reservada a sublime tarefa de ensinar os homens a amar. No entanto, estariam elas conscientes disso e exercendo com competência tão importante mister?; 4. Os abusos eróticos praticados em relação ao corpo da mulher em nada contribuem para a tão propalada autonomia feminina. A mulher-objeto, fruto do consumismo e da propaganda, deforma o perfil mais autêntico da feminilidade: o recato e a aparente fragilidade; 5. Algo está faltando na educação das mulheres, uma pedagogia avançada que as ensinasse como se preparar para o desempenho de suas tão nobres e variadas tarefas, sem quererem ser iguais aos homens e sem cair na vulgaridade do modelo sexual; 6. O sonho da mulher feliz e realizada passa necessariamente por sua independência edonômica, o que exigiria a superação consciente dos seus tradicionais estereótipos de dependência física e psicológica aos homens, o que não deixa de significar um desafio a ser colimado.
- ANTÔNIO CELSO MENDES, professor e membro da Academia Paranaense de Letras, Curitiba
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