Corrupção
As denúncias de corrupção na Universidade Estadual de Londrina (UEL) ‘‘surpreenderam’’ apenas os omissos e coniventes. Basta uma simples análise dos procedimentos eleitorais (ou eleitoreiros?) na UEL e nas demais Instituições de Ensino Superior (IES) no Paraná, que adotaram os mecanismos ‘‘democráticos de eleição direta’’ para reitor e outros cargos, e logo se conhecerão as deformidades produzidas pelas maravilhas da ‘‘democracia’’. Após o pleito vem a farra. Os cargos são preenchidos e as barganhas são feitas conforme as tramas teratogênicas antes e durante o processo eleitoral, dependendo do peso do cabo eleitoral cooptado. Assim, qualquer semelhança com as eleições em outras esferas não é mera coincidência, pois sempre há interesses econômicos e corporativos por trás da fachada da democracia.
Os conselhos superiores das IES são caricatos, pois normalmente apenas homologam os atos e as vontades do reitor. Que é, sem medo de errar, soberano. O reitor da UEL não conseguiu a reeleição de graça. Os procedimentos dos nobres conselheiros das IES são semelhantes aos dos órgãos legislativos nas diversas esferas governamentais, até no modo de tratar o parceiro. O que também não é mera coincidência. Com certeza, se os nobres colegas dos ditos conselhos superiores quisessem fazer uma limpeza embaixo dos tapetes das IES, muitas improbidades administrativas viriam à tona. Fica a pergunta: eles têm interesse nisto?
Desculpem-me o vice-reitor renunciante e o reitor ‘‘ficante’’, um por ter dito que foi enganado e outro por não saber quanto a UEL gastou em publicidade nos últimos quatro anos, mas R$ 2,4 milhões é uma soma razoável para ser torrada sem conhecimento dos seus administradores. Está escrito na testa dos administradores das IES que eles não atuam de forma transparente, só não lêem os que não querem: os alienados, os bajuladores ou quem usufrui das benesses do poder.
- UESLEI TEODORO, professor, Maringá
Frente de trabalho
A dinâmica do processo político aliada à crescente demanda dos cidadãos tem exigido de nós, legisladores, mais do que competência e eficácia. Precisamos legislar para o povo e em defesa de toda a população. As leis devem nortear nossas decisões, que ficarão registradas na vida de cada cidadão.
Novas leis são elaboradas a cada instante. A mais latente em nossos dias, a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), caminha de mãos dadas com a Lei de Improbidade Administrativa. Uma dupla dinâmica na caça às bruxas, daqueles que estão no poder. De que adianta então o poder se não o utilizarmos em benefício do povo, em especial dos mais humildes?
A LRF é a bola da vez do Terceiro Milênio. Engessa o administrador, limita suas ações, congela percentuais, define parâmetros. Muitos, porém, esquecem-se de que a Lei de Responsabilidade Fiscal só existe porque há geração de receita no município e a origem dessa receita advém do trabalho do homem.
E, no momento em que, para o bem do homem, precisamos de amparo legal e constitucional para lhe garantir a dignidade por meio do trabalho, as leis feitas pelo homem nos impedem de agir como administradores de gente humana. É o exemplo claro da Frente de Trabalho (FT) do município de Londrina. Criada em 1983 para socorrer trabalhadores bóias-frias desempregados em razão, na época, do excesso de chuvas na região, a Frente de Trabalho reúne hoje 1.950 funcionários e garante a sobrevivência de centenas de famílias.
Responsabilidade fiscal sim, mas sem deixar de lado a mais nobre missão de um administrador, a ‘‘responsabilidade social’’ para com o cidadão. Tudo o que fazemos – legisladores, juristas, auditores e promotores – e para quem fazemos só tem um sentido – o ser humano! Por isso, precisamos ousar em nossas decisões. Precisamos buscar, por meio de um movimento harmônico, soluções para o nosso povo. Soluções viáveis para a Frente de Trabalho.
O caráter exclusivamente legalista não pode se sobrepor às necessidades do nosso povo. Mais do que leis restritivas, esperamos soluções de vida e dignidade para a nossa gente. Essa sim é a nova lei que todos esperam.
- SANDRA GRAÇA, vereadora, Londrina
Sonhos
O ser humano, enquanto jovem, tem pouca coisa com que se preocupar. Os pais pagam as despesas como educação, saúde, alimentação, vestuário e diversão. Em casa, as mães providenciam o que comer, cuidam do bem-estar físico e enchem os filhos de mimos. Quando estes adoecem e necessitam de remédios, as mães estão sempre a postos.
Então sobra para os jovens muito tempo para sonhar e realizar suas vontades. Cabem a eles poucas responsabilidades, entre elas a de estudar, o que muitas vezes acarreta trabalho e dor de cabeça para os pais quando isso não é colocado em prática.
A partir dos 18 ou 20 anos os jovens começam a pensar no futuro profissional, na conquista de um emprego do qual possam fazer jus ao diploma que conquistaram e sonham em construir uma família. A esta altura, como adultos, já encaram com naturalidade as responsabilidades da vida e outras preocupações vão surgindo como, aluguel de casa, compras no supermercado, planos de saúde para a família, escola para os filhos. Nessa fase da vida, as preocupações os impedem de olhar para os lados. Os pensamentos caminham sempre em linha reta com um único objetivo: a prosperidade. Com tantas coisas a nos preocupar, pouco tempo sobra para sonhar.
Mas, depois dos 70 anos, como é o meu caso, há tempo de sobra para olhar para os lados e sonhar, mesmo que muitas vezes os sonhos não possam ser realizados. Há muito tempo venho sonhando com uma reviravolta na política para que possamos ser representados por pessoas sérias, responsáveis e sensíveis, que voltem seus olhares para o nosso Lago Igapó 3, que foi criminosamente aterrado, e o façam brilhar novamente dando abrigo aos peixes e proporcionando mais beleza para Londrina.
Pelas notícias que recebemos, parece que os responsáveis não sabem o que fazer com o Igapó 2, esvaziado para limpeza. Então me pergunto: se não sabem o que fazer com o Igapó 2, será que se lembram do Igapó 3? Como todos nós temos o direito de sonhar, ficarei à espera de que meu sonho se realize.
- WELLINGTON AMARAL SAMPAIO, Londrina
Cinema
O filme ‘‘Gaijin II’’ está prestes a se tornar uma realidade graças ao apoio da Folha de Londrina/Folha do Paraná, e em breve estaremos concretizando este projeto. A etapa de pré-produção inicia-se. Já estamos definindo as locações, elenco e o contrato de distribuição nacional e internacional. Em dezembro começaremos as filmagens e no segundo semestre de 2002 faremos o lançamento. Queremos ser indicados a conquistar o Oscar de 2003 de melhor filme estrangeiro. Só vamos conseguir alcançar isso se pudermos continuar contando com vocês. Agradecemos mais uma vez o grande apoio de sua empresa.
- TIZUKA YAMASAKI, diretora e FÁBIA TANABE, gerente de Captação, Curitiba/São Paulo
Correção
Reportagem publicada na página 1 da Folha Economia sob o título ‘‘Dólar comercial argentino encarece produto brasileiro’’, na edição de ontem, contém incorreção. O certo é ‘‘...o dólar para a importação valerá no início US$ 0,92, enquanto para a exportação será de US$ 1,08.’’
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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