O LEITOR ESCREVE
Corpus Christi
Enquanto comiam, Jesus tomou um pão e, tendo pronunciado a bênção, partiu-o, distribuiu aos discípulos, e disse: Tomem e comam, isto é o meu corpo. Em seguida, tomou um cálice, agradeceu, e deu a eles dizendo: Bebam dele todos, pois isto é meu sangue, o sangue da nova aliança, que é derramado em favor de muitos, para a remissão dos pecados. Assim o evangelista Mateus narra o grande mistério que hoje os católicos celebram: Cristo vivo e presente no pão e vinho consagrados. Mistério é algo que vai além da nossa capacidade intelectual. A presença eucarística do Senhor será um mistério para sempre, porque criatura alguma poderá compreender o amor do Deus que se faz alimento e se doa a todos para que a humanidade tenha vida. As ações de Deus são gratuitas.
Deus age porque ama e por isso não só dá o que tem, mas se dá completamente. Jesus, na eucaristia, perpetua sua doação total por nós na cruz. Façam isto em memória de mim, termina Lucas, na descrição da mesma ceia. E assim o fizeram os apóstolos e as primeiras comunidades cristãs, como bem o descreve Paulo na primeira Carta aos Corintos. Assim nós o fazemos hoje, através de cada missa. Mas a Eucaristia não é somente uma celebração, um memorial do amor de Deus para conosco. É também um convite: façam isto em memória de mim.
Conversando com alguns agentes comunitários, eles me contavam como é difícil criar a mentalidade da partilha, porque partilha significa somente ter menos e não se percebe a dimensão do bem comum. O Brasil é, para o mundo, um exemplo gritante desta constatação: nossa Pátria nunca foi tão rica e, ao mesmo tempo, nunca conviveu com tanta desigualdade entre seus filhos causada pelo acúmulo da riqueza nas mãos de poucos. Façam isto em memória de mim é viver a solidariedade.
Somos solidários quando damos, ao que não tem, aquilo que nos sobra. Somos cristãos quando damos ao outro também aquilo que nos é necessário, como Jesus nos ensina. Façam isto em memória de mim é um apelo dirigido a todos nós. Dar não é só um gesto imediato em favor de quem nos pede algo. É muito mais, é saber participar constantemente das alegrias e das tristezas da própria família, da comunidade religiosa e do bairro, é ser sensível aos sinais de morte espalhados por toda a parte e apoiar o conselho tutelar do menor, o conselho municipal da saúde, a pastoral da criança, as iniciativas contra o uso das drogas, enfim apoiar os que fundamentam uma política que possibilite o bem comum. Que nesse dia de Corpus Christi realizemos as palavras de Jesus: Façam isto em memória de mim.
- DOM FERNANDO JOSÉ PENTEADO, bispo de Jacarezinho
Parceria
Por iniciativa do vereador Leonilso Jaqueta, vimos cumprimentar a Folha pela parceria firmada com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), que permitirá o acompanhamento diário das atividades desenvolvidas pela Assembléia Legislativa do Paraná com grande benefício à população, que assim poderá conhecer o trabalho dos deputados do nosso Estado.
- TERCÍLIO LUIZ TURINI, presidente e HÉLIO DE OLIVEIRA CARDOSO, 1º secretário da Câmara de Vereadores, Londrina
Sercomtel Celular
Após meses de discussão nos bastidores do poder sobre a venda da Sercomtel Celular, a administração municipal de Londrina esboça, tardiamente, tentativas de publicizar o debate. Depois de perder pouco mais de cinco meses patinando numa direção politicamente equivocada, a administração quer nos convencer de que uma possível desvalorização da empresa seria de responsabilidade daqueles que prezam pelo processo democrático. Parece-me que este governo, contrariamente aos princípios de descentralização do poder e de participação democrática que julgo serem do PT e desprezando o potencial político legitimamente capitalizado de uma eleição tão vitoriosa, apresenta-se como uma administração arredia ao debate público.
Desde que se iniciou esta gestão, tempo houve para a organização de um plebiscito. Talvez o que tenha faltado seja coragem política, pois, da forma como vem ocorrendo o processo, parece-me que o risco temido não é, de fato, a desvalorização econômica, mas o desgaste político.
Vale ressaltar que na tradição democrática, na qual se inclui o PT, sempre se soube que a democracia não é a forma mais ágil de governar. O valor da democracia é a participação cidadã. A agilidade sempre foi um valor para governos déspotas, que a usam como pretexto para legitimar a centralização na tomada de decisões. Acredito, contudo, como petista que sou, que este governo possa retomar os trilhos de uma administração popular, democrática e cidadã. Se assim também o deseja essa administração, então, que venha o plebiscito.
- SILVANA APARECIDA MARIANO, socióloga e servidora municipal, Londrina
Reciclagem
Um estudante do 2º grau me pediu endereços de empresas que compram material reciclado como papel, vidro, alumínio e plástico. Entusiasmado, ele falava que se tratava de uma gincana ecológica para juntar dinheiro destinado a instalação de um laboratório na escola. Como não ajudá-lo de imediato? Porém, sem resposta pronta, iniciamos uma longa conversa telefônica. Ética, carrinheiros de lixo, função da escola, como conciliar tudo isso com a boa causa do laboratório? É ético tirar o ganha-pão de um carrinheiro? Discutir reciclagem só quando se trata de uma gincana na escola ou dá para ganhar dinheiro? Tem outra maneira dos alunos ganharem dinheiro e aprender a reciclar? Que tal uma campanha de evitar desperdícios? Como economizar luz, água, material escolar e de limpeza? Quanto essa economia vai significar do ponto de vista financeiro e de aprendizado na escola sem prejudicar o conteúdo programático?
Quanta criatividade poderá ser despertada! Que tal os alunos se empenharem numa auditoria ambiental na escola com o desafio de conseguir dentro dela economia suficiente para realizar o sonhado laboratório? Quanto aos resíduos gerados e selecionados, por que não dar a quem depende deles para sobreviver? Lixo limpo, separado de acordo com a necessidade do carrinheiro. Será que com isso não vamos ter um retorno bem maior, incentivando o aprendizado ambiental e social dos alunos, melhorando a função e imagem da escola?
Infelizmente, a realidade é que, na ânsia de coletar latinhas para ganhar uma gincana, o aluno dá um jeito de amassar a latinha com um pouco de areia ou líquido para ganhar no peso e vencer a outra turma. Preocupada em ter deixado o estudante confuso ou de direcioná-lo demais no meu raciocínio, terminamos a conversa com a proposta de levarmos a discussão para os colegas, o professor e a direção da escola. Quem sabe outros pontos de vista surgirão?
- RUTH BARBARA STEIDLE, agricultora, Rolândia
Correção
- Na manchete da página 5 de Folha Economia de ontem há um erro: ao contrário de eletrecitários, leia-se eletricitários.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





