Título (1)
No linguajar político que circula, há o pressuposto de que a Câmara Municipal é a cara da sua população, mas a população, certamente, pode não concordar. Como a divulgação das suas atuações, principalmente as negativas, é uma constante na mídia, o cidadão comum pode não aceitar a idéia de ser feio e reverte essa afirmação alegando que a Câmara enfeia a cara da população, quando deixa de ser efeito e passa ser causa, por atuar fora dos parâmetros do bom senso e da racionalidade.
Vamos especular que em uma Câmara qualquer, um edil, certamente não o mais brilhante, na busca de dividendos políticos ou talvez, querendo se colocar sob refletores globais, resolva homenagear um forasteiro, recém chegado e bem sucedido narrador esportivo de TV, com o honroso título de cidadão honorário.
Imaginando que a idéia dos refletores tenha sido simpática à maioria, a Câmara, num momento infeliz, aprova o projeto, sem se importar com o prefeito, que não contando com o benefício do anonimato, terá que vetar ou sancionar o triste projeto. Certamente aqueles que votassem de forma favorável teriam, claro, a lembrança de consultar o simpático homenageado, pois ele poderia não se julgar merecedor de tal honraria e com razão não se predispor a pagar, constrangido, um mico de tal envergadura.
Voltando à realidade, reconhecendo que conceder títulos ou dar nomes às ruas não está entre as atribuições essenciais de uma Câmara, mesmo assim nos é dado lembrar dos nossos pioneiros, heróis em tempo integral, responsáveis diretos por quese tudo que hoje usufruimos em nossa cidade. Homenageá-los é justo e perfeito, a comunidade fica feliz e bonita, a cara da Câmara toma os contornos sérios e responsáveis que todos dela esperam, até mesmo para justificar a sua existência.
- CARLOS ROBERTO MIRANDA, industriário, Londrina
Título (2)
Esse título de cidadão honorário não é para pessoas que fizeram algo de positivo ou deixaram a sua marca na comunidade ao longo do tempo? Como por exemplo as famílias Garcia, Fuganti, Mayrink Goes, Vezozzo, Antônio F. Sobrinho, e tantos outros desconhecidos que fundaram essa cidade e que também deixaram suas marcas no chão vermelho de nossa terra? Agora, nossa Câmara está muito ‘‘irada’’ mesmo, como diz uma personagem na Escolinha do Professor Raimundo. Galvão Bueno é piada, não é?
- NATANAEL DOS SANTOS, garçom, Londrina
Saneamento
Acabo de me mudar para o bairro Maria Lúcia, no final da Avenida Vicente Bocuti, em Londrina. Um lugar gostoso de se morar! entretanto, fiquei abismado ao saber que o bairro tem aproximadamente vinte anos e ainda não tem rede de esgoto. Outro dia liguei na Sanepar e fui informado que, embora o bairro esteja na ordem do dia para receber tal benefício, a concessionária está dependendo de empréstimo para a execução da obra. Levei outro susto, por saber que, executando-se a rede naquele local, todo esgoto será levado para tratamento na Estação Lindóia. Aliás, quem sou eu para perguntar por que, já que é grande a distância entre os bairros?
Fui informado por moradores mais velhos no bairro, que essa obra já esteve várias vezes por se iniciar, e com essas informações que tenho nessa data, presumo que essa proteção vai até quando não se sabe. Entretanto, penso nas razões desse financiamento, já que, como um usuário da Sanepar que gasta entre 10 e 20 metros cúbicos de água mensal, e paga rigorosamente em dia a fatura correspondente: será que o dinheiro arrecadado na cidade é para pagar funcionários? Ou existem obras subterrâneas que não vemos?
Nosso bairro já está cansado de tanto ser enrolado com essa obra. Se o serviço fosse a fundo perdido, já não concordaríamos. Imagine se pagamos!
- RONALDO GERARD, Londrina
Vestibular
Não só admito como também sofro com o fracasso do ensino na rede pública. Concordo que devemos lutar por um ensino de qualidade, mas mesmo conseguindo modificá-lo, os nossos vestibulandos continuarão ‘‘levando bomba’’, pois o vestibular está cada vez mais distante da realidade. Um bom exemplo disso são as obras literárias pedidas pela UEL. Já que o vestibular quer analisar e classificar de acordo com o ensino fundamental e médio, por qual razão há filosofia, sociologia e artes na prova? Estas matérias estão sendo ministradas? Será que os formuladores das provas não sabem disso?
Discordo da projeção da professora Márcia Bastos de Almeida, feita no dia 25 de maio na Folha, que ‘‘se considerarmos as ligações comerciais do professor Bordin com cursinhos da cidade somos tentados a pensar que os referidos alunos são oriundos de escolas particulares’’, pois a maioria das pessoas que faz cursinho pré-vestibular nos estabelecimentos onde o professor/vereador Bordin leciona e/ou tenha relações comerciais provém de escolas públicas.
Muitos destes alunos, além de trabalharem, têm participação indispensável para quitar as despesas da família. Isso faz com que este aluno fique cada vez mais distante de uma vaga em universidade pública.
É absurdo nomear os pré-vestibulandos, que foram à Câmara ou que apoiaram a ida, de ‘‘puxa-saco’’ do professor e vereador Bordin, simplesmente pelo fato de estarmos lutando por nossos direitos. Quem paga impostos no Paraná, são os paranaenses, ou seja, só deveriam usufruir da universidade estadual os paranaenses. Vamos mostrar-lhe que o ‘‘barulho’’ não é falta de senso crítico, pelo contrário, cansamos de ser ‘‘massa amorfa’’ e começamos a cumprir com os nossos deveres de cidadãos.
Estou em desacordo com a última frase da professora, porque ninguém sabe tudo, e antes de querer humilhar-nos com sua ‘‘filosofia’’, aprenda primeiro que para construir o teto, precisamos erguer as paredes. Necessitamos é de soluções que se efetuem a curto prazo, pois aproximadamente 87,5% dos alunos de Medicina são de outros Estados e cada um deles usa do nosso ‘‘bolso’’ cerca de R$ 10 mil anualmente. Estamos prontos para a batalha: antes bairristas a hipócritas. Afinal, vivemos ou não em uma democracia?
- PRISCILA CASSOLLA, estudante e auxiliar de escritório, Cambé
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