Meio ambiente
Passamos pela Semana do Meio Ambiente com a clara sensação de que estamos diante de alguns impasses que a nossa sociedade herdou ao longo de milhares de anos de exploração indiscriminada do nosso Planeta. O homem que se tornou sedentário e deu início às comunidades organizadas não conseguiu anular por completo sua tendência à predação. Após tantos milênios de maus-tratos, a natureza pede socorro.
Vemos que as questões que envolvem a água são basicamente a poluição excessiva, o lixo e o desmatamento. Começamos a sentir o perigo da escassez crescente da água potável que se constitui no momento, somente a 1% de toda água existente no Planeta. A água e energia estão virando assuntos polêmicos na política atual, mas antes de qualquer atitude que denote a falta de posicionamento preciso e transparente das entidades governamentais, nossos rios estão deixando de ser a seiva que traz abundância e fartura à Terra. Eles estão doentes, intoxicados, febris, como ‘‘leitos de morte’’. A sociedade necessita se cotizar para reduzir o lixo, a poluição e o desmatamento.
Precisamos reivindicar das autoridades governamentais uma política séria de preservação do meio ambiente através da educação ambiental nas escolas de forma mais ativa e competente. Nossas crianças aprendem melhor e mais rapidamente do que imaginamos. Precisamos conscientizá-las de que os espaços de lazer a que elas têm direito, precisam ser limpos e asseados para evitar doenças de qualquer natureza. Esses lugares de lazer que, na maioria das vezes são fundos de vale, e que poderiam beneficiar as comunidades ao redor, também através das minas de água tratadas e limpas, vivem cheios de entulhos, lixo ou de sujeira.
Cada cidadão que frequenta essas áreas deve ser responsável por sua limpeza e preservação. O lixo produzido precisa ser reciclado e, para tanto, torna-se necessária a coleta seletiva de forma intensa. Existem muitos exemplos de formas bem-sucedidas de reciclagem gerando lucro e emprego.
Entramos no novo milênio enfrentando os problemas de séculos de descaso para com a Mãe-Natureza. Nossa civilização ‘‘tão evoluída’’ está começando a compreender que ela, a Natureza tem suas próprias leis e o desrespeito a essas leis está comprometendo a sobrevivência humana no Planeta Terra.
- CESAR BALLAROTTI, presidente da Pastoral do Meio Ambiente, Londrina
Acordo
Mais uma vez, o governo de FHC, depois de fragorosamente capitular diante do FMI, agora cede espaço do território nacional para os Estados Unidos em Alcântara (MA). Utilizando um título que mascara a verdade, chamado de ‘‘Acordo de Salvaguardas Tecnológicas entre Brasil e EUA’’, damos e propiciamos a oportunidade tão desejada à potência nórdica: fincar um pé à beira da Amazônia, para internacionalizá-la. Aliás, esse processo está em curso e com a colaboração de ‘‘seitas religiosas’’, que ocupam, por meio de pseudoprogramas ambientais, parte daquela região.
O pior é que o ‘‘acordo’’ já foi assinado no ano passado e cabe ao Congresso ratificá-lo, ou não. Nesse ‘‘acordo’’, o Brasil autoriza: A) A instalação de uma base norte-americana, conferindo-lhe status especialíssimo, dentro do que é o território nacional; B) Seu texto refoge a todos os outros que o Brasil já assinou em 500 anos de sua história; C) É suspeito tudo o que foi concedido em troca de uma pseudocolaboração científica, que é dirigida, programada, ministrada e manipulada pelo governo alienígena, não passando os técnicos brasileiros de marionetes; D) Adota uma redação propositadamente confusa e elástica, dá-se uma porção de nosso território para ser utilizada como suporte para o lançamento de ‘‘foguetes, veículos e cargas úteis por meio de veículos espaciais’’.
Quem garante que os americanos, que cercarão a área, não permitirão inspeção e, mesmo esta, vai ser desmoralizada porque, ou se jogarão com cartas marcadas ou, simplesmente, será uma comédia. Além do mais, vergonhosamente, os americanos proíbem que as migalhas que nos darão pelo uso e gozo do nosso território, não poderão ser utilizadas em pesquisa no mesmo campo aeroespacial. É incrível que ministros brasileiros se prestem a assinar documento tão vergonhoso, que enodoa seu nome, denota um servilismo e põe à calva a gravíssima herança que esse governo vai deixar para a geração futura.
Quero lembrar a todos os brasileiros: exijam a demissão dos que traem a pátria, porque os americanos farão em Alcântara o que foi feito no Panamá: vão minar a área, fazer exercícios usando produtos nocivos por dezenas de anos e vão degredar uma área que é patrimônio da humanidade. Acorda Brasil!
- JAYME VITA ROSO, Conselheiro da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB), do Instituto dos Advogados de São Paulo (IASP) e da Federação Interamericana de Advogados (FIA), São Paulo
Radares
Em um filme bíblico, um soldado romano exclamou: ‘‘Interessente! Há instantes essas mesmas pessoas imploravam, gritavam e pediam a crucificação e a morte de Jesus Cristo, agora, os mesmo choram e lamentam?’’ E assim caminha a humanidade e fatos idênticos se repetem todos os nossos dias. Vejo com preocupação a população da nossa cidade apoiando a idéia de se instalarem os radares pardais nas principais ruas de Apucarana. A idéia é antipática. As ruas devem ser sinalizadas, com objetivo único de proteger vidas e conscientizar o nosso povo humilde, para não sermos assaltados pela indústria da multa, os tradicionais alçapões, arapucas e caça-níqueis que existem, como já são conhecidos nas grandes cidades, e comprovada que a única utilidade é multar.
Em 1995, levei duas multas em Londrina e protestei em todos os grandes jornais do Brasil. A multa absurda de 34 km/h, uma velocidade de trator que tornou a cidade de Londrina indesejável para mim. Hoje, Londrina e Cascavel, num ato de responsabilidade, retiraram as lombadas eletrônicas e as cidades passaram a ser belas novamente. Não quero que nossa cidade de Apucarana, hospitaleira, torne-se uma cidade antipática. Mas enquanto isso, se aprovado e instalados os radares, os mesmos que hoje apóiam e vibram com essa criatividade indesejável pela maioria, certamente amanhã irão gritar e chorar quando meterem a mão nos seus bolsos.
- OSMAEL CHIAVELLI PUGA, Apucarana
Dólar
Com o propósito de estimular o crescimento da economia, Bush propôs e o Congresso ianque, sem nenhum rolo compressor governista, vem de aprovar a redução retroativa dos impostos em US$ 1,3 trilhão. Igualmente nos EUA, os juros básicos, com aquele mesmo objetivo, já foram reduzidos em três ou quatro vezes nesse ano e estão em 4% ao ano, sendo essa a tendência em todo o mundo civilizado.
O Brasil, contudo, é a contramão do mundo e, desse modo, o que aqui testemunhamos, com igual frequência, são os aumentos dos impostos e demais tributos, em concomitância com os aumentos dos juros básicos, agora em cerca de 17%, o que representa, aliás, parcela mínima dos que pagam, no dia-a-dia, tomadores e prestamistas.
De tudo isso e, ademais, da crise energética, tão súbita e grave que mais parece mentira, resulta a irreversível disparada do dólar, que, como os juros altos, faz crescer a olhos vistos nosso endividamento.
E como o ‘‘governo’’ tenta conter o dólar com a venda de dólares, que é como vender o sangue de um anêmico, e com o lançamento de mais títulos dolarizados, US$ 3 bilhões em 24 e 25 de maio, estamos fritos.
- ALCINDO NOLETO RODRIGUES, juiz aposentado, Brasília
Correção
A relação das posições dos carros publicada na chamada de primeira página da Folha de ontem refere-se aos treinos livres, realizados pela manhã em Montreal, para o GP do Canadá de F-1. Já as posições trazidas na página 11 foram marcadas nos treinos da tarde. A Folha pede desculpas aos leitores pelo desencontro de informações.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

mockup