O leitor escreve
Doação e preconceito
Apesar das constantes campanhas através dos meios de comunicação para doação de órgãos, o preconceito ainda é muito grande. Depois de longa batalha de hospital em hospital à procura de um doador, ouvi fatos emocionantes, tão tristes quanto o meu. Em determinado hospital de Londrina, duas famílias choravam por um mesmo sentimento: a perda de um filho - um, em morte cerebral, outro porque a família se recusou em fazer a doação de órgãos, ambos acabaram morrendo e todos continuaram chorando.
Ainda que no anonimato, agradeço em primeiro lugar a Deus e à família de um jovem doador que saudavelmente perdeu a vida tão precoce. Uma das córneas vai continuar vivendo na minha família. Sou grata à equipe dos médicos Francisco Campiolo e Osman Ferraz que, numa missão sublime, tentam amenizar o sofrimento dos que precisam. É compreensível a dor daquele que perde um ente querido, mas é necessário deixar o preconceito, fazer doação de órgãos, encaminhando ao Hospital Universitário de Londrina, amenizando o sofrimento daqueles que aguardam na fila para continuar vivendo. Doar é preciso.
- MARIA APARECIDA ZIRONDI WAGNER, Londrina
Horário do comércio
A aprovação, pela Câmara de Vereadores de Campo Mourão, de lei municipal que torna livres os horários do comércio no município é um alento e um precedente para todos os que, como nós, da Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL), lutamos para tornar a realidade de nossas empresas mais moderna e competitiva. As constantes mudanças sofridas pela economia brasileira, determinadas pelo incontestável processo de globalização, nos obrigam a uma adequação séria e decidida.
Não podemos mais pensar o funcionamento de nossas empresas dentro de um modelo de décadas atrás. O mundo caminha para a adoção de novas regras em praticamente todos os segmentos e, no comércio, não poderia ser diferente. A comodidade do consumidor passa a ser uma lei capital para o futuro de todos os setores. E os horários, engessados hoje em leis arcaicas, são um grande impedimento para atingirmos a modernidade.
A decisão dos vereadores de Campo Mourão foi muito feliz e, acima de tudo, servirá para que o município esteja pronto para o futuro que já começamos a viver. É um exemplo que deveria ser seguido por todos os legisladores, administradores públicos e líderes empresariais do Estado. Em Londrina caminhamos com esse objetivo e já obtivemos pequenas vitórias. Mas ainda estamos distantes do que, a nosso ver, seria o ideal: a liberalização total dos expedientes empresariais. Que Campo Mourão seja para nós a comprovação de que mudanças profundas são possíveis. Basta que tenhamos ousadia.
Digno de ser ressaltado, também, é o editorial da Folha desta sexta-feira (1º de agosto), tratando da aprovação do projeto de lei pelos vereadores de Campo Mourão. A visão do Jornal, que em seus 48 anos de existência acompanhou de muito perto a realidade econômica e produtiva do Paraná, é extremamente aguçada. E contribui para que o tema seja adequadamente discutido e difundido entre os formadores de opinião. Com esta postura, a Folha tomou partido da produção.
- ABÍLIO MEDEIROS JÚNIOR, presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina
Ordens judiciais
Estamos nos deparando, dia a dia, com situações que representam os maiores problemas sociais já enfrentados pelo Brasil. As ordens judiciais, especificamente para desocupação de imóveis, ao invés de solução (efetiva aplicação do direito), têm-se tornado espécie de problema no momento do cumprimento. Ordens judiciais-problemas? Uma contradição, pois resultam de questão submetida ao Poder Judiciário, que apreciou fatos e tomou decisão, reconhecendo o direito aplicável à espécie, necessariamente fundamentadas e amparadas pelas normas constitucionais.
Na ótica do dever-ser das coisas, na atual sistemática: Conheceu o direito, cumpriu-se a ordem. Diversos aspectos sociais complexos dificultam essa conclusão óbvia. Quando não é cumprida a ordem judicial, temos direito reconhecido sem a espada. Quando cumprida a ordem, com uso da força pública, em caso de destinatários renitentes, temos repercussões politicamente indesejáveis (eventuais mortes, aparente clamor público e repúdio). Enfim, as coisas são postas de forma a fazer parecer ao povo que o expedidor da ordem legal e os que agem no seu cumprimento, são mandantes e frios carrascos na acepção vulgar.
A prosseguir esse estado de coisas e esse crescente grau de desinformação generalizada da sociedade brasileira, teremos em breve integrantes da força pública se recusando ao cumprimento de quaisquer ordens judiciais, temendo execração pública e embaraços pessoais. Imagino como deve se sentir um juiz de Direito chegando para jantar, no recesso do lar, sendo cobrado por um filho: O senhor deu aquela ordem para desocupar o conjunto das cruzes mortas e o noticiário mostrou que morreram várias pessoas... ou, identicamente, com relação aos que participam diretamente no cumprimento: ...papai, vocês mataram pessoas?...
Não existindo direito contra direito, a Nação tem que decidir urgentemente: ou fica com a caótica desobediência civil ou opta pela legalidade.
- ELIAS MATTAR ASSAD, presidente da Associação Paranaense dos Advogados Criminalistas, Curitiba
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