O LEITOR ESCREVE
Medidas Provisórias
As famigeradas Medidas Provisórias estão de volta. Aliás, nunca saíram da pauta desse governo. Dessa vez, uma foi usada para suprimir alguns artigos do Código de Defesa do Consumidor que na prática vai impedir que o cidadão lesado pelo apagão acione judicialmente as distribuidoras de energia.
O governo precisa deixar a arrogância dos intelligentzia de lado e consultar mais o povo, os empresários e especialistas em energia e admitir, de maneira cabal, o erro na condução de sua política de privatizações, responsável pela falta de investimentos na geração e transmissão de energia. Que além de provocar o racionamento, também poderá causar a demissão de milhares de trabalhadores e produzir imprevisíveis prejuízos ao País.
Segundo alguns juristas, a irresponsabilidade do governo é caso de impeachment. Pode até ser, mas é importante agora a opinião pública não cochilar, senão corremos o risco de entrar para a história não como o país do apagão, mas como povo apagado.
- ANTONIO SÉRGIO NEVES DE AZEVEDO, engenheiro, Santa Cruz do Monte Castelo
Salário policial
Os servidores públicos de São Paulo não têm reajuste salarial há tempo. Como sobreviver honestamente sem salário que propicie alimentos de qualidade aos familiares? Como o policial pode ser cobrado pela sociedade? Ação eficiente contra o crime se está em dificuldades financeiras? Com problemas em casa, como pode ter cabeça para prender bandidos? A conta de água sobe 13%, na energia elétrica colocam sobretaxa, pedágios proliferam; a inflação, apesar de baixa em sete anos é volumosa. Pedir a reparação salarial em torno de 40% é mais que justo, mas insuficiente para dignificar a família do policial. A sociedade paga por este descaso governamental, o combate ao crime fica comprometido, o policial fica psicológica e fisicamente debilitado. A sociedade desprotegida!
Policial honesto é discriminado, pois a corrupção é prática geral na corporação. Pegam o dinheiro de traficantes, e dividem entre muitos policiais. Nenhum gosta de sair com policial honesto, pois impede a ação de sobrevivência. A televisão denigre a imagem do policial, mostra as mazelas da polícia, mas não esclarece a raiz do problema, o salário insuficiente. Caso paguem um salário digno, duvido que os policiais agiriam da forma com que foi elaborada a reportagem. Policial disse que eles vivem no submundo. Cadeias superlotadas, transformam delegados e investigadores em carcereiros. O crime no Estado de São Paulo não pode ser investigado, é um prato cheio para a impunidade e para a proliferação criminal.
Sou amigo de alguns policiais, estou elaborando um projeto de reforma da polícia no Estado, para ajudar com idéias. Pergunto o que o ser humano policial necessita. Claro que muitas mazelas são conversadas. Segurança pública deve ser uma prioridade do Estado, a sociedade não aguenta mais tanta violência, os índices de criminalidade estão crescendo vertiginosamente. O policial está impotente para combatê-lo, faltam equipamentos adequados, carros ágeis, e o salário impossível de ser admitido. Na reportagem, o policial disse que podem receber até vinte vezes, nas ruas, o salário que o governo paga. Só trouxa não pega! Será que podem mostrar o valor do salário do policial? Em destaque?
- FERNANDO MARREY, advogado, São Paulo
Denúncias
O ex-senador ACM se porta como aquele velho empregado da empresa que ao ser mandado embora, diz: Eu fui um bom empregado, nunca faltei, fui honesto, responsável. Mas agora que estou saindo vou contar tudo o que acontecia por aqui: o chefe sonega, o gerente desvia, a secretária prepara a lista, que todos sabiam, e também chegam atrasados apesar que no Senado ninguém tem dia, muito menos hora para chegar. ACM dispara para todos os lados. Pergunto: por que não fez as denúncias quando tinha o poder e o emprego?
- ROBERTO TEIXEIRA, empresário, Londrina
E o meu troco?
Moro em Jaguapitã, a aproximadamente 60 km de Londrina, e utilizo frequentemente os ônibus da Viação Ouro Branco para voltar para casa. Como usuário desse meio de transporte, tenho uma importante reclamação com relação ao troco da passagem. Como as passagens têm valores muito fracionados, sempre ficam para trás, nos guichês, alguns centavos. No meu caso, sempre perco R$ 0,03. Parece pouco, mas, de acordo com as informações da página da empresa na Internet, são transportados anualmente 3,6 milhões de passageiros, e se cada um deles deixar de receber R$ 0,03 como eu, seriam R$ 108.000 ao ano.
Tomei o cuidado de realizar uma pesquisa e descobri um ônibus da Volks, ano 98/99, com ar condicionado, sendo vendido por R$ 90.000. Com os R$ 108.000 daqueles centavos que nós nem fazemos questão de receber, a empresa poderia comprar esse ônibus e ainda sobraria dinheiro.
A situação fica ainda pior quando a passagem é comprada no próprio ônibus. Há duas semanas, em uma das minhas viagens, o cobrador disse a um homem que não tinha R$ 1 para dar de troco. Não presenciei como terminou o episódio, pois desci antes daquele passageiro, mas provavelmente ele não viu seu dinheiro.
Escrevi para alertar as pessoas, pois estão sendo lesadas, não apenas pela Viação Ouro Branco, mas pela maioria das companhias de ônibus que se utilizam dessa prática, e posso garantir que não são poucas.
- ANDRÉ REINALDO ACORSI, universitário, Jaguapitã
Resposta
A Viação Ouro Branco S/A tem como objetivo maior de seu negócio a satisfação do seu cliente. Ao longo de seus 53 anos de existência no mercado de transporte de passageiros, vem trabalhando e conquistando espaço com idoneidade, honestidade e competência. E como resultado desse trabalho tem oferecido aos clientes veículos novos, serviços diferenciados e atendimento qualificado. Diante desse fato, não há interesse da empresa em lesar ou praticar atos desonestos com seus clientes, dado à grande importância deste para o crescimento da empresa.
Esclarecemos ainda que a questão do troco em centavos é uma dificuldade do mercado atual, onde nem mesmo bancos possuem moedas de R$ 0,01 ou de R$ 0,05 suficientes para fornecer ao comércio. E como é de conhecimento, a Viação Ouro Branco S/A tem um número significativo de passageiros transportados diariamente não sendo possível atender a todas as linhas com troco suficiente de R$ 0,01 e R$ 0,05. Muitas vezes a empresa tem que devolver troco em valores maiores, ficando assim com esse déficit.
A Viação Ouro Branco S/A está totalmente aberta para receber sugestões e reclamações de seus clientes, não só com relação a esse problema do troco, que causa transtornos à empresa e a muitos outros comerciantes de todo País, e até mesmo ao governo, mas também outras sugestões para que possamos melhorar ainda mais o atendimento de nossos clientes.
- CARLOS ROBERTO GALDIOLI NÓBREGA, diretor da Viação Ouro Branco S/A, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





