O LEITOR ESCREVE
Escândalos (1)
Na noite do dia 29, assistia à TV meditando sobre as safadezas de leis eleitorais que facilitam de modo quase seletivo a espertos e aprendizes de feiticeiros essas impunidades parlamentares, esse palco de escândalos em que se transformou o Congresso. Pela enésima vez, perguntava-me como tais disparates um dia serão punidos e evitados, se são esses políticos mesmos que propõem e cuidam de negociar as leis, que deveriam evitar atos ilícitos, e propiciar ao Poder Judiciário medidas apropriadas e exemplos punitivos.
Não creio que ninguém soubesse no Congresso sobre a sujeira que estava sob o tapete. Percebo que assistimos a guerras tribais de inimigos, vestindo a fantasia de uma legalidade que é confortável, na medida em que pulveriza adversários de profissão, e apenas lhes abre a vez de mando, e dos desmandos que os caracteriza, com as exceções de praxe.
No horário mais caro, aparece a bandeira paranaense, e nossa grana passa a pagar a figura do governador, a se autopromover, moendo esses impostos tão mal usados, para salvar o seu tostadíssimo pêlo. Esse povo não tem compostura mesmo, nem o menor respeito por quem lhes paga suas aventuras políticas e suas incompetências. Ponto para a mídia, que fica com nossa grana. Zero para ele, que além de discutível seriedade, é péssimo ator de TV.
Às vezes não acredito que em seis curtos anos, o governador tenha viajado umas quarenta vezes para lugares onde há respeito à cidadania e verdade, onde o sistema educacional é sério, onde ninguém fecha 420 escolas sem correr o risco de ser indiciado, onde uma estrada inaugurada há uns dois anos se desfaz como areia (é só ir de Telêmaco Borba a Tibagi), onde se paga taxa rodoviária e as estradas estão um escândalo. Das duas uma: ou vai lá e vê que as coisas são diferentíssimas do que ocorre aqui no seu governo, ou então, vai lá do mesmo modo que todos os outros nossos políticos, diverte-se, volta e tenta esnobar, como se isso fosse uma tribo de alienados.
Essas figurinhas todas que não dão paz nem nos momentos de descanso dos que trabalham e pagam seus despropósitos, confirmam triste verdade: lobo não come lobo. Desisto. São profissionais, e a regra do jogo sadia não é.
- LINCOLN BRASIL E SILVA, Londrina
Senado (2)
O Brasil ficará definitivamente marcado pelo dia 30 de maio de 2001. A história registrará como o dia em que se deu o primeiro passo concreto por mudanças. Faço parte daqueles que ainda têm esperança que este País há de mudar para melhor. Ao abrir a Folha, pude vibrar ainda mais ao ler o artigo do jornalista René Ruschel, Aprendendo com a crise, quando ele inteligentemente escreve que a tigrada cansa de levar chibatada no lombo e uma hora a casa cai. Parabéns à Folha, parabéns René. A tigrada agradece.
- VALÉRIO RUGIK, sociológo, Curitiba
Senado (3)
Os senadores ACM e Arruda foram crucificados por serem os primeiros a ter acesso ao resultado de uma votação secreta. Serviram de exemplo como Tiradentes e muitos outros que são exemplos àa nossa Nação. Mostraram lá fora que aqui no Brasil a lei é cumprida ao pé da risca, que aqui não se dá moleza, e se outros assim fizerem também serão punidos. ACM e Arruda foram os primeiros e os últimos a fazerem uma coisa dessa! Não foram?
- CASSEMIRO DE MEIRA GARCIA, Santa Cruz do Monte Castelo
Senado (4)
Sai a lista de ACM, entra a lista de punição da PM. Discute-se a aprovação da CPI da Corrupção e inicia-se a abertura de inquérito em universidade pública. É notória a popularização de listas: da corrupção e da decadência da administração pública em nosso País. Nossas atenções se desdobram entre tantas informações lamentáveis. Parece que o País foi tomado por uma competição insignificante, onde cada um pretende esquivar-se mais que o outro.
Resta-nos saber quando sairá a lista dos brasileiros que assistem a tudo sem direito a voto. Principalmente aqueles que por motivos que o governo finge desconhecer não fazem nem a lista do supermercado. Entre boatos e verdades, a única coisa de que temos certeza é que o velho ditado popular o último a sair apaga a luz, mas uma vez deve fazer sentido apenas para as classes menos favorecidas.
- ANA CRISTINA PEREIRA, universitária, Londrina
Senado (5)
Manipulador habilidoso de todas as manhas dos bastidores políticos, senador experiente. Após seis anos de presidência, FHC não sabia que seu líder no Senado violava o painel de votação que lhe garantiu tantas espetaculares vitórias?
- PAOLO MARANCA, pintor, São Paulo
Educação física
Neste momento, não questionar o impasse histórico que vive a educação física no governo do Estado do Paraná é fundamentar, por omissão, a massificação, a reprodução e a alienação. Entendo que as aulas de educação física foram reduzidas no período diurno e excluídas do período noturno quase que na sua totalidade, situação que gerou desemprego entre profissionais da área, além de discriminar o aluno do período noturno, pois a ele é ofertada uma grade curricular diferenciada no aspecto pedagógico da disciplina, definida e expressa pelo filósofo português Manuel Sérgio Vieira e Cunha como ciência da motricidade humana.
Outro preocupante gerador é o aumento vertiginoso da violência no âmbito escolar, propagado pela ausência ou subtração de aulas da disciplina, entendida nesse ato como atividade motivadora, recreativa e socializadora. No entanto, cabe aos profissionais da educação física, compromissados com a transformação social, objetivar caminhos que os levem a exercer cargos na gestão escolar ou até políticos, participando ativamente de movimentos que combatam os dogmas e paradigmas de uma sociedade injusta, cultivada pelos governantes no intuito claro de gerar uma prole populacional alienada coletivamente e silenciada culturalmente.
Silenciar jamais, alienar nem pensar. Vamos sim nos organizar em defesa de uma escola pública sem fragmentos, gerado pelo desmonte, e promover a legitimidade alcançada com a conquista da Lei 9.696/98 que regulamentou o exercício profissional na área de educação física no Brasil, propiciando a verdadeira educação de qualidade com detrimento da atual falácia governamental.
- HIDERALDO LUIZ TROMBELI, professor de educação física, Arapongas
Esclarecimento
Carta intitulada Empréstimo, publicada nesta seção no dia 29 de maio, trouxe a assinatura do remetente fraudada, o que induziu a Folha ao erro. O nome Manoel Abatti Brustolin, de Nova Aurora, que assina a publicação, é uma combinação dos nomes de três vereadores do município, Manoel Evaristo da Silva, Vilmar Luiz Abatte e Maximino Brustolin. A carta diz que pretendia apresentar algumas correções na notícia publicada no dia 26 anterior (Sem dinheiro, prefeito pede a servidores que tomem empréstimo, referindo-se ao prefeito reeleito Delmo Raul Passoni), alegando que a notícia não mostrava a realidade dos fatos. O autor aproveitou para tecer críticas e fazer acusações ao prefeito. Segundo Passoni, os três vereadores são pessoas honradas e jamais fariam ataques dessa natureza contra ele. O prefeito, em contato com a Folha, disse que a publicação causou estranheza na comunidade que o reelegeu em outubro passado com 54% dos votos. A carta com nome fraudado passou pelo procedimento normal de controle da Folha depois que o autor entrou em contato com a Redação, por telefone, e foi equivocadamente considerado identificado. A Folha lamenta o engano e pede desculpa ao prefeito Delmo Raul Passoni e aos vereadores envolvidos pelo dano.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





