O LEITOR ESCREVE
Tamarana
Tamarana, do tupi Tama’rana, espécie de clava chata e esquinada, de cerca de um metro, usada pelos indígenas. Esta é a origem do nome de um dos mais novos municípios do Paraná, desmembrado de Londrina dia 13 de dezembro de 1995, após ter seguido os trâmites legais. Na circunscrição geográfica de Tamarana estão a Reserva indígena do Apucaraninha, o salto, a usina hidrelétrica e vasta área de preservação ecológica, que fazem parte da cultura e origem do município. Em 1996, ano eleitoral, sem consulta plebiscitária à população, o deputado estadual Florisvaldo Fier, a pedido do então prefeito Luiz Eduardo Cheida, aprovou, na Assembléia Legislativa, projeto inconstitucional desmembrando do novo município a Reserva do Apucaraninha.
Usando de atribuições legais, o novo município, através do deputado José Maria Ferreira, entrou no Tribunal de Justiça com ação direta de inconstitucionalidade, acatada favoravelmente em julho. Os quase mil índios que moram na Reserva são atendidos no Posto de Saúde e Hospital Municipal de Tamarana. Somente em julho, 37 índios utilizaram o hospital, segundo dados da Secretaria de Saúde. Por não achar justo perder parte do nosso território, nossa origem e renda, não posso me calar, como filho de Tamarana e representante no Legislativo. A Reserva é nossa e os índios são nossos irmãos. Juntos, vamos fazer de Tamarana uma cidade próspera.
- ADEMIR FERREIRA, Tamarana
Grito do interior
Municípios sem dinheiro, políticos desacreditados, povo sem esperança. Sistema de saúde falido, médicos escassos e povo sem assistência. Salário estagnado, contas de luz, telefone, correios, enfim, serviços prestados por empresas do governo não param de subir. O povo não tem com quem reclamar. O interior do Estado esquecido, a condição para a equipe do governo se aproximar destes municípios se limitam à aterrissagem do avião, holofotes das emissoras de TV e aos flashes das câmeras da imprensa. Como nem todos possuem aeroporto, televisão ou grandes jornais... Com isso o interior se resume em Londrina, Maringá, Foz do Iguaçu, Cascavel, Ponta Grossa, epaaa, nós também somos paranaenses, somos de municípios como Astorga, Iguaraçu, Munhoz de Mello, Ângulo, Flórida, Atalaia, Lobato, Santa Fé, Nossa Senhora das Graças, Prado Ferreira e tantos outros que não possuem aeroporto, nem televisão e jornais de grande circulação, mas legítimos paranaenses que clamam pelo desenvolvimento, com geração de empregos, com conforto, acesso à saúde, à educação e que sonham com a melhoria da qualidade de vida.
Os programas e projetos do governo, elaborados para o interior do Estado, são desenvolvidos em pranchetas, são teóricos, onde as consultas e pesquisas tomam por base o desenvolvimento da Europa, para onde é mais fácil viajar do que para o interior do Estado. Se conhecessem um pouco mais a nossa região teríamos soluções mais próximas da realidade da nossa gente.
- NILSON MENEZES, vereador em Astorga
O ensino
O ensino está na vitrine. O provão implantado pelo Ministério da Educação sacudiu a poeira dos que estavam adormecidos em berço esplêndido. Hoje já se fala numa reformulação geral e aparecem propostas da não-repetência da série completa em razão da reprovação em algumas matérias por parte de alunos. A idéia é boa, pois não atrasa o término do curso e, consequentemente, não desestimula o aluno, diminuindo a famigerada evasão escolar. No entanto, se não for devidamente complementada poderá terminar numa catástrofe nacional com a formação de beócios, de difícil ou impossível correção futura. A reprovação de uma ou algumas matérias não deve proibir ao aluno prosseguir no curso, sendo necessário que ele as repita ou realize os correspondentes exames de suficiência e que, entre outros cuidados, impeça que eles cursem matérias delas dependentes enquanto não obtiver a respectiva aprovação.
- NILTON DE FREITAS GUIMARÃES, Rio de Janeiro
Seguro sobre veículo
Certa vez ouvi pela televisão comentário de banqueiro que criticava a fórmula do seguro de acidente de trabalho que, por ser estatal, não fazia distinção entre uma e outra empresa que mantivesse melhor proteção na prevenção de acidentes. Transporto o mesmo raciocínio para o seguro de veículos automotores, especialmente carros de passeio. Tenho meu carro ‘manso de garagem’, fica quase direto na garagem do meu prédio que, por sua vez, tem seguro, também. Saio raramente a passeio e com muito cuidado, pois minha vida não tem seguro que pague. Viajo mais de ônibus ou avião, enquanto o carro permanece na garagem. Contudo, se eu for fazer o seguro a taxa é a mesma daquele que diariamente está em viagem pelas ruas e estradas brasileiras, neste nosso trânsito caótico e maluco.
As companhias de seguro deveriam pensar numa taxa diferenciada para estes casos de menor risco. Além do que, e apesar do carro ter sete ou oito anos de uso, está com baixa quilometragem e conservação impecável. Logo, não é de interesse do seu proprietário que o deixe roubar tão facilmente, pois sua reposição é quase impossível pelo mesmo dinheiro que o seguro lhes pagaria no caso de perda total deste bem, por furto ou outra coisa. É uma fatia de mercado que, se mais acessível, seria disputada, pois muitos são os proprietários, aposentados inclusive, que disporiam manter seguro de seus veículos, se os preços não fossem tão elevados.
- JOÃO AMBRÓZIO DE OLIVEIRA, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato. O jornal se reserva o direito de resumi-las, se ultrapassarem 15 linhas.

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