Ensino superior (1)
Foi com muita tristeza que terminei a leitura de duas reportagens envolvendo a questão do ensino superior em Londrina: as propostas de mudança no vestibular da UEL e os pedidos de doação de terrenos para universidades particulares. O motivo de minha tristeza é a constatação de que o ensino superior foi apropriado por relações mesquinhas onde os interesses particulares estão se sobrepondo aos interesses gerais da comunidade e da Nação.
Aos donos das universidades particulares que solicitam doação de terrenos à prefeitura, lembraria que escolheram Londrina em função de encontrarem aqui um corpo docente altamente qualificado, resultado de anos de investimentos dos governos na UEL. Eles se apropriam disso e de uma cidade com infra-estrutura montada para a vida universitária. Além disto cobram mensalidades compatíveis com o mercado, portanto, não necessitam de incentivos fiscais ou doação de terrenos que a prefeitura deveria destinar à praças, escolas públicas, creches e postos de saúde.
Aos donos de cursinhos e escolas particulares diria que eles deveriam formar seus alunos para competirem em nível nacional com as melhores escolas do País, elevar o padrão de ensino e não reivindicarem ‘‘reserva de vagas’’. Imaginem se os Estados de São Paulo, Rio e o Distrito Federal fizessem o mesmo com a USP, Unicamp, UFRJ e UnB, os paranaenses teriam acesso dificultado? A abertura da UEL aos jovens de todo o Brasil contribui para fazer dela uma universidade de bom nível e de Londrina a cidade que é, o contrário, tornaria a UEL uma ‘‘universidade de bairro’’.
Espero que os estudantes lutem por um ensino público de qualidade, reivindiquem que o Estado contrate professores de sociologia, filosofia e artes e não destrua a escola pública como vem fazendo.
- SILVIA ALAPANIAN COLMÁN, professora, Londrina
Ensino superior (2)
Há anos Londrina vem se destacando como um excelente pólo educacional, certamente pela somatória das características necessárias para tal, que todos nós que aqui vivemos, conhecemos muito bem. É normal que instituições educacionais incluam a cidade em seus projetos de expansão e queiram aqui se instalar e usufruir dessa invejável posição. Ultimamente tem sido bastante destacado pela imprensa o interesse apresentado pela PUC, cuja decisão para a instalação do seu campus em nossa cidade será avaliada pelo Ministério da Educação e Cultura por esses dias.
O destaque também tem sido dado às ‘‘principais lideranças’’ municipais que manifestaram apoio dentro de suas áreas de atuação, incondicionalmente. Considerando a atual situação do erário municipal, que não apresenta condições de oferecer creches para as nossas crianças, que reduziu a merenda escolar apenas para citar o mínimo, não nos é dado nem pensar em doar terrenos para quem quer que seja.
Cabe-nos o direito de apoiar as pretensões da PUC com a ressalva de que venha para somar, que aqui se instale, mas com os seus próprios recursos, sem apresentar exigências, como seria de se esperar de qualquer outra empresa de qualquer outra natureza.
Para uma população tipicamente brasileira, ou seja, constituída em sua esmagadora maioria de pobres, fica difícil entender essa solicitação de área por uma universidade eminentemente rica e elitista. Nossa população, como doadora, jamais será universalmente beneficiária dessa instituição, cujas mensalidades escolares alcançam até o triplo da renda média da maioria das pessoas da nossa comunidade.
Cabe lembrar que valorosas entidades que há gerações prestam serviços educacionais em Londrina, hoje, debatem-se aflitivamente em diversos campus, sem ao menos serem lembrados pelas ‘‘lideranças’’ que apóiam a PUC, sem que dessa sejam solicitados relatórios, balanços, relações de bolsas concedidas, impostos pagos etc., para as necessárias análises.
Carece não esquecer que aqui já temos uma entidade filantrópica, beneficiando-se das benesses oferecidas pelas ‘‘lideranças’’ de ontem, que apresenta um ritmo de crescimento alucinante, mesmo para aquelas dedicadas à elite, que hoje não mede esforços jurídicos para não pagar nem os impostos convencionais.
- CARLOS ROBERTO MIRANDA, industriário, Londrina
Policiais (1)
A manifestação dos PMs do Paraná, por intermédio de suas esposas, é fruto de fatos passados, quando deputado e pessoas da confiança da tropa prometeram mundos e fundos e nada aconteceu. Eles estão cansados de tanta promessa. Não concordamos com várias atitudes tomadas: esvaziar pneus de viaturas, não atender à população, baixar o nível dos discursos, afrontar iguais e superiores com atos de indisciplina, nada característicos da nossa Polícia Militar.
Vamos rever posições de alguns ‘‘líderes’’ de prontidão, sempre dispostos a resolver todos os nossos problemas. Vamos usar mais a razão. Discursos inflamados nada resolvem. Os danos do emprego da lei militar são irreversíveis, causam grandes prejuízos não só àqueles diretamente acionados, mais a todos nós que sabemos como estes fatos ocorreram. Cuidado, PMs, com as palavras vazias, com as propostas vãs, com aqueles que quando podiam fazer não fizeram.
Nossos policiais são idôneos, são fiéis às leis e normas, trabalham muito e ganham pouco, mas acima de tudo sabem de seu valor para na sociedade. Estão sendo usados tal como são usadas várias pessoas em todos os setores da sociedade. Viram massa de manobra aos interesses nem sempre confessáveis de certos ladinos e aproveitadores.
- JORGE LUIZ RODRIGUES, Curitiba
Policiais (2)
O governo do Paraná, que em nota oficial ‘‘não aceita a tentativa de paralisação das atividades policiais militares’’ em nome da ‘‘proibição legal de aumentos salariais’’ ameaça os grevistas, em outras palavras, com medidas truculentas, se necessárias, e até com a demissão deles.
O governador Jaime Lerner bem que poderia ter sido mais sucinto dizendo que o Paraná está falido, cada vez mais sem patrimônio e sem de onde tirar recursos, e que ele não sabe mais o que fazer ou o que vender.
Uma coisa que não entra na cabeça da população é: se a Lei de Responsabilidade Fiscal não permite aumentos salariais, por que o governador continua permitindo que se gaste milhões com propaganda pouco verdadeira? Gastam o dinheiro do povo para mostrar um Estado virtual, muito aquém da realidade dos paranaenses. E insistem em querer iludir e dizer à população sobre como é o seu ‘‘hábitat’’.
Às esposas dos policiais fica a admiração das pessoas de bem, pela garra, força e determinação em defender os seus direitos, numa luta como que de Davi contra Golias, motivadas por sua consciência de dignidade e cidadania. Ao governador do pedágio, dos grampos telefônicos e da falta de diálogo, fica o protesto de quem não suporta mais sustentar uma máquina estatal falida, cujo maior expoente não mede esforços e nem dinheiro para prezar mais por sua própria imagem em detrimento do bem da população e dos seus funcionários.
- ROMÃO ANTONIO MARTINI MARTINS, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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