O LEITOR ESCREVE
Petismo light
Segundo o historiador britânico Eric Hobsbawn, o processo de privatizações condiciona até mesmo o senso comum das pessoas e isso provocou um grande abalo na esquerda, que luta em favor de objetivos coletivos e persegue a justiça social. No tocante ao processo privatista, o momento urge ao debate e qualquer sinal (mesmo que indignado) de silêncio, assemelha-se, conforme Roger Garaudy, à cumplicidade. Portanto é hora de posicionar-se. Refiro-me à falácia argumentativa da administração municipal londrinense em prol de certas privatizações.
A primeira falácia argumentativa: a continuidade de terceirização, isso é, prestação privada da coleta de lixo. O argumento da administração de Londrina é que, além da falta de recursos em caixa, o prefeito, deve seguir a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Ora, é plausível, argumentativamente, o positivismo jurídico como fuga da justiça social e dos interesses coletivos? A justiça social e os interesses coletivos devem subordinar-se a escusos interesses mercadológicos privatistas? Não obstante, a sociedade londrinense espera que não haja nenhuma ligação escusa entre os insígnes dogmáticos defensores da terceirização do lixo e as empresas privadas coletores de lixo que financiaram parte da campanha eleitoral petista no ano de 2000 da cidade de São Paulo.
A segunda falácia argumentativa: a Telefonia Celular Sercomtel deve ser privatizada pois não sobreviverá à concorrência do mercado de telefonia. Se já é pública e notória a sua competência e está na linha de ponta de tecnologia de telefonia celular, onde justificar, plausivamente, tal privatização? Os capitalistas estariam interessados em adquirir uma empresa sucateada, sem tecnologia avançada, sem capacidade de concorrência e, por fim, sem lucros?
Se o petismo light, ou cor-de-rosa, é tão contrário à privatização da Copel, porque não o ser também no tocante à privatização da Sercomtel e da coleta de lixo? Ou então os defensores de tal privatização ora é pedra (no caso da Copel) e se esquece que é, também, espelho (no caso da Sercomtel)? Esperamos que o petismo light, personificado no prefeito não se configure como aquilo que classificou Hobsbawn de uma Tatcher de calças compridas.
- CLAUDEMIR LOPES BOZZI, filósofo, Londrina
Apagão (1)
Será que os administradores do Brasil são realmente administradores, ou são sociólogos, médicos, advogados? Será que algum deles já ouviu falar em planejamento estratégico, aquele que se faz para prever algo que pode mudar o curso dos negócios? Notando claramente o desenvolvimento tecnológico brasileiro, em que o uso de computadores é crescente, as fábricas são robotizadas, os eletrodomésticos tomam conta do País, não seria previsível que se deveria (deve-se) investir em maneiras auxiliares de produzir tal energia, sendo o Brasil um país relativamente grande?
Tendo o Brasil regiões de clima totalmente opostos, como o Nordeste, uma região de presença de luz do sol o ano inteiro, não haveria uma maneira de se produzir energia solar, nisto a grosso modo? Tenho certeza que se investigarem melhor o País, encontrarão inúmeras formas de se produzir a tão preciosa energia de cada dia.
Agora todos têm medo do apagão, correndo o risco da economia entrar em completo caos, tendo que economizar 20%. Temos que perder de circular na economia 20% de recursos, e consequentemente o governo vai afirmar que não há recursos para investir na produção de energia. E onde será que estão estes recursos? Na criação de rãs?
- CASSEMIRO DE MEIRA GARCIA, Santa Cruz de Monte Castelo
Apagão (2)
Energia é o que temos que ter agora para pagar mais a energia (luz). As concessionárias na maioria são multinacionais que foram entregues em leilão (doação) e agora, como não podem subir as taxas, vêm com essa de apagões, racionamento etc. Coitado do brasileiro, sempre iludido e roubado pelas múltis. Por que a anunciada multa de 50% a 200%, dependendo do consumo? O que nós temos a ver com isso? É só não gastarem tanto dinheiro em uma única sessão no Congresso. Querem tirar a diferença agora? Como ficaram os assuntos da plataforma afundada da Petrobras, do juiz Nicolau, da cassacão dos senadores, dos sem-terra, dos pedágios exagerados, do governo central impedindo CPI (tem medo)? Economizar é o que tenho feito e muitos também há muitos anos, só pagando mordomias a políticos e multinacionais.
- WENIRIO BREMM, Curitiba
Apagão (3)
Eu acho que esse governo está pintando o problema energético mais do que ele é, para desviar a atenção do povo sobre outros problemas que ele deseja esconder, já que não deixou instalar a CPI da Corrupção. Qualquer governo sabe que o planejamento em infra-estrutura é imprescindível. Até os governos militares, tão criticados pelas suas intransigências, tidos como ditadores, não descuidaram das construções de barragens geradoras de energia. Foram feitas as duas maiores usinas de geração nessa época, ou seja, Itaipu e Tucuruí. Não posso imaginar que o governo de Fernando Henrique Cardoso, que ganhou a reeleição, não tenha planejado bem o setor elétrico, para que agora estejamos metidos numa enrascada que poderá pôr a perder todo o nosso esforço no combate a inflação e na melhora de nossa economia.
Como já dissemos, a dívida interna que em 1994 estava ao redor de R$ 61 bilhões e a externa em R$ 128 bilhões, atualmente estão em R$ 583 bilhões e R$ 284 bilhões respectivamente. Como podemos observar, a dívida cresceu assustadoramente, além do que quase tudo já foi privatizado, e nosso parque energético está aí nesse verdadeiro caos. Esse País precisa de uma grande auditoria, ou uma grande CPI, que certamente teria muito a nos revelar.
- JOÃO AMBRÓSIO DE OLIVEIRA, Londrina
Apagão ()
A crise de energia não é tão grave quanto parece. FHC está apenas tentando apagar da lembrança do povo a ameaça da CPI da Corrupção onde ele é o protagonista. Os órgãos de imprensa estão entrando na dele, elegendo o apagão como a bola da vez e esquecendo-se de FHC. O presidente, com suas propostas burras de multas absurdas e inconstitucionais, está desacelerando a economia do nosso País, fazendo que aqueles que contrinuem para o desenvolvimento da Nação parem de produzir, investir e contratar funcionários, além de fazer com que muitos que estão trabalhando sejam demitidos.
- SÉRGIO TORETO, escriturário, Goioerê
Homem x mulher
Gostaria de enviar os meus parabéns ao jornalista Walmor Macarini pelo excelente artigo Homem x mulher. Como sempre, Walmor sabiamente escreve palavras maravilhosas a nossos olhos.
- MARIZA MANESCO CARDOSO, Toledo, através do site da Folha, no portal www.bonde.com.br
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