O LEITOR ESCREVE
Petistas (1)
Algumas atitudes tomadas pela atual administração de Londrina levantam questionamentos que, acredito, deveriam ser levados em conta pelo prefeito Nedson Micheleti (PT). Como admirador do PT (e do prefeito), fico apreensivo a cada passo dado como que, torcendo, para que haja uma excelente administração e seus resultados sirvam de parâmetro para o eleitorado nas próximas eleições. Falando do caso da venda da Sercomtel Celular: prefeito, você, mais que ninguém, conhece a luta do PT pela democracia. O partido sempre bradou pela transparência e participação popular.
Só por um momento, imagine que não tivesse sido eleito, que estivesse na oposição e o Executivo municipal espalhasse à imprensa que não deseja o plebiscito porque a decisão do povo poderia ser emotiva ou induzida através de maniqueísmos políticos. Qual seria sua reação? Lembre-se da luta do PT para que o Lerner fizesse um plebiscito para a venda da Copel. Será que ele teria dito algo semelhante? Nesse caso seria um bom argumento?
Se decidir pelo povo sem ouvi-lo, incorrerá num erro crasso. Durante anos será questionado pela população, que terá o direito de pensar que a venda da Sercomtel Celular foi desastrosa e que a empresa poderia estar dando lucro para o município (apesar de sabermos da situação delicada pela conjuntura de mercado).
Seus adversários cantarão eternamente essa ladainha, que poderá também afetar seu futuro político. Sei que é uma das poucas alternativas de se obter fundos para que sua administração realize obras, já que a situação financeira herdada é muito complicada, assim como o Lerner está desesperado para se livrar da Copel e ter a possibilidade de fazer alguma coisa ainda em seu mandato. É uma lástima. Veja onde chegamos: um político do PT numa situação muitíssimo semelhante a de um do PFL. A diferença, aqui, você sabe qual seria. A fundação chilena Latinobarômetro divulgou que apenas 37% dos habitantes da América Latina estão satisfeitos com o funcionamento da democracia. Não é possível que um prefeito do PT ajude a diminuir ainda mais esse percentual.
- MARCELO DE SOUZA SILVA, Jataizinho
Petistas (2)
Na cabeça de nós, pobres mortais, conumidores e contribuintes, reina uma baita confusão e desânimo. Nossa cidade está sem governo. uma equipe despreparada, pífia, sem esperiência, que, vê-se, não esperava assumir a municipalidade de Londrina. Nos jornais, o prefeito em exercício desautoriza o auditor municipal, o qual, afoito, tornou públicos detalhes do trabalho realizado em um órgão municipal. Detalhe: o próprio auditor era o contador da empresa cujo trabalho está sendo questionado. Ainda nos jornais, o PT, que sabidamente não prega a terceirização, debate-se com a questão do lixo, que quer privatizado. Ainda o PT, em nível municipal, quer vender a Sercomtel. Mas, lá em Curitina não quer a privatização da Copel, a qual, por seu turno, tem que dar o aval para a venda da Sercomtel, de quem é sócia em 45%. É o samba do crioulo doido.
Enquanto isso, só se fala em apuração de desvios, Ministério Público, processos, advogados faturando tudo, auditorias. Alguém ouviu falar em criação de novos empreendimentos, incentivo a novos empregos?
No plano estadual, uma autoridade policial pauta uma palestra sobre motivação exatamente no dia em que as esposas dos PMs (com anúncio antecipado em vários dias) iniciavam manifestação por melhores salários em frente ao quartel do BPM. Deu no que deu: a platéia virou as costas para o comandante; o governo estadual debate-se com os grampos telefônicos, não toma qualquer iniciativa prática.
Nosso presidente se queixa de que ninguém lhe avisou sobre a crise de energia. O ministro do apagão emite sua primeira resolução, que impede a instalação de novas indústrias no País. Os grupos Saint-Gobain e Pilkington anunciam que estão adiando investimentos de US$ 360 milhões em duas novas fábricas de vidro, uma em Santa Catarina e outra no Paraná.
Não estamos no século XXI. Estamos no século XIX, quando decreto de Dona Maria I, a Louca, proibiu a instalação de indústrias no País, pressionada pelos ingleses. Naquela época, um pioneiro da industrialização do País, no interior do Nordeste, chegou a ser preso e suas máquinas jogadas no rio. Estamos regredindo. Nossas cabeças vão suportar tudo isso?
- LUDOVICO JOSÉ BONATO, Londrina
Reajuste
Aposentados e pensionistas que recebem acima do salário mínimo estão inconformados com o insignificante reajuste de 5,7% anunciado pelo governo, o qual, se confirmado, elevará suas perdas acumuladas a mais de 40%, em relação à elevação do custo de vida.
Seguidas manifestações estão sendo promovidas em Brasília, tendo à frente a Confederação Brasileira dos Aposentados (Cobap) com destaque para o dia 24 de abril, quando em visita ao Congresso foram recebidos pelo presidente da Câmara, deputado Aécio neves, que em sua saudação foi enfático ao afirmar: Nessa gestão não se engaveta mais projetos.
Naquela oportunidade, as lideranças protestavam contra a atual política de reajustes e pediam a votação do projeto do deputado Paulo Paim que estabelece a aplicação dos mesmos índices de aumento para todos os benefícios da Previdência Social.
Vamos torcer para que o novo e festejado presidente da Câmara sustente suas promesas e que, os demais parlamentares tenham sensibilidade suficiente para reconhecer as injustiças que vem se cometendo em relação ao assunto, já há alguns anos.
A grande verdade é que de modo algum nos cabe a culpa pelos desacertos e mazelas das políticas econômicas praticadas ultimamente, já que quando estávamos na ativa, nos anos 60 e 70 principalmente, a economia era própera e o PIB crescia de 5 a 10% anualmente. A situação da Previdência era amplamente superavitária e seus recursos foram indevidamente utilizados para financiar outros setores que nada tinha a ver com assistência previdenciária.
Não se pode negar que existe uma grande dívida social a ser resgatada pelos governos de agora, o que requer inadiáveis providências e mobilização geral da classe, para que passemos das costumeiras lamúrias a uma nova realidade de posições firmes e ações concretas, sejam no atual ou no próximo governo.
Organização e união em nível nacional devem ser nossas principais armas, municiadas pelos votos de mais de 20 milhões de aposentados e de seus familiares que, em qualquer eleição, farão a diferença.
- MOACYR PIANTAVINI, presidente da Associação dos Aposentados e Pensionistas de Londrina
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