O LEITOR ESCREVE
Apagão (1)
Tive a grata satisfação de ver e ouvir uma entrevista do senador Alberto Silva (PMDB-PI) na TV Senado, na qual o assunto principal foi o racionamento de energia elétrica que o governo está programando para o início de junho. O senador emitiu sua abalizada opinião a respeito, já que é um engenheiro eletricista, já tendo militado no segmento. Chamou-me a atenção o dado que ele informou a respeito das usinas flutuantes que poderiam ser alugadas/adquiridas pelo Brasil e plugadas ao sistema de transmissão de energia elétrica em diversos de seus pontos-chave! Por que não fazermos isto? Não seria mais barato do que, por exemplo, reduzir a capacidade produtiva de nossas indústrias e agropecuária? Nós, o povo brasileiro, que sempre pagamos a conta dos desmandos e falta de planejamento do governo, não estaríamos livres desse desconforto, a curtíssimo prazo?
O outro aspecto citado: o cultivo de mamona para extração de seu óleo e industrialização de combustível para utilização em usinas térmicas. É um cultivo barato, com resultados altamente positivos (extrai-se 50% de óleo, o dobro da soja) e pode ser feito em todo tipo de terreno (Norte/Nordeste/Sul). Por que não convocar a sociedade, através dos segmentos classistas e discutirmos esses aspectos com a maior urgência possível?
- SILVANO CORRÊA, Campinas
Apagão (2)
Sugestão de mais um cidadão brasileiro abalizado: o Brasil tem padrões de tensão de distribuição de 13,8 mil/V na rede de distribuição. As tensões de transmissão são normalmente múltiplas ou proporcionais, como por exemplo 138 mil/V. Os transformadores têm taps ou comutadores que permitem as mudanças nessas tensões.
Se forem mudadas as tensões, um tap abaixo de 138 mil/V (para 136 mil/V) e outras linhas na mesma proporção, as tensões de distribuição passariam a ser de 13 mil/V para 13,6 m/V, e a domiciliar de 217/125V em vez de 220/127V. O cálculo da redução deve aproximar-se de 2,5 a 3%, a 2 mil MW de redução de consumo com a redução de apenas um tap! A esta redução pode ser somada a melhoria do fator de potência, as perdas no ferro, perdas no cobre e perdas por histerese!
As empresas que exigem tensões muito exatas têm, normalmente, equipamentos reguladores de tensão. As demais, absorvem sem muito problema a consequente redução de potência! Isto dará um bom trabalho para os engenheiros eletricistas, mas eles estão aí para isso.
- CLOVIS FRANCO DE SOUZA, engenheiro, Campinas
Servidores
O Supremo Tribunal Federal (STF) julgou no dia 25 de abril, e aprovou por unanimidade, a Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) por omissão nº 2061-7, de autoria do PT, do PDT e da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil (CSPB). A Adin, ajuizada em 1999, questiona a omissão do governo pelo não-cumprimento do artigo 37, parágrafo X da Constituição Federal, que assegura aos servidores públicos, desde junho de 1998, a revisão geral anual dos vencimentos.
O plenário decidiu, com base na emenda da reforma administrativa, que previu expressamente revisão geral anual, sempre na mesma data e sem distinção de índices. Desde que a emenda completou um ano, em junho de 1999, os servidores tentam, por meio de ações, o reconhecimento do direito à reposição da inflação.
A decisão do Supremo implica em comunicar ao presidente da República que ele está descumprindo a Constituição, e que para cumpri-la deverá enviar ao Congresso projeto de lei concedendo o reajuste aos servidores públicos.
Os ministros não estabeleceram prazo para o envio de projeto de lei ao Congresso prevendo o reajuste, nem declararam a partir de que momento estaria caracterizada a omissão. Se ela for considerada da vigência da reforma administrativa, de junho de 1998 em diante, o funcionalismo teria direito à reposição de 34,54%, segundo o advogado Luiz Alberto Santos, que falou em nome do PT.
A decisão do plenário beneficia os servidores estaduais e municipais. A norma da reforma administrativa vale para todo o funcionalismo público. Já é certo que o governo se pronunciará acerca da decisão assim que tomar conhecimento, após ser ouvida a Advocacia-Geral da União e, que não poderá descumprir a norma, para que não incorra em crime de responsabilidade. Salientamos que o momento deve ser de mobilização dos servidores para que seja cobrado o cumprimento da decisão.
- JOÃO AMBRÓSIO DE OLIVEIRA, Londrina
Diferenças
Em relação à carta publicada pelo leitor Waldo Navarro no último dia 15, devo esclarecer que sei muito bem qual a diferença entre bacia e mar aberto, como também sei qual é a diferença entre montanhas e dunas. Sei ainda que as dunas têm papel fundamental na dissipação da energia das ressacas, e junto com as correntes dos ventos e correntes marítimas, são as principais interferências no problema de erosão marinha.
Mas infelizmente sei também que a ocupação irregular provocada pela ganância dos humanos de estarem cada vez mais próximos do mar acabou por ser o principal agente da erosão marinha que hoje estamos presenciando no Litoral do Estado. Gostaria ainda de lembrar o leitor que não administro sozinho problemas como erosão marinha ou qualquer outro relacionado ao meio ambiente, mesmo porque conto com o trabalho de uma equipe de excelentes técnicos, além do apoio de outras instituições científicas, como universidades por exemplo.
- JOSÉ ANTONIO ANDREGUETTO, secretário de Estado do Meio Ambiente, Curitiba
Ordem e Progresso
Ordem e Progresso são palavras sábias, pois, se seguidas, criam qualidade de vida à população e desenvolvimento nacional. A chave para alcançar o progresso está ao nosso alcance. Basta reimplantar a ordem no País. Implica em moral, limpeza, ética, integridade, pontualidade, responsabilidade, respeito às leis e direitos. De acordo com recursos naturais, Brasil, Nigéria, Angola são pobres em termos de riqueza material, enquanto países carentes de recursos naturais, como Japão, Nova Zelândia e Israel, são economicamente poderosos. Até a Austrália, um país fundado por presidiários deportados da Inglaterra, que na realidade tem só 150 anos, é muito rica.
A fartura de inteligência não assegura progresso. Haja vista a Índia, uma das maiores produtoras mundiais de doutores em Ciências e de tantos sábios, atuando no mundo, é um dos países mais pobres do planeta. É interessante notar que poucos políticos pregam a restauração da ordem no dia-a-dia do cidadão em seu município. Muitos prometem tantas coisas que são incompatíveis com o lema da Bandeira Nacional: Ordem e Progresso. É equívoco pensar que, para progredir, o Brasil precisa somente de mais dinheiro, mais conhecimentos, mais tecnologia e mais inteligência. Precisa sim, é de mais ordem.
- CHARLES BARNSLEY HOLLAND, São Paulo
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]





