O LEITOR ESCREVE
Prisão (1)
O londrinense dormiu tranquilo de sexta-feira para sábado e talvez possa continuar assim alguns dias. Puxou o seu cobertor, na sua cama humilde, porém quente e honesta, sabendo que naquela noite, pelo menos, os principais da quadrilha que o assaltou sistematicamente nos últimos anos, estavam esquentando o cimento da cela fria da delegacia. Refletiu. Recobrou a esperança. Pensou em quanta insulina foi desviada de diabéticos carentes pela ganância pelo vil metal, como disse no despacho o juiz Arquelau; em quanto giz tirado da professora; em quanto Izordil tirado de cardíacos pobres; em quanto saquinho de leite roubado de bocas abertas e famintas a pedir que Deus as farte; em quanta sala de aula não construída; em quanto abandono determinado pela corrupção; em quanto uísque que embebedou os pulhas; em quanta licitação falsa que embolsaram; em quanto serviço contratado, não feito e regiamente pago que eles inventaram.
O londrinense adormeceu, agradecendo a Deus e pedindo a punição justa para aqueles que estavam lá embaixo, esquentando o cimento, execrados e humilhados pela prisão, como execreados e humilhados deixaram toda a população de quem roubaram. O feitiço virou contra seus autores. O londrinense amanheceu no sábado, olhou o céu azul e acreditou, de novo, que para tudo há jeito. Nenhum quadrilheiro pode enganar a todos durante todo o tempo. A hora de cada um chega. O londrinense agora sonha com o dia em que centavo por centavo dos R$ 200 milhões que roubaram do povo sejam devolvidos pelos meliantes.
- JOSÉ MARCINIO BALER, Londrina
Prisão (2)
Alguém aí pode me explicar, nesse primeiro delicioso dia de inverno, o porquê de eu estar imensamente feliz, rindo à toa mesmo, com essas notícias tão doces, traduzidas do despacho de um juiz? Obrigado a todos vocês, que querem uma Londrina para quem gosta de Londrina!
- CHRISTIAN STEAGALL-CONDÉ, arquiteto, Londrina
Senado (1)
Quero falar com a mulher Heloísa Helena, que bravamente mostrou para o País que a singularidade feminina presente nos espaços políticos, pode entoar um grito de coragem e valentia, sendo a mulher sujeito da sua própria história. Mais do que antes, continuo reafirmando o quanto a respeito pela lição de dignidade. A tua grandeza foi posta à prova quando ao ser insultada e ultrajada por alguns homens sem escrúpulos do nosso País.
Confesso estar chocada ao perceber que alguns tentam a todo custo manchar a honra de quem sempre esteve combatendo injustiças, lutando por igualdades, correndo atrás para que a impunidade, a maior culpada de tantas violações aos direitos humanos, seja banida de vez da história da humanidade.
Eu pergunto, nobre senadora: até quando serão ásperos os nossos tempos? Até porque não se constrói história verdadeira sem luta, porque não se abrem caminhos sem violentação das matas, porque não se constroem túneis sem que se rasguem as montanhas.
Os acontecimentos tristes da história política de nosso País apontam por que os tempos são ásperos e pelo qual é preciso lutar, lutar sempre para que os tempos se transformem fazendo com que a aspereza seja amenizada, que as injustiças não sejam esquecidas, mas que sejam vencidas.
Infelizmente, senadora Heloísa Helena, vivemos momentos tão degradantes na história política de nosso País, que sentimos a necessidade de manifestar o desejo de condecorar com medalhas os políticos que cumprem o seu papel, aqueles que respeitam a Constituição Federal, aqueles que honram o juramento que fizeram ao assumirem o mandato pelo qual foram eleitos. É lamentável, mas é fato. Ser honesto em nosso PaÍs virou sinônimo de heroísmo.
Continue firme nos teus princípios e nos teus propósitos, não se curve jamais aos mandantes de crimes contra a humanidade, aos que violam as fronteiras da dignidade, aos que vivem à custa das misérias humanas, banalizando a vida, e que desgraçadamente invertem valores e direitos.
- LÚCIA IRENE REALI LEMOS, membro do Centro de Direitos Humanos de Londrina
Senado (2)
Na Câmara Federal e no Senado, os nossos ilustres representantes passam o ano assim: metade rouba e faz falcatruas e a outra metade fica discutindo quem roubou, quanto e como roubou. Tudo termina em pizza. Aí os papéis se invertem e tudo termina em pizza novamente! Ao povo só resta assistir e pagar a conta.
- IZALTINO CELESTE, através do site da Folha, no portal www.bonde.com.br
Basquete
Caro jornalista Luiz Cláudio: lendo a sua coluna na Folha, do dia 3, a respeito da confusão ocorrida na sexta-feira no Ginásio de Esportes Moringão, fez-me imaginar de onde você escreve suas notas. Com certeza não é daqui de Londrina, e imagino ainda que nunca pode prestigiar de perto este time que orgulha a cidade honrando dentro da quadra a camisa que leva nossas cores.
O time de Londrina tem como patrocínio empresas locais com orçamentos modestos, longe dos times de São Paulo ou Rio, que ainda assim estão em piores colocações na tabela, e graças à competência e à ótima organização de nossos dirigentes, este que você classifica como selvagem, nosso time faz grandes atuações no campeonato, levando a nossa bilheteria a ser a melhor do campeonato há anos.
Antes de encerrar minha abominação pela sua nota, gostaria de dizer que fui testemunha do incidente, e tudo foi iniciado pelos atletas do Flamengo, ainda diria até que de forma dolosa, pois há cinco anos o Oscar vem a Londrina e não consegue levar nada, a não ser vaias, estas testemunhadas por mim. Fico admirado uma empresa jornalística tão bem conceituada e competitiva no mercado, que leva o nome de nossa cidade, admitir que um jornalista escreva tal absurdo da equipe que leva o mesmo nome de Londrina com tanto orgulho e raça.
- CARLOS ALEXANDRE GARCIA, Londrina
Nota do jornalista
Sobre suas considerações à nota na minha coluna Toque de Primeira, publicada às quintas-feiras na Folha Esporte, primeiro, agradeço a leitura, mas devo dizer que não escrevi nem bem nem mal sobre a equipe de basquete de Londrina, como você afirma. Escrevi e repito, que não se pode admitir que um dirigente esportivo brigue de rolar no meio da quadra com um atleta da equipe adversária pois isso é coisa de selvagem e merece punição como de fato foi punido o tal dirigente. Foi muito triste ver a confusão no final do jogo entre o Londrina e o Flamengo. Por mais que tente se explicar, não tem razão nenhuma o dirigente rolar com um jogador do time adversário no meio da quadra. Coisa de selvagem que merece punição.
Correção
A crônica Cá pra Nós publicada hoje na coluna social Elisiê Peixoto (Folha Gente) apresenta falha técnica. Por isso será republicada amanhã, no mesmo espaço.
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