Tribunal de exceção
A respeito da carta publicada na edição de quinta-feira, dia 3, assinada pelo leitor José Eduardo Costa, rejeitamos as informações equivocadas usadas pelo autor, a pretexto de elogiar o Tribunal de Exceção realizado no último dia 2, em Curitiba.
Nenhum sem-terra foi morto ‘‘no manifesto em frente ao Palácio Iguaçu’’ e tampouco o governo divulgou em qualquer tempo que havia sido encontrada uma arma com o agricultor assentado Antonio Tavares Pereira, que acabou morrendo após ser atingindo por um tiro disparado em direção ao chão na BR-277 (a perícia técnica demonstrou cabalmente que a bala ricocheteou no asfalto e parte dela atingiu o agricultor no abdômen).
É importante registrar que a morte do agricultor ocorreu durante confronto de cerca de 400 manifestantes contra apenas 4 policiais militares, como comprovam as fotos obtidas pela Secretaria da Segurança Pública no local e no momento do conflito.
O inquérito policial militar aberto para investigar o incidente foi concluído e o processo foi arquivado no último dia 10 de outubro, pelo juiz civil José Carlos Dalacqua, após a manifestação do promotor público Misael Duarte Pimenta Neto.
Segundo o promotor, o soldado Joel de Lima Santa Ana, identificado como o autor do disparo, agiu ‘‘em legítima defesa’’, depois que ‘‘os agentes da força estatal foram reprimidos, desafiados, agredidos e expostos a iminente situação de perigo de vida, considerando-se os exaltados ânimos dos desvairados desordeiros, fortemente equipados com armas brancas e enfurecidos, conforme se desprende das abundantes e conclusivas informações carreadas aos autos’’.
Em respeito à verdade dos fatos e à decisão da Justiça, solicitamos a publicação desses esclarecimentos.
- ASSESSORIA DE IMPRENSA DO GOVERNADOR JAIME LERNER
Voto secreto
Deputado Moysés Leônidas: no dia 2, li a reportagem da Folha, onde o senhor se manifesta dizendo que toda a população do Paraná poderá exercer seu direito pleno de cidadania com o projeto de resolução de sua autoria, que propõe o fim do voto secreto na Assembléia Legislativa. No parágrafo seguinte, o senhor afirma que os deputados estaduais poderão expor de forma democrática e transparente suas posições referentes aos projetos em questão. Finaliza dizendo que, ‘‘assim, todos nós, paranaenses, poderemos acompanhar de forma aberta a vida pública de nossos governantes’’.
O seu pensamento é compatível com o exercício da cidadania, mas quero lembrá-lo que isso implica em muito mais do que escrever matérias publicitárias, que lembram mais a promoção pessoal, com visão voltada para as próximas eleições. Digo isso porque até agora o senhor não ofereceu à população de Londrina e Região o resultado de sua pesquisa de opinião, através de painéis distribuídos por toda a região, solicitando que o povo se manifestasse sobre a venda do controle acionário da Copel. A propósito, o título é bastante sugestivo: ‘‘Você tem o direito de saber’’. Por várias vezes tenho solicitado que o senhor se posicione de maneira clara e com transparência, mas percebo que o senhor não está interessado em debater sobre o assunto.
Portanto, quero aproveitar a oportunidade que o senhor me oferece por ocasião da reportagem, para expressar o meu sentimento e frustração ao homem público. Deputado Moyses Leônidas, detentor de mandato legislativo paranaense, que não vem respondendo aos apelos do povo do Estado do Paraná e particularmente da população de Londrina e região para que ‘‘não deixe vender a Copel’’, Vossa Excelência está em débito com a comunidade paranaense e, particularmente londrinense. Mas ainda está em tempo de voltar a defender os interesses coletivos da nossa sociedade em detrimento aos interesses particulares e pessoais do governador Jaime Lerner e de seu secretário Ingo Hubert.
- RENÊ MORTARI, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Concessionárias de Energia Elétrica (Sindel), Londrina
Painel
Notem todos uma certa movimentação do PMDB no sentido de amenizar o processo contra os nobres senadores listeiros. Ainda andei escutando que o nobre presidente do Senado anunciou apoiar o nobre ACM. Como pode? Será que na cara do povo os nobres estão se preparando para o início de uma nova redonda com bastante queijo gorgonzola?
Não acredito que a velha ‘‘política-Jader’’ de apoiar para ser apoiado, de ameaçar para não ser ameaçado irá acontecer na cara de todos nós novamente! Lembro aos nobres que ano que vem tem eleição, adivinha quem vai entrar na dança se o povo não for respeitado?
Não podemos nos esquecer de um prefeito do Norte do Brasil que para ser eleito pagou a transferência compulsória de milhares de eleitores de outras cidades, e o juiz que analisou o caso diz não ter encontrado irregularidades, isso só acontece no Brasil mesmo.
Nobres deputados e senadores, o povo não vai esquecer do assunto, fim da votação secreta e nem da CPI! (Sou brasileiro, pagador de impostos que são usados para financiar pasagens aéreas de senadores e deputados que têm uma carga horária de trabalho de dar vontade de chorar.)
- DANIEL FROTA, através do site da Folha, no portal www.bonde.com.br
Solidariedade
Quanta alegria! De tanta alegria a gente até mesmo chorou. Ver chegando na escola um monte de coisas que a gente pediu porque os alunos são muito pobres, nós somos pobres. A gente pede para tanta gente e não tem resposta, mas de repente, já desacreditado de que alguém iria ajudar, fui procurado pela empresa Vega, de Londrina.
Eu fiquei até assustado porque o homem perguntou tanta coisa para mim, se eu era o presidente da Associação de Moradores do São Jorge, quanto tempo eu morava ali, se meus filhos estudavam na escola, e se eu tinha feito um pedido para os alunos. Eu respondi tudo e terminei falando: ‘‘Fui eu sim quem pedi, porque a nossa gente aqui do bairro sofre muito.’’ A escola dentro do bairro, a criança com vontade de estudar, e a família sem dinheiro para o caderno, e para tanta coisa. Conversamos muito naquele dia.
No dia seguinte ele voltou, levou-me até a escola, abriu o carro e para minha felicidade, ganhamos tudo que nós tínhamos pedido. Ganhamos caderno, lápis, borracha, lápis de cor, bolsa e uniforme inteiro, com calça e camiseta. Parecia um sonho!
Essa empresa que fez tanto por nossos filhos, para nossas famílias, vai ficar para sempre no nosso coração. Obrigado, senhor Haroldo, e todos que vieram com o senhor entregar tanto material e deixar aqui o respeito às famílias que precisam. Obrigado à empresa Vega, que como o senhor disse, senhor Haroldo, adotou os alunos carentes do Jardim São Jorge.
- DIVONZIR SOARES DOS SANTOS, presidente da Associação de Moradores do Jardim São Jorge, Londrina
Correção
Título publicado na primeira página da Folha Economia, na edição de ontem, contém incorreção. O certo é ‘‘Incertezas na Argentina fazem dólar subir’’. Em reportagem na mesma página, o correto é ‘‘Relatório do FED diz que EUA mantêm desaceleração’’.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

mockup