Sem-terra
Há 55 anos e aproximadamente seis meses era instalado, em Nuremberg (Alemanha), um tribunal internacional para julgar os crimes de guerra cometidos durante o regime nazista de Adolf Hitler. De novembro de 45 a outubro de 46 o alto escalão que dava apoio ao Fuhrer foi julgado, sendo 12 réus condenados à forca e outros sete à prisão. O próprio Hitler não foi julgado pois havia se suicidado.
Em Curitiba, teve início o Tribunal Internacional dos Crimes do Latifúndio instaurado por entidades ligadas à defesa dos direitos humanos que tem por objetivo julgar condutas do governo estadual, que vem ocorrendo desde 97, relacionados à questão agrária. Vale lembrar que o tribunal não tem caráter jurídico, mas pretende levar a discussão desses assuntos para a sociedade civil. É uma boa oportunidade para Jaime Lerner e seu séquito se pronunciarem a respeito de fatos que ainda não foram devidamente esclarecidos.
Por acaso alguém se esqueceu da morte do sem-terra no manifesto em frente ao Palácio do Iguaçu há bem pouco tempo? E a explicação do governo de que foi encontrada uma arma de posse de um dos integrantes do movimento, fato que justificou o tiro certeiro do policial – sem mencionar a violação ao direito à liberdade de imprensa que desde o início do governo Jaime Lerner tem sido uma constante? O próprio governador se recusa a responder às perguntas dos jornalistas quando estas associam seu nome a um dos inúmeros escândalos de sua atual administração. E mais, o governador ainda promete processar o jornalista que tiver ‘‘a petulância’’ de envolver seu nome em um dos casos que têm ocupado os noticiários nos últimos meses.
Agora novamente o governador se vale dessa tática. Ao invés de nomear um representante para falar em seu nome prefere se ausentar do debate alegando ser esse um tribunal de exceção. Quando na verdade este não é, como o próprio nome diz, um tribunal formado só por autoridades jurídicas do Estado.
Resta saber se Lerner vai firmar sua posição de continuar se abstendo do debate aberto. Vale lembrar ao governador o ditado popular: quem cala consente. E o senhor, governador, já consentiu demais.
- JOSÉ EDUARDO COSTA, universitário, Londrina
Tubarão
Agora acabou. Só nos resta lamentar. Afinal de contas, estamos acostumados a isso. Há um bom tempo que a única opção que nos é dada é lamentar. Mas lamentar o quê? Vou fazer o seguinte, porei a disposição de todos uma lista de lamentações, assim cada um escolhe o que chorar.
Vejamos: lamentamos os pontos perdidos pelo Tubarão em casa (já faz um bom tempo que o Café não impõe respeito a alguém): lamentamos a falta de estrutura do Londrina Esporte Clube e da própria cidade, pois se não me engano o time leva o nome da cidade, ‘‘Londrina’’; a falta de apoio à equipe, desde os simples torcedores que só aparecem quando a carne esta macia, até os empresários que somem quando se fala em um apoio mais amplo; que algum pé-vermelho não tenha peito suficiente para seguir o exemplo dos Malucelli e Trombini; lamentamos não ter alguém com capacidade suficiente para assumir o futebol da cidade, gerir o recursos que chegam até o time e dar à cidade o futebol que ela merece; vermos, todos os anos, os mesmos nomes envolvidos com o time e nada de resultados, será um vampirismo?
Lamentamos pelas pessoas incompetentes que só vêm no time uma fonte de recursos para suas riquezas pessoais; a conivência de toda esta estrutura com os mandos e desmandos daquele ‘‘quadrilheiro’’ lá do Sul, que envergonha nosso futebol; lamentamos ter que dizer amém a todo a arrogância que nos é jogada na cara por uma imprensa bairrista da capital; ver nomes de paranaenses tão dignos envolvidos com tanta maracutaia e desonestidade no nosso futebol; a possibilidade da Londrina Team assumir o time profissional; o fato de nossa imprensa calar com tudo isto; lamentamos pelo Tubarão ter ganho e não ter levado; o Rio Branco ter sido ‘‘garfado’’, e ter um Onaireves em terras paranaenses.
- EDERVAL ROCHA, Cambé
Painel (1)
Diante do mar de lama, nós do lado de cá é que temos o direito de caracterizar esse quadro de ‘‘safadeza’’, e não o ex-presidente da Casa ACM. Correndo ACM sério risco ser cassado devido a violação do painel, torna-se absolutamente imprópria qualquer crítica à mídia, tendo em vista todos esses fatos sujos em que a imprensa só colocou em prática seu papel: divulgar! Isso na minha terra tem nome: exercício do livre direito de raciocinar. E se mudou de nome, ACM é quem deve tentar explicar, e honrar as calças que veste assumindo sua culpa, não jogar toda responsabilidade na senhora Regina. Será que os caras pintadas vão engolir este teatrinho do Senado?
Com um depoimento contraditório, Arruda se complicou, levando ACM junto. Os ‘‘ingênuos’’ senadores serão bem acareados com Regina, a vilã? Os protagonistas do teatro são machistas, a mulher é o sexo frágil e neste caso temos que poupá-la de toda culpa, talvez com panelaço de mulheres pelas ruas. Coragem, independente da opinião de seus maridos, vão à luta, que estarão lutando por um País melhor.
Mais um espetáculo podre macula nosso País, no momento em que estamos precisando de políticos dignos que não se vendam, a preço de banana. Somos um povo sofrido, que ainda acredita no amanhã. É passada a hora do povo fazer acontecer o outro dia; todos somos agentes modificadores dessa fábula. Vamos mostrar que a vida neste País pode ser mais humana, que possa existir mais moral na construção de um outro caminho que nos conduza à mais justiça social.
O exemplo do Senado e suas ramificações devem ser banidos do seio social do País. Não devemos mais permitir que constantemente imoralidades sejam toleradas. Será que o senador cassado pela alteração da votação não questionará na Justiça seu retorno? Será que violaram outras votações?
- FABRÍCIO ARAÚJO, universitário, São Paulo
Painel (2)
A quem interessa essa lista da votação no Senado e para quê? Será que apenas os senadores ACM e Arruda tinham interesse na tal lista? Mas que importância teria uma simples lista de votação se não fossem as figuras envolvidas de confiança e líder do governo no Senado? Isso nos faz refletir e se formos unir o elo hierárquico dessa corrente, chegaremos ao Poder Executivo, que com seus tentáculos e ramificações por todos os lados subordina os demais poderes.
A corda sempre arrebenta do lado mais fraco, mas dessa vez, as evidências dos fatos não poderão modificar a trajetória dos acontecimentos. Regina Borges foi envolvida por um episódio que naturalmente servirá para reflexão de milhares de funcionários públicos que no afã de cumprir a sua missão, ficam expostos a essas armadilhas que a vida apresenta. Há um ditado corrente entre o funcionalismo, que diz que ‘‘todo cuidado é pouco’’, pois até provar que ‘‘focinho de porco não é tomada’’, as coisas já irão tarde demais.
A função pública é diferente da iniciativa privada. O setor público não tem dono e ao mesmo tempo, todos nos sentimos responsáveis. A função pública precisa ser valorizada e o funcionalismo respeitado.
Servidores públicos desmoralizados, combalidos, há mais de seis anos sem nenhum reajuste, ficam vulneráveis a qualquer tipo de assédio e outras investidas que possam atentar contra essa valorosa classe, em detrimento da sociedade que depende dos seus serviços.
- JOÃO AMBRÓSIO DE OLIVEIRA, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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