O LEITOR ESCREVE
Painel (1)
Onde terminará a trama que envolve a lista da violação dos votos registrados no painel do Senado? Cassação de José Roberto Arruda, de ACM, ou de nenhum? Houve a tentativa de atormentar a senadora Heloísa Helena, envolvendo-a nesse enredo nefasto? Mesmo que tal lista venha a aparecer, e contendo o voto da senadora contra a cassação de Estevão, não ficará comprovado que Heloísa Helena votou dessa maneira. O painel era tal vulnerável que além da violação, pode ter ocorrido adulteração dos votos.
Não acredito que ainda existam pessoas que acreditem na possibilidade do voto contrário, sendo que a senadora era líder do bloco de oposição no Senado e foi uma das grandes batalhadoras para que a cassação se efetivasse.
O que vem realmente ocorrendo é que querem envolver parlamentares do PT em escândalos, a fim de desmoralizá-los, assim como o partido. Porém, a cada dia, a cada escândalo, prova-se que o PT é realmente o partido que carrega a bandeira da ética. Sincera solidariedade à senadora frente à pusilanimidade que vem enfrentando nesse triste momento.
- MARCELO ARREBOLA, universitário, Cornélio Procópio
Painel (2)
Só existe uma palavra que consegue resumir o discurso feito pelo líder do governo no Senado sobre o seu envolvimento na quebra do sigilo do painel eletrônico de votação: indecoroso. A confissão de culpa pela quebra do decoro parlamentar não pode e não deve servir como válvula de escape de uma possível manobra política para tentar salvar o mandato do senador. Pelo contrário, deve ser considerado fato agravante por ter mentido em discurso anterior, quando negava com veemência toda e qualquer participação nessa patifaria.
O Senado precisa de uma limpeza geral: não só punir com a perda do mandato os envolvidos na velhacagem, mas fazer aparecer a lista, para que a opinião pública avalie o procedimento de seus representantes e possa apaziguar de vez os nervos e bravejos da senadora Heloísa Helena.
- ANTONIO SÉRGIO NEVES DE AZEVEDO, engenheiro, Santa Cruz do Monte Castelo
Lixão
De acordo com a reportagem Justiça fecha lixão de Ponta Grossa, publicada na Folha no dia 17, serão construídas guaritas e cercas para evitar entrada de pessoas que fazem garimpagem de recicláveis no local. Aí surge a pergunta: e se essas pessoas, os garimpeiros do lixo, insistirem em querer ganhar a vida reciclando o lixo no lixão, os guardas as põem na prisão? Constrói-se um esquema politicamente correto. Lixão é indigno para seres humanos sobreviverem lá. Por que um lixão é algo indigno? Quem faz o lixão ficar tão indigno e nojento?
No outro extremo, encontramos crianças, velhos, mulheres e homens achando sustento naquilo que chamamos de lixo. Pouco entendemos desse mundo, marginalizado e explorado, criado pelo desemprego e pelo material valorizado que jogamos fora. Na nossa ignorância nos defendemos com o politicamente correto e, com obviedades repetidas a exaustão, bagunçamos processos delicados de sobrevivência que se originaram e cresceram na sociedade.
Devemos, evitando idéias pré-concebidas, assistencialismo e paternalismo, dar atenção aos fenômenos sociais existentes, descobrir e desenvolver, a partir da realidade local, soluções auto-sustentáveis e redefinir, com a participação de toda a sociedade, a responsabilidade de cada um.
- DANIEL STEIDLE, Rolândia
Privatização da Copel
Quando o santo se torna demais milagreiro a gente desconfia. Na edição da Folha do dia 24, a senhora Cláudia Prochet se pronunciou, como leiga, sobre a Copel e Sercomtel. E com muita propriedade. Eu também sou cidadão leigo, leigo pagante, seria melhor dizer, que muito se admira da dupla tributação que paga nas contas de luz. É curioso que ninguém fala disso, dos 25% de imposto que nos é impingido por termos uma empresa do Estado. Isso é caríssimo e absurdo. Porque se a Copel é eficiente, o Estado já tem o lucro da empresa. Então, por que como castigo temos de a cada quatro meses pagar de novo uma conta de luz? Onde está a energia barata e abundante que deveria ser o verdadeiro lucro social de uma empresa estatal? Parece que não importa quem é o dono: sempre pagaremos ICMS.
Quem é o Estado? Não é o governo: este é apenas transitório. O Estado somos todos nós. Por que nós os consumidores que, em última análise, somos os financiadores da Copel, não recebemos ações da companhia? E ainda por cima temos que pagar imposto ao governo? Isso é um capitalismo de Estado safado.
Como acreditar na santidade da Copel? No meio desse estado de corrupção geral que há nos órgãos de governo, nunca a Copel fez desvios de dinheiro, gastos inúteis, compras superfaturadas, decisões administrativas erradas, favorecimentos, excesso de cargos polpudos distribuídos a afilhados políticos?
Eu não sei se é bom negócio vender ou não vender. Pode até ser. O que eu quero são minhas ações. Ações que eu venderei ou não conforme a oferta. O que a gente sente, entretanto, é que muitos políticos não querem a venda da Copel, pois iriam perder essa fonte de favores, verdadeira caixa 2, para nomeações, benefícios, auxílios de campanha e outros, que não vêm a público. Lembram-se do Banestado? A propaganda enganosa dos governos do Paraná dizia que esse era um dos poucos bancos estaduais sérios que deu certo. Era para ser lucrativo.
- HENRIQUE MOROVICZ, professor aposentado, Londrina
Água
Como acontece em grande parte do País, Curitiba e Região Metropolitana também sofrem, frequentemente, com o problema da falta de água e, se continuar como está, a previsão é que em pouco mais de 10 anos dobre o consumo de água. Outra agravante é que os rios estão cada vez mais poluídos. Por esses e outros fatores, está na hora de adotar políticas ambientais sérias e duradouras para preservar matas, rios e lagos e, ao mesmo tempo, criar novos processos de educação ambiental, envolvendo amplamente a comunidade.
Em sã consciência, ninguém pode negar que parte dos rios e mananciais urbanos está em situação crítica, principalmente por causa da poluição. Falta educação e conscientização ecológica da população de todas as idades e condições socioeconômicas. Não adianta querer canalizar os rios para esconder o lixo debaixo do tapete. Precisamos mudar hábitos e cultura do povo, se quisermos preservar melhor a água.
Sobre a exploração da água subterrânea, somos contra. Em vez de esgotar a capacidade dos lençóis freáticos subterrâneos deve-se, primeiramente, recuperar o máximo possível a água disponível na superfície. Não há lógica, em nome da poluição da água da superfície, coletar a água subterrânea. O habitante de Curitiba, por exemplo, gasta, em média, 250 litros de água por dia, enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) mostra que o ser humano pode viver muito bem com 80 litros/dia.
Diante da importância do assunto, o curso de Engenharia Ambiental da PUC promoveu, recentemente, um encontro para discutir questões relacionadas aos aos rios urbanos. O objetivo foi reunir especialistas para debater e propor soluções para revitalizar os rios que cortam a cidade.
- CARLOS MELLO GARCIA, professor, Curitiba
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