O leitor escreve
O LEITOR ESCREVE
Parque Arthur Thomas
Dedico minha vida ao desenvolvimento de trabalhos de educação ambiental e não sou ecologista de plantão, mas sim ambientalista atuante em Londrina. As considerações que a sra. Márcia Bounassar vem fazendo junto a este jornal já está nos preocupando, pois faz afirmações teóricas e sem conhecimento técnico nenhum. Só para esclarecimento aos leitores, não é possível plantar 70 mil árvores no Parque Arthur Thomas. Não há espaço para tal proposta, a menos que venham desmatar primeiro. Outro fator importante é que áreas de preservação permanente recebem ICMS ecológico, que poderia ser destinado tanto para ajudar na manutenção quanto na realização de programas de educação ambiental que promovam a visitação do parque.
O mais importante fator é que Londrina tem tantos fundos de vale simplesmente abandonados, cheios de lixo e entulho, e estes mesmos fundos de vale podem ser transformados em algo mais útil que depósito de lixo. Principalmente diante de um programa de turismo para Londrina. Quanto a cobrança de ingresso, para a sra. Márcia Bounassar não fará muita diferença excluir os economicamente pobres, desde que os economicamente ricos tenham acesso a bons programas de lazer e diversão. Certo? O que precisamos, sra. Márcia Bounassar, é menos lobby de marqueteiros e mais propostas tecnicamente viáveis, pois para a questão ambiental em Londrina não basta dinheiro nos cofres públicos. O que precisamos é uma política ambiental concreta.
- ELIANA SOUTO, coordenadora de projetos da Associação Ambientalista Bandeira Verde, Londrina
Elba Ramalho
Num programa de auditório, domingo, Elba Ramalho disse que o homem é vagabundo. Eu até gostava de algumas de suas músicas. Porém, confesso ter ficado desestimulado a voltar a ouví-la. Ela não só quis ofender a alguém que já a tenha frustrado, como ofendeu a honra de toda a classe masculina que se preze. Elba Ramalho não gostaria que alguém afirmasse que a maioria das cantoras são prostitutas ou lésbicas. Mesmo aquelas que o são não podem ser obrigadas a ouvir qualquer discriminação, mesmo porque preferência sexual não compete a ninguém julgar. É mera opção, que não ofende a ninguém, a não ser os carolas, beatos e a Igreja. Ao ouvir o absurdo, o jogador Renato gaúcho replicou: Então por que vocês não vivem sem os homens? Aquele atleta respondeu à altura, defendendo os que querem trabalhar e viver honestamente, respeitando e honrando suas esposas, filhos, a sociedade e a Deus. Quanto à cantora, o máximo que poderia dizer a seu respeito já o disse. Apenas fico pensando no que o sofrimento e a frustração fazem das pessoas.
- JOSÉ RICARDO DORTH CAVALHEIRO (Rick Dorth), Londrina
Crianças e adolescentes
Nos últimos dias o tema menores de rua voltou a ser notícia neste jornal. Nos traz preocupação a forma como o assunto vem sendo abordado. Num primeiro momento vimos fotos de meninos sendo revistados como perigosos marginais, na operação denominada arrastão, que na prática poucos resultados concretos traz para estas crianças, excluídas de ter uma situação digna de vida. Num segundo momento, em matéria intitulada Menores de rua passeiam pela cidade, lemos indignados que as crianças que conseguiram deixar as ruas e hoje frequentam escola e não usam mais drogas, são ainda chamadas, de forma pejorativa e irresponsável, de menores de rua.
Imagine o leitor, quando aquele menino ou menina tomar conhecimento desta matéria. Com certeza não compreenderá que visão do mundo coordena as idéias daqueles que ainda insistem em chamá-lo de menor de rua e, pior, no momento de seu lazer, o qual é direito também de nossos filhos. Fica a indagação. Que direito temos nós de identificar o passado triste e deplorável daquele garoto que hoje insiste e luta para ser um cidadão? Que direito temos nós de fazer de um momento de lazer de crianças, notícia deprimente, capaz de tirar o brilho do olhar destes meninos?
- GERALDO NORCIA BANHOS, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, Londrina
NOTA DA REDAÇÃOA Folha apenas acompanhou o primeiro dia do arrastão organizado pelo Poder Público. Se na matéria apareciam menores sendo revistados como perigosos marginais, é responsabilidade das autoridades envolvidas e não do jornal. Quanto à matéria Menores de rua passeiam pela Cidade, o objetivo foi mostrar uma manhã alegre de meninos e meninas que passam por processo de ressocialização nas casas-abrigo da Prefeitura de Londrina. Falaram e foram retratadas em toda sua dignidade humana, em toda sua luta para superar a condição de excluídos. Esconder o fato de que esses meninos viveram na rua seria desleal com eles próprios, com o leitor e com a fidelidade dos fatos. A Folha considera que a expressão menino de rua não é indigna. Indignas são as circunstâncias sociais que produziram a realidade desses menores.
Censura
O episódio da censura da obra do maestro Jorge Antunes, no recente evento do Centro Cultural Banco do Brasil, é mais um exemplo do autoritarismo arcaico que ainda prevalece neste país. Isto nos mostra que a censura continua perversamente espalhada pelo cotidiano e, muitas vezes, de modo invisível. Isto é um espelho do que há de pior no Brasil, e tem que acabar. Esse problema é muito mais do que um caso isolado. Eu também tive um fragmento de obra minha censurado no programa da Bienal de música contemporânea, em 1993. Precisamos acabar com isso. O artista é o único responsável pela sua obra. O Estado ou a empresa devem apenas gerar condições materiais para o florescimento da arte. Não lhes cabe qualquer controle estético ou ideológico. Muito menos a censura.
- SÉRGIO ROJAS, Rio de Janeiro
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato. O jornal se reserva o direito de resumi-las, se ultrapassarem 15 linhas.





