Lerner
‘‘Essa é mais uma tentativa da oposição que está tentando desestabilizar o governo.’’ Palavras do governador Lerner, conforme está na Folha do dia 21, referindo-se à CPI da Copel. Mais uma vez o governador sai pela tangente e procura um bode expiatório para o seu (des) governo. Desestabilizados devem estar o Paraná (e o Brasil) há muito tempo. Quando o governador tomou posse do seu primeiro mandato, não disse para os paranaenses em que pé estava a situação econômica do Estado. Terminou o mandato e também não informou. Mesmo assim os paranaenses confiaram-lhe o segundo mandato. Logo após da posse, o governador pagou a primeira prestação para os paranaenses: aumentou o pedágio.
O governador não precisa da oposição para a ‘‘tentativa de tentar’’ desestabilizar o seu governo. Com os deputados que o apóiam na Assembléia, auxiliares tão competentes e fiéis como o senhores Joel Coimbra, Rafael Greca e Alceni Guerra, um Tribunal de Contas que não conta, um Poder Judiciário cego (como sempre foi o Judiciário no Brasil) e uma mídia que só conta o que o governo paga para contar (ou não contar), o governador precisa de mais alguém para desestabilizar o seu governo? Sanepar, Banestado, Copel, Telepar vêm sendo leiloados e mesmo assim o Estado continua a dever. Lerner segue as pegadas de FHC, pois a dívida externa do Brasil beira os R$ 530 bilhões.
O problema é que os homens que se elegem para governar confundem o Estado com o privado. A expropriação dos bens públicos não é nenhuma novidade. Do mais humilde ao mais graúdo dos servidores, todos pensam e agem como se donos fossem da coisa pública. Não há que se preocupar, governador, com a desestabilização do seu governo. O que de fato não poderia acontecer é a desestabilização do Paraná.
- UESLEI TEODORO, professor, Maringá
Petrobras
Quem viu a Petrobras nascer, em 1953, sob o slogan ‘‘O petróleo é nosso!’’, sente-se hoje traído pelo neoliberalismo, esse filho da globalização com parentesco com o FMI. Os danos ecológicos causados pelos vazamentos na Baía de Guanabara e no Rio Iguaçu e os noticiários dando conta da omissão da diretoria com relação ao acidente com a P-36 podem conduzir a Petrobras a uma crise. São mais de 90 acidentes com 18 mortos e quase 5 milhões de litros de óleo vazados.
Essas mazelas fizeram cair a máscara que o Ministério das Minas e Energia punha, por anos a fio, sobre uma logomarca de duas caras: uma sensivelmente lucrativa (foram R$ 10 bilhões em 2000) e a outra, a banda podre, atolada em denúncias de irregularidades.
Ainda assim, anuncia-se o lucro fabuloso da Petrobras no ano passado. Não seria toda essa celeuma pretexto para introduzir a opinião pública no descrédito para com a estatal, abrindo espaço para os investidores estrangeiros? Basta dizer que a inglesa British Petroleum pretende investir no Brasil e imprimir fortíssima concorrência à estatal brasileira.
Privatizar a Petrobras seria a solução? Fará com que a ética e a responsabilidade social façam parte dos seus planejamentos, evitando outros acidentes e outros danos ao meio ambiente? Abriria, a ‘‘PetroBrax’’, mão da ganância pelo lucro, enfatizando os valores humanos? A privatização do nosso então orgulho nacional está a caminho. O tempo dirá se valeu a pena.
- EDUARDO BATISTA DE ALMEIDA, funcionário público estadual, Apucarana
Curiós
Hoje estou com mais de 70 anos, mas quando tinha 30, passava meus dias de folga caçando patativas e curiós. Naquela época a lei não era tão severa para os apreciadores destes passarinhos cantadores. Aos domingos ou feriados, pegava minhas ‘‘gaiolas de chama’’ e me dirigia para o campo atrás das lindas patativas, ou para os capões de mato, em busca dos briguentos curiós. Era delirante pegar uma patativa bico-preto, raridade já naquela época. Mas, o valente curió merece algumas considerações extras.
Como muitas pessoas sabem, o curió é um passarinho muito apreciado pelo seu canto melodioso e, por sua razoável rusticidade, dispensa alguns cuidados especiais. Seu habitat é sempre um capão de mato, de preferência em beira de córregos ou rios. Aos caçadores principiantes, é bom que se diga que o curió é muito briguento, tanto que num capão só existe um. Caso queira pegar outro é necessário levar a gaiola de chama para bem longe.
Refletindo sobre o comportamento dos curiós percebi uma discreta semelhança com o modo de agir de alguns de nossos representantes políticos. Será que existe de fato uma relação entre eles? Os curiós, com certeza não podem imitá-los, portanto, será que estes imitam os curiós?
Pelo visto há grandes possibilidades de haver esta relação pois, em quase todos os Estados, existe um dono ou um curió. No Pará tem um que manda no capão há muito tempo. Na Bahia, o dono do capão é tão bravo que nem os caçadores têm coragem de enfrentá-lo. Pelo que constatamos, em todos os Estados, principalmente nos do Norte e do Nordeste, existe um curió para infelicitar o conjunto da federação.
Em 1998, alguns curiós foram levados pelo nosso alçapão. Esperamos ansiosamente que, em 2002, esta espécie da fauna seja surpreendida e excluída do seu capão.
- WELLINGTON AMARAL SAMPAIO, Londrina
Café
Fundamental é que nossas autoridades adotem imediatamente o projeto de rotulação de café. Em artigo sobre a Specialty Coffee Association of América (SCAA), no ‘‘Coffee Business’’, vemos com satisfação que seu diretor Ted Lingle adotou nosso projeto. O mesmo foi levado em texto traduzido e intitulado ‘‘New Ideas on Cross-The-Border Coffee Trading’’ à feira de Miami e à Costa Rica pelo secretário de Agricultura do Paraná. Temos que preservar a pesquisa do Instituto Adolfo Lutz e sair na frente de algo que partiu do Brasil e não corrermos atrás do inexorável que é a direção do esclarecimento e da informação, que não pode mais ser sonegada ao consumidor, das quantidades existentes no pó de café torrado e moído de cafés arábica e robusta.
A pesquisa é inédita no mundo e peço apoio às associações, cooperativas, exportadores, cafeicultores, indústrias e autoridades para que unidos possamos lutar para a efetivação da rotulação. Os vilões da cafeicultura mundial são o Vietnã e outros países da Ásia que encharcaram o mercado com um produto que só serve para adição e está sendo usado inadequadamente, fugindo ao seu papel de complemento em blends para se transformar no principal elemento de muitos cafés do mundo, deturpando totalmente o mercado e assim arrastando os preços para baixo.
Adotada a rotulação, temos certeza de uma reação imediata de preços, pois é certo que falta café arábica no mundo e assim não nos submetermos a um mercado que insiste em tratar os cafés arábica e robusta/conillon sem distinção.
- RICARDO GONÇALVES STRENGER, presidente da Associação Paranaense de Cafeicultores (Apac), Santo Antônio da Platina
Correção
- A foto referente ao Festival de Dança do Mercosul, publicada no sábado, na página 1 da Folha2, é de Fabrício Azambuja e não de Ney de Souza como foi publicado.
- Os anúncios publicados na edição de domingo, dia 22, na Folha Classificados, sob os títulos ‘‘Contador’’ e ‘‘Seleciona para seus clientes’’ apresentaram, por engano, a logomarca da ADM Administradora de Recursos Humanos, quanto o correto seria a logomarca da Admita Recursos Humanos.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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