Tiradentes
Dia 21 de abril, Dia de Tiradentes; o que diriam os inconfidentes se pudessem ouvir a confidente Regina Célia Borges do Prodasen? Com certeza Joaquim Silvério dos Reis se invejaria de Antônio Carlos Magalhães. Ora, Joaquim Silvério traiu um movimento e Antônio Carlos Magalhães trai o País e a confiança de todos os brasileiros.
As barbas de Tiradentes ‘‘estariam de molho’’ ao conviver com um sistema tão corrupto. E como ficariam as idéias do mártir ao se ver cercado de tantas CPIs? O que diria então, depois de tanta luta para transformar o Brasil em república, ao ver essa república querendo privatizar tudo e criar um império de poucos?
É, Joaquim José da Silva Xavier. A causa era nobre, mas hoje parece que nem existe causa. Aliás, o que existe é um tal de Alca que nos é posta goela abaixo como naquele tempo. Tiradentes foi um exemplo que jamais ousamos seguir, e seria hoje mais uma voz no meio de tantos? Comemoremos e reflitamos.
- MIGUEL PEDRO ABUDI JÚNIOR, Campo Mourão
Fila
Os terminais de embarque do Porto de Paranaguá não estão cumprindo o acordo feito entre o Sindicam/PR, Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos, APPA e Secretaria dos Transportes. Continuam não obedecendo à programação passada pelo porto, que parece impotente diante do descumprimento dos terminais. A preocupação dos sindicatos com o retorno da fila não é especificamente com as diárias que devem ser pagas aos caminhoneiros, mas principalmente pelos aspectos de falta total de condições mínimas de saúde, higiene e alimentação. A falta de sanitários já pode ser considerada caso de saúde pública, pois milhares de caminhoneiros são obrigados a fazer suas necessidades à beira da rodovia. Logo poderemos ter uma infestação de mosquitos e outras pragas.
O problema de segurança é gravíssimo. São várias denúncias de pequenos furtos principalmente de tacógrafo, além do risco constante dos caminhoneiros à margem da rodovia. No dia 10, um caminhoneiro foi atropelado e morto, não se sabe por quem, e o caso foi abafado. Tratava-se do senhor Miguel P. Franzoi, morador de Curitiba, que estava com caminhão na fila com placa AEQ 6146.
O Sindicam/PR faz um alerta também ao porto quanto à autorização do uso do pátio de triagem para empresa particular realizar uma ‘‘feira’’ chamada Exposafra, que no mínimo é no momento inoportuno, em local impróprio, pois tira do pátio cerca de 150 caminhões para ceder espaço para realização da feira. Será que esses caminhoneiros que ficarão de fora do pátio, na fila, passando todo tipo de dificuldade são favoráveis à feira? Não somos contrários à feira, mas nesse momento ela acaba sendo totalmente imprópria.
A fila fora do pátio de triagem tem que ser eliminada. Temos que levar em consideração que isso acaba virando um risco para todos os que estão trafegando nas rodovias do Paraná, pois o caminhoneiro não pode descansar enquanto está na fila. Tem que ficar puxando o caminhão, e após descarregar volta imediatamente para uma nova carga. Nesse momento o risco de um acidente é muito maior para todos os que estão na estrada.
- DIUMAR DELEO CUNHA BUENO, presidente do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens no Estado do Paraná, Curitiba
NR. O caso da morte do caminhoneiro Miguel P. Franzoi só ficou conhecido ontem, quando a família entrou em contato com o sindicato. (Leia mais sobre a a denúncia de novas filas e do atropelamento em Folha Economia).
Orquestra
Não conheço pessoalmente o maestro Norton Morozowicz, mas conheço parte de sua obra, pela imprensa e por informações prestadas por amigos comuns. Embora sem procuração para falar em seu nome, sinto-me no dever de registrar sua contribuição à vida cultural de Londrina, cujo empenho à frente da Orquestra Sinfônica da UEL (Osuel) tem propiciado sob sua batuta sucessivas apresentações públicas da orquestra, no âmbito municipal e fora dele, trazendo música de qualidade, informação, cultura, as mesmas que os meios de comunicação irritante e progressivamente teimam em sonegar.
Seu papel junto ao Festival de Música é tão ou mais relevante, na medida em que além de movimentar o comércio e o setor hoteleiro locais em julho, leva o nome de nossa cidade a distantes pontos do território nacional e exterior, devido às importantes trocas de experiência entre alunos e professores das mais diversas origens. Aliás, muitos deles vêm manifestando preocupação com o destino do evento diante da gradativa diminuição de recursos a cada ano injetado em sua realização. Significa dizer que o festival local é referência no meio musical e seu fim seria lamentável.
Foi com tristeza que li a reportagem na edição de ontem da Folha, segundo a qual o maestro, enfim desmotivado, estaria para deixar a Osuel e a organização do Festival de Música, notadamente por falta de apoio financeiro do governo estadual. De fato, o que esperar de um governo cujo chefe fica mais de um ano sem visitar a segunda cidade mais importante do Estado, e quando o faz, sabendo-se julgado – tomara que envergonhado – entra e sai pela porta dos fundos de uma escola pública? Parece-me que cabe agora a todos os setores da sociedade londrinense mostrar aos políticos que o maestro, a Osuel e o Festival de Música são importantes para o Brasil sim, mas são, antes, essenciais para o povo de Londrina.
- ROBERTO JOAQUIM DE SOUZA, advogado, Londrina
Privatizações
O padre Manoel Joaquim R. dos Santos expõe muito bem que existe similaridade entre a venda da Sercomtel Celular e a desestatização da Copel no artigo que assina, ‘‘Lixo, luz e telefone’’, na edição da Folha do dia 19.
Os argumentos nos dois processos são baseados num quadro de concorrência onde já não há mais espaço para que empresas públicas concorram, em igualdade de condições, com a iniciativa privada. Falta competitividade às estatais dentro do novo cenário econômico brasileiro e isto está claro. A legislação patrocinada pelo governo federal e aprovada pelo Congresso induz à desestatização do setor elétrico e estabelece a livre concorrência neste mercado, assim como ocorreu nas telecomunicações.
O autor do referido artigo peca ao comparar o governador Jaime Lerner a Herodes e o prefeito Nedson Micheleti a Pilatos. Nem Herodes e nem Pilatos. De minha parte, posso assegurar que o governo estadual prefere o partido de Jesus Cristo. E é por assumir esta posição que propõe a desestatização da Copel, para melhor poder realizar o bem comum.
A desestatização da Copel vai transformar energia elétrica em mais educação, mais saúde e mais segurança para todos os paranaenses.
- RAFAEL GRECA, secretário de Estado da Comunicação Social, Curitiba
Correção
- O próximo adversário do Coritiba na Copa do Brasil é o Goiás e não o Guarani como foi publicado na página 1 da Folha Esporte de ontem.
- O tenista brasileiro Gustavo Kuerten assumiu ontem a liderança da corrida dos campeões da Associação dos Tenistas Profissionais ao vencer o holandês Sjeng Schalken, no Master Series de Montecarlo, e não na quinta-feira, como foi publicado na página 4 da Folha Esporte.
- O título da chamada de primeira página da edição de ontem da Folha, sobre a investigação da suspeita de febre amarela silvestre no Paraná, contém erro de grafia. A palavra ‘‘macacos’’ foi publicada incorretamente. O título correto é ‘‘Saúde investiga febre amarela em macacos’’.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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