O LEITOR ESCREVE
Porto seco
Primeiramente, quero parabenizá-los pela abordagem do assunto Falta estratégia, no editorial do dia 11. Mas, além de parabenizá-los, quero aproveitar para contribuir com esse assunto, pois na verdade falta além da estratégia, uma logística operacional eficiente e sincronizada, aliada a uma estrutura capaz de dar vazão às nossas riquezas agrícolas. Tudo isso que falta é possível ter, desde que haja, em primeiro lugar, vontade política.
Na minha opinião, é preciso que haja uma atividade que gere lucro ou receita para que empresários possam encabeçar um processo de organização dessa logística operacional de escoamento de mercadorias para o Porto de Paranaguá. Essa atividade lucrativa pode ser chamada de porto seco. É atividade terceirizada a empresários que tenham como pensamento proporcionar organização, comodidade, redução dos tempos de transporte e operações de legalização de transações e custos mais econômicos.
Mas ao pensar nessa atividade, não podemos esquecer que deverá ser erguido aqui todo um sistema intermodal de transportes, que através de sua eficiência, faça todo o processo de legalização das cargas, levando-as por via aérea, rodoviária ou ferroviária ao Porto de Paranaguá ou outro qualquer, apenas para ser embarcada, ainda percorrendo o caminho inverso para ser desembaraçada em Londrina.
Londrina está no rumo certo. Após o desembaraço jurídico promovido pelo Eadi Maringá, a cidade caminhará para a conclusão de seu sonhado projeto. E que não seja somente para obter lucro, mas para criar todo o ambiente favorável na geração de riqueza, comodidade, serviços, empregos e modernidade no processo de transporte e controle de cargas voltadas à exportação ou oriundas da importação de matéria-prima e peças de outros países. Daqui a algum tempo poderão haver vários portos secos, mas o que nos fará eficientes será a qualidade de nossos serviços, a agilidade de nossos procedimentos e custo pago por esses dois. Vamos lá Londrina. Isso é futuro, isso é progresso.
- ADEMIR DIAS CAMARGO, administrador e consultor de empresas, Londrina
Páscoa
A todos que tenham acesso a essas palavras singelas porém sinceras, desejo muita paz, muita solidariedade e compreensão nesta Páscoa. Que todos tenham espaço para exercer o seu trabalho, suas funções, seus deveres, sem deslealdade, sem essa desmedida ambição, que só prejudica, nada constrói. Porque somente a colaboração e a cooperação de todos redundam em benefício global, sendo como somos, parte dessa enorme engrenagem que se chama vida. Aqui dependemos uns dos outros desde a concepção até o último suspiro, onde haverá sempre alguém mesmo que seja apenas para nos tirar do local, daquele chão. Que nesse dia, em meio às amabilidades que trocamos, que predomine a palavra afável, terna, cada um dando o melhor de si mesmo, para que se possa viver mais feliz, amando, doando, edificando a divina construção que é o amor. Que hoje, na Páscoa, mais do que nunca, possamos sentir, quaisquer que sejam as crenças, credos, religiões, esse glorioso Cristo vivo em nossos corações.
- IRENE CRUZ CORRÊA, Londrina
Sercomtel Celular
Como cidadão e residente em Londrina há muito anos, tenho acompanhado as notícias sobre a venda da Sercomtel Celular. A Sercomtel é formada por um grupo de empresas e, em especial, a telefonia fixa, bem como Internet e outras. No entanto, todas essas empresas terão oportunidades de expandir-se dentro e fora de Londrina, o que infelizmente não ocorre com a telefonia móvel que é restrita ao município de Londrina. Isso dificulta a sua expansão, bem como o ganho em escala tão importante para uma empresa prestadora de serviços.
Fatores como a competição, a concorrência, as gigantes da telefonia móvel e a falta de condições legais para a Sercomtel Celular expandir-se, tornam imperiosa a necessidade de sua venda imediata. Falo como usuário e apaixonado pela Sercomtel. Mas temos que ponderar quanto ao certo e o errado, e pensar no melhor para nossa cidade. Hoje, a Copel detém 45% da Sercomtel e provavelmente será privatizada. Tudo isso demonstra a urgência da venda da Sercomtel Celular.
Levar um assunto tão polêmico como esse que envolve paixões e apaixonados a um plebiscito é muitíssimo arriscado, chegando a nos fazer lembrar daquele malfadado plebiscito onde Pilatos deixou para o povo decidir entre Barrabás e Jesus Cristo. E todos sabem que os desígnios e as paixões daquele povo levaram a uma decisão bastante errônea, ao condenar Jesus Cristo. Não podemos esquecer: se não vendermos já a Sercomtel Celular, a médio prazo, teremos outras dificuldades.
É uma realidade vivida no momento em que as paixões e o saudosismo têm que ser esquecidos. A discussão deve ser técnica e não política.
- ANTÔNIO SAMPAIO DE ANDRADE, Londrina
Privatização
Privatização é o processo que culmina com a transferência de uma empresa pública para uma empresa particular. Esse é o assunto que está dominando todas as classes sociais brasileiras, principalmente as do Paraná, onde se polemiza, administrativa e politicamente, a privatização da mais rentável e lucrativa empresa geradora e distribuidora de energia elétrica: a Copel.
Sem considerar o aspecto político, que é o nó górdio da polêmica, gostaríamos de analisar alguns aspectos favoráveis à privatização, em geral, os quais não se aplicam à Copel, com certeza. Folha de pagamento inchada: é um exemplo que se aplica às empresas públicas que funcionam como cabide de emprego, onde são acomodados apaniguados políticos e os bons cabos eleitorais; gestão incompetente: nem sempre o administrador, que é político, entende da empresa ou do setor que está sob sua responsabilidade, com assessoria mal escolhida, não providenciando em tempo hábil recursos humanos e equipamentos adequados para prevenir imprevisto, que interrompam a produção e o bom funcionamento da empresa. Nada nos leva a crer que a nossa Copel esteja sofrendo o mal da incompetência administrativa, para que justificasse as pretensões privatistas, que estão querendo impor aos paranaenses.
E há mais. Sucateamento humano: pela não-reciclagem e não-atualização do know-how, daqueles que são responsáveis pelo bom andamento da empresa e pela melhoria quantitativa e qualitativa da produção; e sucateamento de equipamentos, pela não-atualização tecnológica dos componentes e máquinas que mantêm o funcionamento de geração e distribuição de energia.
Estes não são males que afetam a nossa melhor empresa do setor energético, e não há boa perspectiva para um Estado que já negociou o seu banco (sistema financeiro estadual) e que está prestes a bater o martelo no forte e dinâmico setor energético do Paraná. Privatização é um processo. Vamos interrompê-lo?
- BOANERGES DE OLIVEIRA, economista, Londrina
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