O LEITOR ESCREVE
Peixe
Se você tem mais de 10 mil dias de vida, vai se lembrar que nos primeiros anos, na sua infância, quando você rachava os dedos pelas ruas sem asfalto, por essas mesmas ruas, além de você e seus amigos, desfilavam os vendedores ambulantes, lembra? Lembrou quem eram esses mercadores daqueles tempos? Eram eles: o mascate com sua mala onde estavam acomodados para venda roupas e outros objetos que as senhoras donas de casa encomendavam.
Com carroças adaptadas, vinham também o verdureiro, o padeiro, o leiteiro e o bucheiro. Este era o que mais me impressionava por causa do produto que vendia: miúdos de bovinos e suínos. Você se lembra desses tempos? Tempos de pouca violência; de ruas e calçadas para caminhadas despreocupadas.
Um pouco do que acontecia naqueles tempos persiste ainda hoje nas feiras das ruas centrais. É nesta época do ano que se realiza também a famigerada feira do peixe vivo (ou será a farra do peixe?), onde você encontra os seres aquáticos em pleno exercício de suas funções vitais. Nestes dias em que a tradição religiosa sugere que se deve dar uma trégua ao boi, o peixe se rala. O produtor o coloca dentro da água rasa e o transporta para a cidade. O peixe fica irriquieto, o oxigênio vai se escasseando até o momento do peso, onde o peixe experimenta o contato com o equipamento que vai definir o seu preço. Retirado da água escassa, ele é sufocado no saco plástico onde, finalmente, olhando seus algozes expira o último alento de vida. Que comércio antiquado é esse que coloca em tanto sofrimento uma criatura silenciosa, com a qual, na Semana Santa, somos extremamente insanos, insensatos e insensíveis?
- OSÉAS PEÇANHA NASCIMENTO, Londrina
Exposição (1)
Estão de parabéns os organizadores, expositores e todos que direta ou indiretamente trabalharam para o brilhantismo da 41ª Exposição Agropecuária de Londrina. Com a visita de cantores famosos e políticos influentes de todo o Brasil, a fim de prestigiar nossa feira, Londrina tornou-se, nestes dias, assunto nacional.
A exposição deste ano foi uma beleza. Animais de diversas raças e de apurada linhagem desfilaram garbosamente para centenas de compradores e milhares de admiradores. A organização esteve quase impecável e merecedora da nota 10, principalmente a praça de alimentação. Pela higiene observada, diferente das feiras anteriores, quando nuvens de mosquitos infestavam os ambientes e estragavam nosso apetite, este ano merecia uma nota 11.
Mais uma vez, parabéns aos organizadores, porém, não podia deixar de apontar a nota destoante que impediu o sucesso total deste evento que já se tornou orgulho de todos os londrinenses. Estamos iniciando um novo milênio, momento em que todos se unem e trabalham para diminuir as diferenças entre os povos, para melhorar a condição social das classes menos favorecidas ou maior aproximação entre ricos e pobres.
Infelizmente, isto não aconteceu nesta 41ª Feira. O preço das entradas e do estacionamento, por certo afugentaram os menos favorecidos, os quais gostariam também de usufruir destes dias de festa como era costume em todos os anos anteriores. Esperamos que as próximas feiras assemelhem-se à 41ª ou sejam ainda melhores porém, pedimos aos organizadores que levem em conta que este evento em Londrina é considerado também uma festa do povo e não vamos privá-lo de participar.
- WELLINGTON AMARAL SAMPAIO, Londrina
Exposição (2)
Gostaria de registrar meu protesto e indignação em relação aos shows contratados pela Exposição de Londrina. Como acontece todos anos, são contratados artistas de renome nacional e internacional, com cachês astronômicos, para abrilhantar o evento, o que é perfeitamente compreensível. Porém, os talentos da casa são convidados a mostrar seu trabalho antes da apresentação dos grandes astros, e não recebem nada por isso.
Será que não merecemos nem 10% do valor do cachê dos grandes artistas? Será que servimos apenas para mostrar o nosso trabalho sem ao menos recebermos R$ 1 mil, no mínimo? Será que não temos direito de ver os nossos nomes artísticos divulgados na mídia da mesma maneira que os astros principais? Por que tanta discriminação com o pessoal da terra? Por que os shows são trazidos a Londrina por uma empresa de Apucarana e não por uma de Londrina?
Poderia ser criada uma lei que obrigasse os promotores de grandes eventos a destinar 10% do valor do cachê do artista principal aos talentos da terra. Isso sim seria um prestígio aos nossos valores. Não onera em nada e daria condições aos artistas locais de mostrar um trabalho digno e de qualidade. É revoltante saber que temos condições de fazer bonito no palco, assim como fazemos fora de Londdrina, onde somos reconhecidos como grandes valores, porém na nossa terra não temos chance de mostrar nossa competência.
Amigos artistas locais, quando nos encontrarmos numa situação angustiosa em que tudo parecer conjurar-se contra nós de tal modo que julguemos que não poderemos aguentar nem mais um minuto, não devemos nos render, porque será esse o momento preciso em que começará o refluxo da maré.
- EDSON LUIZ TEODORO, cantor, Londrina
Pedágio
A analogia feita no editorial da Folha do dia 6, comparando a atitude da concessionária que explora o pedágio na BR-277, fechando o acesso a moradores da região para chegar às suas casas, com o que acontecia na Alemanha no tempo em que o Muro separava Berlim pela intransigência dos comunistas, é muito
bem-feita. Conheci aquele muro de perto e era um horror ver a separação de famílias vivendo no mesmo país, mas separadas pela falta de liberdade.
Aqui não construíram um muro, mas abriram valetas, colocaram portões e guaritas com vigias. Agora o que é pior: lá o regime era comunista e isso explicava a barreira. Mas aqui o direito de ir e vir está claro na nossa Constituição. Então como é que se permite essa barbaridade? A descendência do governador deveria ser suficiente para que ele interviesse de pronto para salvaguardar a liberdade da população. Deveria. Mas não o faz, apoiou ou sufocou escândalos como a negociata Sercomtel-Copel, Banestado Leasing, Jogos da Natureza, protocolos das montadoras, envolvimento dos casos das prefeituras de Londrina e Maringá etc. Não é só o pedágio que é uma vergonha.
- EDGAR BAER, advogado, Londrina
Mudanças
Numa atitude que provavelmente terá 100% de aprovação da população da cidade de São Paulo, a Câmara dos Vereadores aprovou a mudança na lei orgânica, que torna aberta, a partir de agora, a cassação de vereadores, prefeitos, eleição de conselheiros do Tribunal de Contas do município e ainda presidência da Câmara e Mesa Diretora. Acredito, espero e cobrarei a mesma resolução dos nobres deputados federais e senadores da república.
- DANIEL FROTA, São Paulo
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